domingo, 7 de julho de 2013

(15/11/2010) Olavo explica única solução para decadência cultural e política


(15/11/2010) Olavo explica única solução para decadência cultural e política

(15/11/2010) Olavo explica única solução para decadência cultural e política

O problema do Brasil é a confusão mental


 Escrito por Olavo de Carvalho | 07 Julho 2013
Artigos - Cultura

Notas recentes e trechos antigos do filósofo Olavo de Carvalho, organizados por Felipe Moura Brasil para responder de vez a todos que perguntam quais são as soluções, ou pedem 'propostas positivas' para o país; ou ainda exigem ambas, xingando quem quer que "apenas" combata seus males.

1.

Muito mais que o comunismo, a corrupção, o banditismo e a má administração, o problema do Brasil é a CONFUSÃO MENTAL. Sem corrigi-la antes, nenhum dos outros problemas terá solução jamais.

2.

Alta cultura não é estetismo, não é show business, não é indústria cultural: é preparação do espírito humano para que não se perca na selva das aparências, mas, lidando com um problema qualquer, vá direto ao ponto.

Infelizmente, não é possível transmitir alta cultura a milhões de pessoas antes de havê-la transmitido a uns milhares, nem a uns milhares antes de havê-la transmitido a uns poucos.

Isso, no entanto, não é desculpa para não começar nunca.

3.

Existe algum "movimento conservador" com organização, militância e recursos para enfrentar o MST? Existe aliás algum líder conservador de movimentos de rua que tenha ao menos parado para estudar a estrutura e a estratégia do MST? Ou alguém, no meio conservador, que tenha parado para meditar quantos anos levou o MST para conseguir algum de seus objetivos, mesmo os mais modestos? Estou com o SACO CHEIO de entusiasmos levianos. Não existe ninguém sério na merda da "direita" brasileira?

Vejo um monte de gente disposta a sair gritando na rua. Peça uma contribuição de dez reais a cada um e metade deles lhe virará as costas. A outra metade rirá na sua cara. O PT recebeu de seus militantes contribuições de dez, vinte e até trinta por cento dos seus salários durante DÉCADAS antes de conseguir alguma projeção política. A direita brasileira é desprezível.

"Deserve victory", ensinava Winston Churchill. Merecê-la desde antes mesmo de buscá-la. Quem, na porra da "direita" brasileira, entende isso? Se não vêem uma perspectiva de vitória em dois meses, ficam todos deprimidinhos e acham que é o fim do mundo. A esquerda está no poder porque o mereceu.

4.

Sabem por que o comunismo prospera? É porque gerações e gerações de comunistas consentiram em dar suas vidas pelo movimento e morrer antes de ver qualquer de seus objetivos realizado. Quem dura mais, vence. Aquele cujos sonhos medem menos que a duração da sua vida só merece a derrota e o descrédito.

5.

O primeiro teste de um movimento político é a quantidade de intelectuais sérios cujas discussões antecedem a sua fundação. O segundo é: quanto dinheiro ele conseguiu em contribuições na sua primeira assembleia? Se o patrimônio intelectual é pobre e o financeiro é miserável, isso quer dizer apenas que o movimento é uma MERDA.

6.

Chega de discutir pontos particulares do programa comunista. É preciso acertar no
coração do bicho em vez de apenas roer-lhe as unhas.

7.

Também chega de discutir lindas 'propostas positivas' para um Brasil melhor enquanto a praga comunista não for extirpada. Quando uma jovem está sendo estuprada, não é hora de sonhar com um lindo casamento, filhinhos, uma casa própria etc. É hora de parar o estuprador.

8.

Já escrevi que, na infância, eu tinha um tremendo complexo de burrice, achava que todo mundo entendia tudo e só eu era o cego perdido no tiroteio. Adotei como objetivo da minha vida entender e explicar — se possível — o que se passa. Não sou líder de merda nenhuma, não tenho ideologia definida, não tenho nenhum programa de ação a oferecer. Mas posso fornecer, aos interessados, algumas informações e análises históricas para que, no devido tempo, descubram o que fazer — e façam. Como diria o Pernalonga: That's all, folks.

9.

Há muitos movimentos antipetistas, anticomunistas e vagamente conservadores eclodindo por aí. Nunca me consultaram a respeito do que quer que fosse. Não me oponho a nenhum deles, mas o fato de subscreverem uma ou outra opinião minha isolada não justifica que se digam meus "seguidores". Quem não segue sequer as minhas aulas não tem como seguir o meu pensamento.

10.

Campanha Nacional: Doe uma Bola a Quem Precisa.

Apelo a todos os meus leitores e amigos para que comprem uma bola de gude, de pingue-pongue, de tênis, qualquer uma, e enviem urgentemente aos necessitados: deputados, senadores, militares, chefes de redação dos grandes jornais e canais de TV, líderes religiosos, tutti quanti. É uma questão de caridade.

********

"O SER HUMANO NÃO NASCEU PARA CORRIGIR O MUNDO."

True Outspeak de 22/11/2010, transcrito por
Felipe Moura Brasil:

(...) A camada intelectual é constituída de pessoas frágeis. Sempre foi assim. São pessoas que às vezes não têm uma posição definida na sociedade, que têm muitas ambições e poucos meios de realização... Então esse pessoal sempre traz um grande ressentimento dentro de si. E olha o mundo e vê o que lhe parece ser a vitória dos maus, que nem sempre são tão maus quanto ele imagina. Mas, diante dessa revolta, ele vendo o poder do mal no mundo, ele se impressiona com o poder do mal, e impressionar-se ante um poder já é cultuá-lo, já é cair sob o domínio dele. Então o sujeito começa a entrar na dialética do mal: ele lê Maquiavel, lê Nietzsche, essa coisa toda, e aí vai elaborar a sua revolta, sem perceber que, com isso, ele está ele próprio se transformando num instrumento do demônio. Quer dizer: quanto mais revoltado contra o mal do mundo o sujeito está, mais mal ele vai fazer, isso aí é a coisa mais óbvia.

O ser humano não nasceu para corrigir o mundo. A esfera de ação própria do ser humano é muito pequena. E hoje em dia todo mundo tem a ambição de criar um mundo melhor. Qualquer garoto de 12 anos está criando um mundo melhor. Então é essa ambição de criar um mundo melhor que faz os camaradas entrarem numa luta pelo poder — porque, se você quer mudar o mundo, você precisa ter o poder para modificá-lo —, então modificar o mundo, melhorar o mundo passa a ser o capítulo 2; o capítulo 1 é conquistar o poder. Esse pessoal cria uma obsessão de poder, e todos eles se corrompem até o fundo da alma, e se transformam eles mesmos em maiores propagadores do mal ainda. Então isso não é porque o sujeito fosse um idealista.

Esse negócio de que os jovens entram nas lutas sociais por ser um idealista, isso é uma patacoada. Que garoto de 14 ou 15 anos tem uma visão correta da sociedade, da pobreza etc.? Que garoto de 14 anos está mais interessado nos outros do que em si mesmo? Me diga. Isso é impossível. Um garoto de 14 anos está lutando pela sua autorrealização. E, se ele está revoltado com a injustiça no mundo, é porque ele se sente injustiçado, embora na maior parte dos casos não o seja. Então ele projeta esse seu sentimento de injustiça nos outros, e diz que ele está representando então os pobres e oprimidos. Isso é uma mentira! Eu digo isso analisando o quê? A minha própria geração e a mim mesmo. O que é que eu sabia da pobreza e da miséria do Brasil quando pela primeira vez me fascinei pelas ideias de esquerda? Não sabia coisíssima nenhuma! Eu sabia que eu estava me sentindo mal. Eu me sentia mal e oprimido, então odiava qualquer coisa que representasse aos meus olhos a autoridade. Então eu estava lutando é pelos meus próprios interesses, pela minha própria vaidade, como todos daquela época!

Eu, inclusive, veja, no Partido Comunista, se você perguntar quem você conheceu que fosse uma pessoa piedosa, caridosa, que tivesse realmente piedade pelos pobres, que tentasse ajudá-los diretamente, não conheci um! Nem um único! Eram todos corações secos! Todos eles! Então o sujeito está lutando pela sua própria vaidade, mas, como se engana a si mesmo, achando que ele é o salvador que está lutando contra o mal, quanto mais ele pensa assim, mais ele se impregna do mal por via da vaidade. (...)

********

"SE VOCÊ COMBATER IMPIEDOSAMENTE AS FORÇAS DA DECADÊNCIA, DA CORRUPÇÃO, DA MENTIRA, O RESTO A SOCIEDADE FAZ POR SI."

True Outspeak de 13/09/2010, transcrito por Felipe Moura Brasil:

(...) Eu não acredito nessa história de “Nós queremos montar uma sociedade virtuosa”. Isso aí é uma bobagem, uma bobajada! O nível da convivência social não depende de você ter nenhuma concepção da sociedade; não depende de você ter nenhum plano de sociedade virtuosa; não depende sequer de você ter ideais. Depende só de uma coisa: depende de você atuar contra as forças corruptoras que destroem a sociedade. Você não precisa ter uma proposta positiva.

Por exemplo: você pega aí a polícia. Para que existe a polícia? A polícia existe para combater o crime. Ela não vai fomentar os bons costumes por quê? Porque os bons costumes são normais, eles não precisam ser fomentados. Se você eliminar, se você combater impiedosamente as forças da decadência, da corrupção, da mentira, o resto a sociedade faz por si.

Você não é o único que tem ideia boa. Quantas pessoas tem no Brasil? 180 milhões de pessoas? 190? Então. Cada um deles tem uma boa intenção na cabeça. É só você eliminar os obstáculos que as pessoas realizam as suas boas intenções, as quais uma cabeça humana jamais poderia abarcar. Você não pode conceber de antemão todas as ideias boas, produtivas e humanitárias que as pessoas vão ter nos próximos 50 anos. Não é possível!

Então ter uma concepção integral da sociedade, boa e virtuosa, é perda de tempo. Só precisa combater o crime e a mentalidade revolucionária. É só isto! É só isto! Você não precisa ter belos planos para a economia, você não precisa ter belos planos para a educação, para nada. É só deixar que a sociedade tenha a sua iniciativa; e as pessoas que têm poder e influência que tratem de combater o mal.

Eu já falei pra vocês: não existe mal maior no mundo do que a mentalidade revolucionária há 300 anos. É isto que nós temos que combater! As pessoas dizem: o que nós temos que fazer para melhorar a economia brasileira? Não sei! O que devemos fazer para melhorar a educação no Brasil? Não sei! O que devemos fazer pela saúde pública? Não sei! O que devemos fazer? Devemos tirar do cenário os seus inimigos. O resto, deixa que o povo tenha a sua iniciativa, e todo mundo saberá ter a sua ideia boa e lutar por ela: cada um no seu campo.

Agora, se você vem com uma concepção integral de sociedade, você já está pensando igual à mentalidade revolucionária. Prestem atenção: até o advento da modernidade, ninguém jamais pensou em sociedade melhor. Ninguém pensou. Porque todo mundo sabia, por instinto, que a sociedade resulta de milhões de iniciativas que ninguém controla. Então, as pessoas tratavam de enfrentar os males que estavam ao seu alcance, sem ter nenhuma concepção global duma sociedade melhor. Agora, depois que veio o movimento revolucionário, até os inimigos dele querem ter uma concepção duma sociedade melhor. (...)

Projeto de futuro baseado na concentração de poder, o que é que é? É a revolução de novo, e de novo, e de novo, e de novo... E ninguém sai dessa porcaria! Então, ninguém tem que ter programa positivo para a sociedade. Nós temos apenas que combater os inimigos. Retirar o mal. Estudem Hegel. Hegel falava do “trabalho do negativo”. Se você insistentemente destrói determinada corrente, você está fomentando automaticamente as correntes que têm propostas diferentes. É a coisa mais óbvia. Correntes cujo florescimento você não pode prever e não pode controlar.

O bem é por sua própria natureza expansivo e criativo. Entendam isso, pelo amor de Deus! O bem não precisa ser planejado, meu Deus do Céu! Não precisa ter a “gerência geral do bem”. O bem está em todo coração humano. Ter amor a Deus, ter amor à família, ter amor ao próximo. As pessoas vivem tendo ideias maravilhosas.

Você veja: no Brasil dos anos 1980, 50% da economia nacional era o quê? Era economia informal. Era firma que não tinha registro. Era a mulher que fazia bolo pra vender pras vizinhas... O sujeito que tinha uma oficininha informal... Isso aí estava sustentando o Brasil, era metade da economia brasileira. Daí vem o governo e começa a querer controlar tudo. Pra que controlar se está funcionando, meu Deus do céu? “Ah, mas tem que pagar imposto...” Tem que pagar imposto pra quê? Pra alimentar o governo que vai paralisar tudo? É exatamente isso que está acontecendo. Felizmente, o brasileiro inventa novas e novas maneiras de burlar a fiscalização e continuar trabalhando honestamente.

Você pagar imposto pra esse governo é um crime. Você tá ajudando o Foro de São Paulo, você tá ajudando as Farc, você tá ajudando a bandidagem, você tá ajudando o mensalão, você tá ajudando os assassinos do prefeito de Santo André em Campinas... É pra isso que você paga imposto. O imposto chama-se imposto porque ele é imposto! A gente tem que pagar de má vontade. Tem que lutar pra acabar com essa merda.

Uma das principais alegações dos revolucionários na França em 1779 foi que o governo queria impor imposto de renda. Daí eles fizeram a revolução e qual foi a primeira coisa que eles fizeram? Impuseram o imposto de renda. Mas revolucionário é assim mesmo: não se pode acreditar nesses filhos da puta. (...)

********

"O BRASIL, NA VERDADE, SÓ TEM DOIS PROBLEMAS: A INSEGURANÇA GERAL E A INÉPCIA DA CLASSE DIRIGENTE."

[Do artigo “
O Estado covarde”, Diário do Comércio (editorial), 21 de fevereiro de 2006]

Uma coisa espantosa no Brasil de hoje é a candura, a inocência pueril ou mongolóide com que, num país onde ocorrem 50 mil homicídios por ano, as pessoas se acomodam à violência como uma fatalidade inevitável, dizendo de si para si que aquilo que não tem remédio remediado está, e saem buscando soluções para outros problemas em volta.

Digo cinqüenta mil porque é a estatística oficial da ONU. Segundo o repórter espanhol Luís Mir são 150 mil. Mas, se fossem cinqüenta mil, já seria o equivalente a três guerras do Iraque por ano, em tempo de paz.

Quem pode fazer a economia render, ampliar o mercado de empregos, aumentar a produção de bens, melhorar a distribuição, numa sociedade onde ninguém tem o mínimo de segurança física para saber se vai voltar vivo do trabalho? Quem pode pensar em educação, saúde, habitação, vestuário, se está sob ameaça de morte 24 horas por dia?

Isso é tudo ilusão, besteira, desconversa. Sem segurança não há progresso, educação, saúde, nem coisa nenhuma. Todo mundo sabe disto e faz de conta que não sabe. Faz de conta porque tem medo de enfrentar o problema fundamental, e então sai brincando de resolver os problemas periféricos só para dar "a si mesmo ou à platéia" a impressão de que está fazendo alguma coisa.

A taxa anual de homicídios no Brasil significa, pura e simplesmente, que não há ordem pública, não há lei nem direito, não há Estado, não há administração, há apenas um esquema estatal de dar emprego para vagabundos, sanguessugas, farsantes. O Estado brasileiro é uma instituição de auto-ajuda dos incapazes. E você, brasileiro, paga. Paga a pantomima toda. Paga para o sr.
Gilberto Gil fazer de conta que é culto, paga para o sr. Nelson Jobim fazer de conta que é honesto, até para o sr. Lula da Silva fazer de conta que preside alguma coisa.

O Brasil, na verdade, só tem dois problemas: a insegurança geral e a inépcia da classe dirigente. O primeiro não deixa ninguém viver e o segundo anestesia a galera para que não ligue e trate de pensar em outra coisa. Desaparecidos esses dois problemas, a sociedade encontraria sozinha as soluções dos demais, sem precisar da ajuda de governo nenhum. A sociedade pode perfeitamente criar e distribuir riqueza, dar educação às crianças, encontrar meios de que todos tenham uma renda decente, moradia, saúde, assistência na velhice.

O que a sociedade não pode é garantir a ordem pública pela força das armas e educar os governantes para que governem. Isso tem de vir do Estado. Mas o Estado, justamente para não ter de fazer o que lhe compete, prefere se meter em todo o mais. É o Estado educador, o Estado médico, o Estado assistente social, o Estado onissapiente. Só não é o Estado-Estado. Só não é o que tem de ser.

É o Estado que tem cada vez mais poder sobre os cidadãos e menos poder contra os inimigos do cidadão. É o Estado santarrão, pomposo, grandiloqüente e covarde.

********

AS 8 SOLUÇÕES DE OLAVO DE CARVALHO PARA O BRASIL

[Do artigo “
Dormindo profundamente”, Diário do Comércio, 19 de junho de 2006]

Alguns leitores reclamam que descrevo o problema mas não indico solução. Sabem por que faço isso? É que as únicas soluções possíveis são tão difíceis e remotas que só de pensar nelas a visão do problema se torna ainda mais insuportável. Cada vez que volto ao assunto ecoa na minha memória o verso de Manuel Bandeira, o mais triste da literatura universal, que resume a história do Brasil nas últimas décadas: “A vida inteira que poderia ter sido e que não foi.”

(...)

Querem soluções? Elas existem, mas os homens influentes deste país, tão logo acabem de ler a lista, já vão querer atenuá-las, adaptá-las ao nível de covardia e preguiça requerido para ser direitistas “do bem” ou então diluí-las em objeções sem fim até que se transformem nos seus contrários, mui dialeticamente.

Se querem saber, essas soluções são as seguintes:

1. Aceitar a luta ideológica com toda a extensão das suas conseqüências. Não fazer campanhas genéricas “contra a corrupção”, salvando a cara do comunismo, mas mostrar que a corrupção vem diretamente da estratégia comunista continental voltada à demolição das instituições.

2. Criar uma rede de entidades para divulgar os crimes do comunismo e mostrar ao público o total comprometimento da esquerda atual com aqueles que os praticaram. A simples comparação quantitiva fará o general Pinochet parecer Madre Teresa.

3. Criar uma rede de ONGs tipo media watch para denunciar e criminalizar a desinformação esquerdista na mídia nacional, a supressão proposital de notícias, a propaganda camuflada em jornalismo.

4. Desmantelar o monopólio esquerdista do movimento editorial, colocando à disposição do público milhares de livros anticomunistas e conservadores que lhe têm sido sonegados há quatro décadas.

5. Formar uma geração de intelectuais liberais e conservadores habilitados a desmascarar impiedosamente os trapaceiros e usurpadores esquerdistas que dominaram a educação superior e os órgãos de cultura em geral.

6. Formar e adestrar militância para manifestações de rua.

7. Durante pelo menos dez anos enfatizar antes o fortalecimento interno do movimento do que a conquista de cargos eleitorais.

8. Criar um vasto sistema de informações sobre a estratégia continental esquerdista e suas conexões com os centros do poder globalista, de modo a esclarecer o empresariado, os intelectuais e as Forças Armadas.

Essas são as soluções. Tudo o mais é desconversa. Ou os brasileiros fazem o que tem de ser feito, ou, por favor, que parem de choradeira. Que aprendam a morrer com decência. Se o Brasil cessar de existir, ninguém no mundo vai sentir falta dele. E se todos os brasileiros não inscritos no PT, no PSOL, na CUT e similares entrarem na próxima lista de falecidos do Livro Negro do Comunismo, talvez só eu mesmo ache isso um pouco ruim. Em todo caso, o fim do Brasil não vai abalar as estruturas do cosmos. Os esforços da direita nacional para a conquista da perfeita inocuidade estão perto de alcançar o sucesso definitivo. Quem em vida se esforçou para não fazer diferença, não há de fazer muita depois de morto.

(...)

 

FUNÇÃO DOS INTELECTUAIS E DA MILITÂNCIA

[Do artigo “
Da falta que a militância faz”, Diário do Comércio, 5 de julho de 2010]

(...) Militância, por seu lado, não se cria da noite para o dia. Ela começa com círculos muito pequenos de intelectuais que, por anos, nada fazem senão discutir e discutir, analisando diariamente, com minúcia obsessiva, uma conjuntura política na qual não têm o mínimo poder de interferir. É do seu debate interminável que emergem, aos poucos, certas maneiras de pensar e falar que, consolidadas e simplificadas em esquemas repetitivos, se tornam espontaneamente a linguagem dos insatisfeitos em geral. Quando estes aceitam a linguagem do núcleo intelectual como expressão de suas queixas (por mais inadequada que essa linguagem seja objetivamente), é então que começa o adestramento da militância propriamente dita. De início suas iniciativas podem parecer deslocadas e pueris, mas elas não visam a alcançar nenhum resultado objetivo: são apenas ação imanente, destinada a consolidar a militância. Isto é tão importante, tão vital, que todo movimento político sério tem de começar sacrificando eleições e cargos ao ídolo da solidariedade militante.

A direita não tem militância, desde logo, porque não entende a função dos intelectuais. Quer usá-los apenas como adornos, como redatores de publicidade ou como revisores de estilo do discurso empresarial. Não compreende que a análise de conjuntura, a revisão de estratégias, o auto-exame e a busca constante das chaves da unidade do movimento têm de ser atividades diuturnas, incansáveis, obstinadas. Essa é a função por excelência dos “intelectuais orgânicos”. Sem isso não há militância, e sem militância não adianta nem mesmo vencer eleições. Perguntem ao Fernando Collor.


Felipe Moura Brasil
edita o Blog do Pim e é o organizador e autor do prefácio do livro de Olavo de Carvalho, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota
, que será lançado no fim de julho pela Editora Record.

Nota de rodapé: A partir de agora, quando alguém perguntar quais são, ou exigir, as soluções para o país, em vez de você sair copiando e colando tudo que Felipe Moura Brasil transcreveu e organizou aqui, compartilhe com muito amor o link desta página e dê o crédito ao autor, ok? Obrigado!

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14298-o-problema-do-brasil-e-a-confusao-mental.html

A direita permitida

 A direita permitida
Olavo de Carvalho



Artigos - Cultura

O controle sobre o uso do vocabulário público é um dos instrumentos mais eficientes e mais perversos do arsenal criado pela estratégia de Antonio Gramsci para o estabelecimento da hegemonia – o domínio hipnótico das consciências – e a subseqüente tomada do poder pela esquerda revolucionária.


Quando você ouvir dizer que "Direita e esquerda são noções ultrapassadas", repare bem e notará que em geral a frase vem da boca de algum senhor satisfeito e de unhas polidas, que corresponde esquematicamente àquilo que no imaginário comunista constitui um "burguês". Ela é, com efeito, um lugar-comum da "direita". Pelo menos um esquerdista contumaz diria que o é -- e eu não hesitaria em lhe dar razão, com a ressalva de que aí não se trata da direita em geral, da direita essencial que se encarnou historicamente em Edmund Burke, em Disraeli, em Aléxis de Tocqueville, em T. S. Eliot ou em João Camilo de Oliveira Torres, mas de uma direita muito específica, localizada e até peculiar: a direita brasileira de hoje, constituída inteiramente de senhores satisfeitos e de unhas polidas, cuja única preocupação na vida, além de absorver rios de dinheiro para engordar e dispender rios de dinheiro para emagrecer, é precisamente não se preocupar com nada.

Além de poder ser facilmente identificado pela mencionada palavra-de-passe, o membro dessa facção ideológica assinala-se também por autodenominar-se "centro", um termo cuja exatidão se pode aferir matematicamente pela equidistância do seu umbigo a qualquer ponto da majestosa circunferência abdominal que delimita, por assim dizer, a sua substância espiritual.

Se, munido desses dois indícios, o leitor ainda tiver alguma dificuldade para distinguir o tipo, há um terceiro critério, que não falha: o componente desse partido notabiliza-se pela absoluta inexistência, no seu ser consciente, de qualquer conflito entre a tranquilidade soberana com que ele nos assegura que o comunismo morreu e a solicitude temerosa com que busca aplacar as exigências do falecido mediante polpudos cheques para projetos educacionais de doutrinação esquerdista, para a campanha do PT, para prêmios culturais dados aos ídolos da esquerda.

Visto da esquerda, esse é o direitista ideal, o direitista que os comunistas pediram – ou pediriam, se fossem crentes -- a Deus. Além de alimentar com sua conta bancária os empreendimentos da revolução em marcha e protegê-los sob o manto de invisibilidade das almas do outro mundo, ele ainda consente em oferecer sua própria pessoa como máximo exemplo comprobatório do argumento comunista, desempenhando de bom grado o papel do gorducho fominha, a imagem didática do burguês enfatuado, egoísta e interesseiro, que o doutrinador marxista pode, com a certeza do fácil sucesso oratório, exibir a boquiabertos militantes como protótipo do inimigo odioso e desprezível a ser varrido da face da terra pela revolução salvadora.

Outra vantagem indiscutível que a rotunda presença desse personagem na ala direita do palco oferece aos ocupantes da ala contrária é que, uma vez identificado o seu perfil com o da direita enquanto tal, qualquer direitista um pouco diferente dele que se apresente, por exemplo, um direitista honrado, cheio de idéias, que prefira antes defender valores morais do que representar alegremente o papel do palhaço da história, acabará parecendo um tipo estranho, não terá como ser catalogado e facilmente será expelido para o domínio do anormal, do inaceitável, do absurdo. Não havendo nome específico para isso no vocabulário corrente, o jeito será apelar à ampliação quantitativa e carimbá-lo: "Extrema-direita". Hoje em dia, com efeito, basta você dizer qualquer coisa que saia dos lugares-comuns da direita gorda sonsa, basta você fazer qualquer crítica mais séria ao discurso dominante – basta você dizer, por exemplo, que ser "gay" não é tão valioso quanto ser santo --, e pronto: todos respondem que você é o Le Pen em pessoa, se não Benito Mussolini ou Adolf Hitler. Não estou caricaturando: estou descrevendo coisas que se passam todos os dias nos jornais e nas universidades.

Eis então a direita reduzida à opção entre fazer o papel de bode expiatório ou ser chamada de fascista, de nazista, de virtual assassina de negros, índios e judeus (embora ela esteja repleta de judeus, negros e descendentes de índios). Como ninguém quer fazer esse papel vexaminoso, todos se apressam em vestir seu uniforme de gorduchos fominhas e a sair repetindo pelas ruas: "Sou de centro! Sou de centro!"

Aí a esquerda deixa você existir: o gorducho, afinal, está aí apenas para ser roubado, cuspido e ainda acusado de corrupção. Qualquer direita que não caiba nesse modelo é nazismo.

O próprio termo "direita" foi tão criminalizado, que hoje um brasileiro, viajando pela Europa, se surpreende ante a tranqüilidade com que um Paul Johnson, um Roger Scruton se apresentam como direitistas e na platéia ninguém tem chilique, nem os confunde com Le Pen. Sim, na Europa a direita se mostra e não é considerada pornográfica. No Brasil, quando ela aparece, as mães cobrem os olhos de seus filhos.

O controle sobre o uso do vocabulário público é um dos instrumentos mais eficientes e mais perversos do arsenal criado pela estratégia de Antonio Gramsci para o estabelecimento da hegemonia – o domínio hipnótico das consciências – e a subseqüente tomada do poder pela esquerda revolucionária.

Uma direita inerme e caricatural que não ousa dizer seu nome, uma direita incapaz de escolher seu próprio destino, uma direita condenada a desempenhar os papéis ora ridículos ora odiosos que seus inimigos lhe designaram, é o produto mais típico da hegemonia esquerdista triunfante.



Publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, em 1º de julho de 2000.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Destaque:
Manifestação Contra o Foro de São Paulo

No dia 31 de Julho em São Paulo será realizado o "XIX 

Encontro do Foro de São Paulo" Vamos nos manifestar 

contra o evento e sua realização.


PARTICIPE: AJUDE A DIVULGAR E A ORGANIZAR O EVENTO EM SUA CIDADE

TODOS OS BLOGS, POR FAVOR, PUBLIQUEM ESTA NOTICIA


Publicações

sábado, 22 de junho de 2013

Philip Zimbardo - Como pessoas comuns se tornam monstros.... ou heróis

Educação e senso crítico


Escrito por Rafael Falcón | 18 Junho 2013
Artigos - Educação

Não há garantias quanto ao que eles "considerarão" justo ou injusto, mas assegura-se a disposição de "lutar". Aliás, dou-lhe um bom conselho: se encontrar alguém com "senso crítico", o melhor é sair correndo.


Dia 17 de maio, sexta-feira, um professor de História foi demitido pelo colégio lassalista Pão dos Pobres, aparentemente sem esclarecimentos. Na segunda-feira, dia 20,
um grupo de alunos protestou contra a demissão, repercutindo na mídia local. A situação divide-nos imediatamente em dois grupos: conservadores católicos versus todo o resto.

Pessoalmente, eu fico no segundo grupo (esse mesmo: o resto). O diretor não ofereceu nenhuma explicação, nem aos jornais nem aos pais de alunos (a essa altura congregados), alegando "motivos pessoais". Os professores é que especularam em torno de uma razão "religiosa", sem obter porém qualquer confirmação oficial. Está bem, está bem; enquanto o colégio Pão dos Pobres resolve seus problemas administrativos, eu gostaria de falar de outra coisa.

Na notícia que indiquei acima, há fotos do "protesto" estudantil. Vemos acusações de fascismo e narizes de palhaço - perdoem-me os que tiverem vista melhor, pois não consegui ler os outros cartazes. Nas falas dos professores demitidos (houve uma "professora de filosofia", se é que isso existe, que se demitiu em protesto), ficamos sabendo que na sala de aula eles "trabalhavam (sic) alienação e ideologia", e que os alunos lhes dariam orgulho por terem aprendido a "lutar pelo que consideram justo". Um aluno manifestou-se em consonância, afirmando que estava "lutando pelos seus direitos".

O mais curioso são os comentários à notícia, muitos feitos por pais de alunos, em que os meninos são elogiados por seu "pensamento crítico". O protesto na escola seria um testemunho inquestionável da qualidade pedagógica dos referidos professores. Alguns chegam ao ponto de afirmar, baseados na notícia, que esses jovens certamente serão cidadãos exemplares, modelos de educação para as escolas de todo o país. O professor demitido ensinou-lhes bem a História, tanto que agora fazem protestos. O próprio, aliás, concorda inteiramente, e diz que se orgulha; a outra, auto-demitida, atribui os feitos heroicos dos estudantes a suas aulas de alienação e ideologia. Isso mostra duas coisas: 1) que o juízo pedagógico de pais e professores coincide, nos critérios como na prática; e 2) o significado concreto do termo "senso crítico", que parece ser, na opinião de todos, o objetivo máximo da educação.

Na notícia não há palavra que indique alguma instrução escolar especial nos meninos. Eles falam, escrevem, usam nariz de palhaço e gritam palavras de ordem; até aqui, mostraram competências dignas da primeira série do ensino primário. No mais, chamaram o diretor de "fascista", prova clara de que não sabem o que é fascismo, e declararam que estão lutando por seus direitos - mostra inequívoca de que não sabem quais são. Se alunos têm direito a forçar a recontratação de um funcionário,
empresários têm o dever de obedecer ao clamor estudantil. Não é justo, portanto, que os empresários sejam donos de suas empresas. Isto é, para que as coisas estejam corretas, é necessário acabar com a propriedade privada. A molecada não percebe nada disso, é claro; eles só fazem o que lhes ensinaram, e lhes ensinaram bem. São instrumentos de ideias que não compreendem, e das quais talvez até discordem. Monkey hear, monkey do.

Entende-se, assim, que o termo "senso crítico" (e aparentados) não significa uma faculdade intelectual; não diz respeito a pensar com correção, ter ideias criativas ou ser capaz de opor objeções racionais a uma tese dada. Não houve qualquer indício de que os estudantes em questão tenham feito algum esforço dessa natureza. O que houve foi que, diante de um ato indesejado do diretor, os alunos esboçaram uma reação política rápida, organizada e truculenta, carregada de slogans e insultos fáceis. Concluímos, portanto, que "senso crítico", se não quer dizer pensamento, quer dizer ação. Mas não se trata, como o bom-senso postularia, de enfocar a ação do ponto de vista de sua moralidade, racionalidade ou refinamento metodológico. Trata-se da ação enquanto ação, independente de qualquer critério na forma ou no conteúdo. O cidadão ideal deve simplesmente reagir, com o máximo vigor, ao que não lhe agrada. Não importa se está certo ou errado; ele deve, segundo o ex-professor, lutar pelo que considera justo. O foco é na "luta", não na veracidade do julgamento.

Na escala social, tais "cidadãos críticos", supondo que chegassem a compor maioria, gerariam uma curiosa situação. Tomados por um ressentimento causado por sabe-se lá o quê - afinal, sua educação não se ocupa de analisar causas - erguer-se-iam de suas poltronas furiosos, aglomerando-se nas ruas com cartazes improvisados, berrando insultos ao objeto - real ou irreal - de seu ódio, invadindo igrejas e sinagogas para dizer que "injustiça também é pecado". Não há garantias quanto ao que eles "considerarão" justo ou injusto, mas assegura-se a disposição de "lutar". Aliás, dou-lhe um bom conselho: se encontrar alguém com "senso crítico", o melhor é sair correndo. E não vá pensando, erroneamente, que esses cidadãos são marxistas. O marxismo é uma complicada tradição teórica que, para eles, é totalmente ininteligível; eles não sabem que há ideias verdadeiras e falsas, e não poderiam sequer compreender uma argumentação concreta em favor do marxismo. Sabem, sim, que há ideias certas e erradas, justas e injustas; o critério que usam para discerni-las, só Deus sabe. Nenhum lhes foi ensinado na escola.

Eu disse "só Deus sabe", mas fui impreciso. Eu mesmo sei alguma coisa a respeito. Há uma disciplina chamada Psicologia Social, cujas pesquisas já mostraram além de qualquer dúvida que é possível prever e até controlar a reação de um número de pessoas com critérios específicos e mensuráveis. A Psicologia Social já provou, por exemplo, que figuras investidas com autoridade científica podem ordenar a cidadãos pacatos que assassinem pessoas inocentes. Com sucesso na maioria dos casos. É duro de acreditar, mas foi provado experimentalmente. Há impulsos naturais cuja força supera a racionalidade média. E o que será que acontece quando a escola se transforma num instrumento de amplificação, não da racionalidade média, mas da intensidade desses impulsos naturais? Se a educação, numa dada sociedade, é o processo de justificação absoluta dos impulsos, especialmente dos ressentimentos e indignações, espera-se uma previsibilidade cada vez maior das reações psicológicas na sociedade em questão. A estatística de exceções vai-se reduzindo e dando lugar ao reino incontestado das leis da Psicologia Social. Quem tiver acesso a essas leis, e aos meios de comunicação de massa, tem poder quase total sobre uma massa irracional predisposta a levar quaisquer impulsos passionais às últimas consequências. E Platão achava ruim lá em Atenas.

Quem pensa, porém, que o quadro desenhado acima é mero produto de minha inteligência dedutiva, está redondamente enganado. Releia minhas deduções e compare com o cotidiano desta sociedade de "manifestações", "movimentos sociais", palavras de ordem, ONGs, slogans... já vivemos nesta sociedade distópica. De te fabula narratur. Eu e você fomos educados precisamente segundo esse método, e temos hoje - gostemos ou não - as exatas disposições projetadas por ele. Se nos deixarmos estar naturalmente, discutiremos assim, leremos assim, escreveremos assim; só nos é possível adotar algum critério racional mediante um esforço tremendo de auto-educação. Quanto a isso já dizia Quintiliano: onus dedocendi gravius et prius quam docendi, desensinar é mais custoso que ensinar - e é também mais urgente. Quando educação significa imbecilização, a prioridade deve ser tornarmo-nos péssimos alunos. É hora de lutar pelo direito de não ser educado.

Publicado no site
Ad Hominem.
http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/14237-educacao-e-senso-critico.html

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Fundações internacionais e as manifestações no Brasil

sexta-feira, 17 de maio de 2013



Devotos de um vigarista
Escrito por Olavo de Carvalho | 14 Maio 2013
Artigos - Cultura


Longe de ampliar o horizonte dos problemas filosóficos, o que Karl Marx fez foi restringi-lo com um dogmatismo acachapante, instituindo aquilo que Eric Voegelin caracterizou como “proibição de perguntar”.



A Folha de S. Paulo (v.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1234518-intelectuais-brasileiros-explicam-porque-ainda-e-importante-ler-marx.shtml) perguntou a quatro dos seus mais típicos mentores por que é ainda importante ler Karl Marx. Nenhum deles deu a resposta certa: porque ninguém pode ignorar, sem grave risco, as idéias que mataram mais seres humanos do que todos os terremotos, furacões, epidemias e desastres aéreos do último século, mais duas guerras mundiais. Infringindo a regra elementar do próprio Karl Marx, de que a verdadeira substância de uma idéia é a sua prática e não a sua mera formulação conceitual, três deles mostraram enxergar o marxismo como pura teoria, separada da ação que exerceu no mundo, e incorreram assim no delito de “formalismo burguês”, o mais abominável para um cérebro marxista. Eu não tomaria aulas de marxismo com esses sujeitos nem se eles me pagassem.
O quarto, prof. Delfim Neto, na ânsia de redimir-se ante a intelectualidade esquerdista do pecado de ter servido à ditadura militar, caprichou no hiperbolismo e atribuiu a Karl Marx o dom da eternidade, que numa perspectiva marxista não faz o menor sentido.

O prof. José Arthur Gianotti recomendou reler Karl Marx cuidadosamente, porque “sua concepção da história foi adulterada, por ter sido colada, sem os cuidados necessários, a um darwinismo respingado de religiosidade.” Adulterada? Colada? Nenhum dos continuadores de Karl Marx revelou tanta dívida intelectual para com Charles Darwin quanto o próprio Karl Marx, que declarou sua filosofia nada mais que a interpretação darwinista da História e só não dedicou O Capital ao autor de A Origem das Espécies porque este não permitiu. Quanto à tonalidade religiosa, ou pseudo-religiosa, ela é mais do que notável nos Manuscritos de 1944 e ressoa em cada linha das verberações proféticas anticapitalistas espalhadas ao longo de toda a obra de Marx. O prof. Gianotti é que quer separar artificialmente aquilo que nasceu junto. “Reler cuidadosamente”? Não é preciso. Bastaria ter lido.

Mas o mais cômico dos quatro foi o sr. Leandro Konder, que intelectualmente já saiu do mundo dos vivos há três décadas e não precisaria ter abandonado seu estado de animação suspensa para confirmar, na Folha, aquilo que ele já provou centenas de vezes: sua prodigiosa incultura, seu total desconhecimento dos assuntos em que opina.

Disse ele: “Os grandes pensadores são grandes porque abordam problemas vastíssimos e o fazem com muita originalidade. A perspectiva burguesa, conservadora, evita discuti-los. E é isso o que caracteriza seu conservadorismo.”

Os conhecimentos que não só ele pessoalmente, mas toda a corriola de mentecaptos marxistas deste país tem daquilo que ele chama “perspectiva burguesa” podem ser avaliados pelo Dicionário Crítico do Pensamento da Direita, em que 104 dessas criaturas ridículas se encheram de dinheiro público para dar um show de ignorância como nunca se viu no mundo. Leia em
http://www.olavodecarvalho.org/textos/naosabendo.htm e depois volte aqui.

Essa gente simplesmente não estuda os pensadores que parecem antipáticos ao seu partido. Adivinha ou cria suas idéias à distância, partindo de fofocas, piadas, fantasias preconcebidas e lendas urbanas que constituem, no seu ambiente mental sufocantemente provinciano, a única bibliografia requerida para quem deseje pontificar a respeito. Fazem isso até comigo, que tenho uma obra publicada relativamente escassa, por que não o fariam com os autores de muitas dezenas de volumes, como Leibniz, Husserl, Voegelin ou o nosso Mário Ferreira dos Santos?

A um boboca que desconhece tudo aquilo que despreza, é forçoso que o horizonte de problemas pensado por Karl Marx pareça, em comparação com o nada, “vastíssimo”. Mas Karl Marx, em verdade, pensou num único problema: a luta de classes. Todos os outros conceitos da sua filosofia foram recebidos prontos, como os de dialética, de alienação ou de comunismo, ou são apenas afirmados sem nenhuma discussão crítica, como o próprio “materialismo dialético”, ou derivam da luta de classes por mero automatismo, como os de ideologia, superestrutura etc. Longe de ampliar o horizonte dos problemas filosóficos, o que Karl Marx fez foi restringi-lo com um dogmatismo acachapante, instituindo aquilo que Eric Voegelin caracterizou como “proibição de perguntar”. Já nem falo dos grandes problemas clássicos como o fundamento do ser, o sentido da existência, o bem e o mal, etc. Nem o próprio conceito de “valor”, essencial na sua economia, ele discute. Postula-o no começo de O Capital e segue adiante, sem notar que disse uma tremenda asneira.

Comparado ao de Leibniz, de Aristóteles ou de Platão (ou mesmo ao de um Eric Voegelin, de um Max Weber, de um Christopher Dawson ou de um Pitirim Sorokin), o horizonte de problemas de Karl Marx é deploravelmente pobre. Sua cultura literária é a de um professor de ginásio, seus conhecimentos de história da pintura, da arquitetura e da música praticamente nulos, suas noções de
teologia não fazem inveja a nenhum seminarista. Pergunto-me, por exemplo, qual a relevância do pensamento de Karl Marx para as ciências biológicas, para a física, para as matemáticas. Zero. A breve incursão do seu amigo Engels nesses domínios foi um vexame espetacular.

Em matéria de ética, então, o tratamento que Marx dá ao problema da felicidade humana é decerto o mais besta, o mais grosseiro de todos os tempos: tomemos o dinheiro da burguesia e todos serão felizes. Enfeitado o quanto seja, o argumento é esse. Só por esse detalhe o homem já mereceria o adjetivo com que o resumiu Eric Voegelin: “Vigarista”.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14125-devotos-de-um-vigarista.html

segunda-feira, 13 de maio de 2013



13/05/2013-03h30
O bandido e o frentista


A população está entregue às traças, enquanto nos palácios, gente inteligentinha de todo tipo (com o mesmo caráter da aristocracia pré-revolucionária de Versailles) discursa sobre "direitos humanos dos bandidos", toma vinho chileno, paga escola de esquerda da zona oeste de São Paulo que custa 3 mil reais mensais e vai para Nova York brincar de culta.

A inteligência ocidental está podre, mergulhada em seus delírios de reconstrução do mundo a partir de seus três gnomos Marx, Foucault e Bourdieu.

Nós, desta casta de ungidos, desprezamos o povo comum porque pensamos que o que eles pensam é coisa de gente ignorante.

Outro dia fui abordado por um frentista num posto perto da minha casa na zona oeste (perto daquela praça destruída aos domingos pelas bikes -"bicicletas" na língua de pobre). Ele disse: "O senhor não é aquele filósofo da televisão?". E continuou: "Não pense que porque somos proletários, não entendemos o que o senhor fala na televisão".

Quem adivinha do que ele queria falar? Este posto sempre foi 24 horas e agora não é mais. Por quê? Disse ele que estavam todos, do dono aos funcionários, cansados de serem assaltados toda noite. Disse ele: "O ladrão vem na sua moto, para, põe a arma na nossa cara, rouba tudo, ameaça nos matar e vai embora. Nada acontece".

E mais: "E fica todo mundo preocupado com o direito dos bandidos. Onde ficam os direitos de quem trabalha todo dia?".

Vou dizer uma blasfêmia, dirão alguns dos meus amigos da casta inteligentinha: se preocupar com direitos dos bandidos é apenas um modo chique de continuar se lixando para o "povo", assim como os coronéis nordestinos sempre se lixaram, a diferença agora é que a indiferença para com o destino das pessoas comuns vem regada a vinho chileno e leituras de Foucault.

A "elite branca letrada" é completamente indiferente para com o destino desse frentista.

Ele pede para que a polícia "acabe com os bandidos para ele poder trabalhar e a mulher e filhos dele não serem mortos". Ingênuo? Simplista? Talvez, mas nem por isso menos verdadeiro na sua demanda "por direitos".

A verdade é que estamos mergulhados num blá-blá-blá pseudocientífico das razões que levam alguém a ser bandido, seja qual for a idade, e enquanto isso esse frentista se ferra.

O que terá acontecido, que de repente a elite letrada e pública ficou tão "sensível ao sofrimento social" e tão indiferente ao sofrimento desta "pequena gente honesta"? Até escuto alguns de nós dizer: "São uns mesquinhos que só pensam nas suas vidinhas". Quem sabe alguns mais anacrônicos arriscariam: "Isso é resquício do pensamento pequeno burguês".

A verdade é que nós estamos pouco nos lixando para o que essa gente que anda de metrô, trem e quatro ônibus sofre. Todo mundo muito "alegrinho" com a PEC das empregadas domésticas, mas entre elas e os bandidos a vítima social são os bandidos.

A pergunta que não quer calar é: por que em países islâmicos, por exemplo, com alto índice de pobreza, não existe criminalidade endêmica? Será que tem a ver com medo da terrível punição corânica?

Dirão os inteligentinhos que a causa da criminalidade é social. Hoje em dia, "causa social" serve para tudo, como um dia foram os astros e noutro a vontade dos deuses.

Não nego que existam componentes sociais de fome e sofrimento na causa do comportamento criminoso, mas ninguém mais leva em conta que a maioria que vira bandido porque não quer trabalhar todo dia como esse frentista.

Ser bandido é, antes de tudo, um problema de caráter. E esse frentista, pobre também, sabe disso muito bem, só quem não sabe é minha casta de inteligentinhos.

O que dirão os inteligentinhos quando esse contingente de verdadeiras vítimas sociais do crime começarem a se organizar e matar os bandidos a sua volta? Pedirão a alguma ONG europeia para proteger os bandidos dessa gente "mesquinha" que só pensa em sua casinha, seus filhinhos e seu dinheirinho?

Acusarão essa gente humilhada e assaltada de não ter "sensibilidade social"? Dirão que soltar bandidos na rua é "justa violência
revolucionária"?


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2013/05/1277563-o-bandido-e-o-frentista.shtml

terça-feira, 7 de maio de 2013



A animalização da linguagem

Escrito por Olavo de Carvalho | 07 Maio 2013
Artigos - Cultura

Ninguém debate para mostrar que tem razão, mas apenas para separar quem está do “seu” lado de quem está “do lado dos outros”. As discussões não têm mais objetos: só sujeitos.


No penúltimo estágio da degradação cultural, a linguagem perde toda referência aos objetos de experiência e se reduz a um conjunto de sinais de reconhecimento grupal. O que as pessoas dizem já não tem nada a ver com fatos e coisas de um “mundo” objetivo, mas expressa apenas o reflexo de simpatia ou antipatia com que os membros de um grupo distinguem os “de dentro” e os “de fora”. Quando o ouvinte de um discurso diz que “concorda” ou “discorda”, isso não significa que o conteúdo ouvido reflete ou nega os dados acessíveis da sua experiência real, mas apenas que o falante usou dos cacoetes de linguagem que parecem identificá-lo como um membro do grupo ou como um estranho, como um “amigo” ou “inimigo”. Desaparecido do horizonte o quadro externo que deve servir de mediador entre falante e ouvinte, o acordo ou desacordo entre estes baseia-se agora nos puros sinais de uma identidade coletiva automaticamente reconhecível, como, entre os cães e lobos, o cheiro dos seus genitais ou os resíduos da sua urina no chão. Os sinais sonoros ainda são os mesmos da linguagem humana, mas a regra semântica imanente é a da comunicação animal.

Mas também é claro que esse tipo de reconhecimento não pode expressar uma concordância no sentido profundo e etimológico dos corações que se encontram. Sentimentos pessoais não são signos lingüísticos, são dados de realidade, que, por isso mesmo, permanecem inacessíveis ao uniformismo dos códigos de reconhecimento. Seria mesmo inconcebível que uma modalidade de comunicação incapaz de apreender até os dados da experiência exterior e pública pudesse lidar com a matéria mais fina dos sentimentos individuais. Estes recuam para o subsolo do inconsciente e do inexpressável, o que torna ainda mais enfáticas e vigorosas, como compensação, as ostentações de afinidade grupal. O reflexo de aprovação ou repulsa é expresso com tanto mais feroz intensidade quanto menos corresponde à individualidade da experiência interior e quanto mais reflete apenas a ânsia de identificação com um grupo mediante a hostilidade ao grupo contrário.

Não é de espantar que, suprimida a possibilidade de expressar sentimentos pessoais autênticos, o código uniforme que os substitui e encobre apele, com freqüência crescente, à expressão direta e ostensiva dos impulsos sexuais, que nem por serem de uma repetitividade desesperadoramente mecânica deixam de simular, nesse novo panorama das relações humanas, a função outrora desempenhada pelas confissões íntimas. “Sair do armário”, “assumir-se”, exibir-se despudoradamente em palavras ou gestos, já nada tem de uma confissão: é a inscrição pública num grupo de pressão, premiada imediatamente por manifestações gerais de solidariedade.

O último estágio atinge-se quando esse tipo de comunicação se alastra para fora das conversações banais e debates de botequim e invade a esfera da linguagem “culta” dos jornais, dos debates parlamentares e das teses acadêmicas.

Quase que obrigatoriamente, o que hoje em dia passa por “argumento”, nesses meios, é o chavão identificador que não procura impugnar as provas do adversário, nem mesmo seduzi-lo, mas apenas reiterar o apoio dos concordantes, fazer número, aumentar o poder de pressão mediante a ostentação de uma força coletiva unida, coesa, cada vez mais impaciente, cada vez mais intolerante. Ninguém debate para mostrar que tem razão, mas apenas para separar quem está do “seu” lado de quem está “do lado dos outros”. As discussões não têm mais objetos: só sujeitos.

Quando, trinta anos atrás, o comunista chamava o inimigo de “reacionário”, isso correspondia a uma catalogação ideológica precisa, com traços discerníveis na realidade. Quando hoje a feminista enragée ou o gayzista histérico clamam contra a “elite patriarcal conservadora e machista”, estão aludindo a uma entidade perfeitamente inexistente. A elite neste país, como aliás na Europa e nos EUA, é acentuadamente feminista e gayzista. Resíduos de machismo só subsistem nas classes mais baixas, e um autêntico conservadorismo moral só permanece vivo entre religiosos banidos dos ambientes chiques. Por que, então, atacar um dragão de papel? Precisamente porque é de papel. Nada reforça mais a unidade e a agressividade de um grupo odiento do que a investida fácil, barata e sem riscos contra um inimigo imaginário. De passagem, o inimigo real, o povo cristão, é pintado com as cores repulsivas da classe capitalista que o despreza e marginaliza. Se usassem de categorias sociológicas objetivas para descrever a situação, os inflamados próceres desses movimentos teriam de reconhecer que não lutam contra um poder discriminador, mas contra discriminados e perseguidos, gente sem chance na grande mídia, na carreira universitária e nas festas do beautiful people. Seria terrivelmente desmoralizante. A linguagem dos sinais animais contorna esse perigo, sufocando a realidade sob o apelo histérico da identidade grupal.


* * *

Se querem um exemplo de como ainda é possível, mesmo nesse estado de coisas animalizante, usar a linguagem no pleno sentido humano, tornando a realidade presente e fazendo-a falar por si mesma com eloqüência quase angélica, ouçam a pregação da advogada e pastora Damares Alves, da Igreja Batista, em
http://www.youtube.com/watch?v=BKWc0sUOvVM, sobre a guerra de extermínio moral empreendida pelo governo petista, com a ajuda de grupos bilionários nacionais e estrangeiros, contra as crianças deste país. Mesmo feministas e gayzistas não podem ouvi-lo com indiferença. É, sem favor nenhum, o discurso mais importante e mais valioso proferido em português do Brasil no último meio século. 

Publicado no Diário do Comércio.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14107-a-animalizacao-da-linguagem.html
Pregação com Dra. Damares Alves

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Odioso preconceito

À margem dos grandes jornais, uma operação gigantesca de desinformação a respeito se desenvolve em livros escolares, programas de TV e sites da internet, a começar pela maldita Wikipedia, concebida precisamente para ser levada a sério só por meninos de ginásio.

O célebre historiador britânico George Macaulay Trevelyan, que ninguém dirá ter sido um conservador, escreveu em 1947: “A mais odiosa forma de preconceito moral está na historiografia que condena em voz alta os crimes e perseguições de um lado, e esconde ou defende os do outro.” Ele não imaginava que um dia, num país do Terceiro Mundo, haveria de aparecer uma comissão subsidiada com dinheiro público para dar cunho oficial precisamente a esse tipo de historiografia. Talvez ele imaginasse que semelhante aberração só poderia existir nas ditaduras comunistas, onde a mentira histórica, imposta à população interna para fins de controle social e distribuída no restante do mundo como arma de guerra psicológica, era a norma em vez da exceção.

Como membros do esquema revolucionário tricontinental montado por Fidel Castro, que os recrutou, treinou, equipou, comandou e protegeu, nossos guerrilheiros e terroristas dos anos 60-70 foram cúmplices do morticínio espalhado pela ditadura cubana na América Central, na América do Sul e na África, o qual não fez menos de cem mil vítimas (v. http://cubaarchive.org/home/).
Pelos critérios do Julgamento de Nuremberg, José Dirceu, Dilma Rousseff, José Genoíno e tutti quanti têm muito mais crimes pelos quais responder do que cento e poucos assassinatos praticados no Brasil, que são o máximo que a mídia paternal lhes atribui, desculpando-os aliás, implícita ou explicitamente, como reação ao golpe de 1964, embora as guerrilhas começassem em 1962.
O que torna essa obviedade invisível não é só a deformação do julgamento histórico, mas a completa falsificação geográfica do cenário onde os fatos se desenrolaram. Quando falam da violência militar, jornalistas e historiadores universitários jamais se esquecem de inseri-la no quadro internacional, descrevendo-a como manifestação local da articulação anticomunista montada entre vários governos do continente, com o apoio dos EUA. Nessa perspectiva, nossos militares aparecem como cúmplices de todos os crimes praticados contra os comunistas em escala continental. Já as guerrilhas são invariavelmente mostradas como fenômeno apenas local, sem conexão internacional significativa nem portanto culpa nenhuma pelas misérias que o governo cubano andava aprontando em três continentes.
Essa dupla geografia baseia-se, por sua vez, numa falsificação radical da escala cronológica, pois os governos militares só se articularam para um combate conjunto às guerrilhas em 1975 – a chamada “Operação Condor” --, ao passo que o comando unificado das guerrilhas no continente já existia desde 1962, quando Fidel Castro fundou a OLAS, Organização de Solidariedade Latino-Americana, reforçada pela Conferência Tricontinental de Havana em 1966.
Ou seja: a reação militar ao avanço comunista ocorreu de início sob a forma de iniciativas nacionais independentes, só tardiamente se articulando em escala maior, ao passo que as guerrilhas surgiram desde o início como um empreendimento transnacional organizado. Na nossa mídia, tanto a escala geográfica quanto a cronologia dos fatos são sistematicamente invertidas há pelo menos duas décadas.
Acrescente-se a isso que, à margem dos grandes jornais, uma operação gigantesca de desinformação a respeito se desenvolve em livros escolares, programas de TV e sites da internet, a começar pela maldita Wikipedia, concebida precisamente para ser levada a sério só por meninos de ginásio, onde o início da Operação Condor aparece removido para datas muito anteriores, às vezes até para os tempos de João Goulart na presidência, levando a falsificação ao extremo da mitologia propagandística mais torpe e descarada. Produzido com entusiasmo feroz e renitente por uma militância multitudinária, o volume desse material já ultrapassou de há muito, pela quantidade inabarcável, qualquer possibilidade de contestação racional.
O advento da “Comissão da Verdade” foi preparado com bastante antecedência pela intoxicação goebbelsiana da opinião pública.

***

Se você estranha o descaramento com que os apóstolos do “mundo melhor” mentem, trapaceiam, metem a mão no bolso dos outros e ainda se acham as encarnações supremas da virtude, fique sabendo que isso não é nenhum desvio, nenhuma perversão do espírito revolucionário: é o próprio espírito revolucionário. Eis como Hippolyte Taine, o grande historiador da Revolução Francesa, descrevia em 1875 a mente dos jacobinos:

“Segundo o jacobino, a coisa pública é dele, e, a seus olhos, a coisa pública abrange todas as coisas privadas, corpos e bens, almas e consciências. Assim, tudo lhe pertence. Pelo simples fato de ser jacobino, ele se acha legitimamente tzar e papa... Sendo o único esclarecido, o único patriota, ele é o único digno de comandar, e seu orgulho imperioso julga que toda resistência é um crime... No entanto, resta-lhe pôr em acordo seus próximos atos com suas palavras recentes. A operação parece difícil, pois as palavras que ele pronunciou condenam de antemão os atos que ele planeja. Ontem, ele exagerava os direitos dos governados, ao ponto de suprimir os dos governantes; amanhã ele vai exagerar os dos governantes até suprimir os dos governados. A dar-lhe ouvidos, o povo é o único soberano, e ele vai tratar o povo como escravo. A dar-lhe ouvidos, o governo não é mais que um criado de quarto, e ele vai dar ao governo as prerrogativas de um sultão. Ontem mesmo ele denunciava o menor exercício da autoridade pública como um crime, agora ele vai punir como um crime a menor resistência à autoridade pública.”

Publicado no Diário do Comércio.


http://www.midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/14086-odioso-preconceito.html

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Aula do Curso Online de Filosofia - Olavo de Carvalho - 06 de abril de 2013. 

terça-feira, 16 de abril de 2013


A História invertida

Escrito por Olavo de Carvalho | 15 Abril 2013
Artigos - Cultura

Os soviéticos foram sempre os campeões absolutos no recrutamento de jornalistas. Nos EUA, hoje conhecem-se um por um os nomes daqueles que, na mídia americana, serviram à KGB e ao GRU (serviço secreto militar).

No Brasil, esse capítulo da história do nosso jornalismo é ainda um tabu.


O confronto entre militares e terroristas na América Latina dos anos 60-70 foi um episódio da Guerra Fria, onde os atores locais, sem prejuízo de suas convicções e decisões próprias, ecoavam, em última instância, as estratégias respectivas das duas grandes potências em disputa: os EUA e a URSS.

Nada do que então se passou no continente pode ser compreendido sem ter isso em conta.

Se perguntarmos qual dos dois protagonistas estrangeiros interferiu mais profundamente no cenário latino-americano, a única resposta honesta é: a URSS.

Do ponto de vista militar, isso é de uma obviedade gritante. Os EUA jamais chegaram a ter, na época, quarenta mil soldados, quinze mil técnicos em armamentos, setecentas baterias anti-aéreas, 350 tanques e cento e tantos mísseis balísticos intercontinentais instalados em nenhum dos seus países aliados na América Latina, como a URSS teve em Cuba já a partir de 1962 na chamada “Operação Anadyr”. (v. Gus Russo and Stephen Molton, Brothers in Arms. The Kennedys, the Castros and the Politics of Murder, New York, Bloomsbury, 2008, p. 158, e
http://www.russianspaceweb.com/cuban_missile_crisis.html).

No que diz respeito à espionagem propriamente dita, a superioridade soviética surge ainda mais nítida no caso do Brasil em especial. Nada do que a CIA ou qualquer outro serviço secreto norte-americano possa ter feito aqui se compara às proezas da KGB, que chegou a instalar um grampo no gabinete do presidente João Figueiredo (v. George Schpatoff, KGB. História Secreta, Curitiba, Juruá, 2000, pp. 381 ss.), interceptar 21 mil mensagens sigilosas do nosso Ministério das Relações Exteriores e ter a seu serviço, como agente pago, nada menos que um embaixador brasileiro em Moscou (v. Christopher Andrew and Vasili Mitrokhin, The World Was Going Our Way. The KGB and the Battle for the Third World, New York, Basic Books, 2005, p. 105).

Se daí passamos ao campo das chamadas “medidas ativas” (desinformação, infiltração, guerra psicológica, agentes de influência etc.), a supremacia soviética no Brasil daqueles anos assume as proporções de um poder absoluto e incontrastável. Em 1964, a KGB tinha várias dezenas de jornalistas brasileiros na sua folha de pagamentos (confissão do próprio chefe da agência soviética no Brasil, Stanislav Bittman, em The KGB and Soviet Disinformation: An Insider’s View). Que o número deles se multiplicou nos anos seguintes não é algo de que se possa duvidar. Muitos jornalistas brasileiros, naquele período, fizeram estágios na URSS, na China, na Tchecoslováquia, na Alemanha Oriental, na Polônia e em Cuba. Uns poucos gabam-se disso até hoje, seguros de que o público amestrado já não verá aí o menor motivo de suspeita. Mas naqueles países, onde todos os órgãos de mídia nada mais eram do que extensões da polícia secreta, é quase impensável que algum jornalista estrangeiro fosse admitido sem ser em seguida recrutado como agente de influência. Como assinalam John Earl Haynes, Harvey Klehr e Alexander Vasiliev em Spies: The Rise and Fall of the KGB in America (Yale University Press, 2009), os soviéticos foram sempre os campeões absolutos no recrutamento de jornalistas. Nos EUA, hoje conhecem-se um por um os nomes daqueles que, na mídia americana, serviram à KGB e ao GRU (serviço secreto militar). No Brasil, esse capítulo da história do nosso jornalismo é ainda um tabu, mas é evidente que sem ele nada se compreende do período, principalmente porque em plena ditadura militar os comunistas chegaram a controlar praticamente toda a grande mídia no país (v.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/111124dc.html, http://www.olavodecarvalho.org/semana/111125dc.html e http://www.olavodecarvalho.org/semana/111130dc.html) e a dominar também o mercado livreiro através das suas grandes casas editoras (Civilização Brasileira, Brasiliense, Vitória etc.). Nem falo, é claro, dos agentes de influência que vindo do bloco soviético se espalharam pelos EUA e pelas democracias européias, forjando aí a imagem demoníaca do governo brasileiro que acabou por se consagrar como dogma internacional inabalável.

O conjunto forma uma orquestra formidável, ao lado da qual a voz do imperialismo ianque mal soava como o miado de um gatinho doente. Ao longo de toda aquela época, e depois mais ainda, tanto os EUA quanto o governo brasileiro se abstiveram de fazer qualquer esforço sério para ganhar os “corações e mentes” dos formadores de opinião neste país. Em plena ditadura, os jornalistas “de direita” nas redações contavam-se nos dedos das mãos e eram abertamente hostilizados por seus colegas.

Por fim, até hoje não se fez uma avaliação razoável da quantidade de recursos mobilizados pelas ditaduras de Cuba, da China, da URSS e seus países satélites para treinar, equipar e financiar não só os terroristas brasileiros mas os militantes encarregados de lhes dar apoio político sem participar dos combates. Foi uma operação de proporções gigantescas, que na imagem pública hoje em dia só aparece sob a forma de menções esporádicas a “exilados”, como se os comunistas só fossem para aqueles países quando obrigados a isso pelo governo militar.

Em comparação com a profundidade e amplitude da intervenção cubano-soviética no continente, e especialmente no Brasil, a ação dos EUA naqueles anos caracterizou-se pela raridade, timidez e omissão, limitando-se no mais das vezes a acordos entre governos. Se a imagem que se consagrou na mídia e no ensino foi exatamente a inversa, isso é mais uma prova do sucesso de uma operação que prossegue ainda hoje, tendo a seu serviço tanto os megafones quanto as mordaças.

Publicado no Diário do Comércio.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14042-a-historia-invertida.html

domingo, 7 de abril de 2013

http://www.youtube.com/watch?v=aD40lI47-jw&feature=youtu.be

Pais serão obrigados por lei a matricular filhos de 4 anos na pré-escola


Escrito por Julio Severo | 05 Abril 2013
Artigos - Governo do PT

A preocupação do governo do PT não é a qualidade nem a liberdade, mas exclusivamente o controle estatal sobre as crianças.


Pais de crianças de 4 anos serão agora obrigados a matricular seus filhos na pré-escola. A presidente Dilma Rousseff sancionou hoje (5 de abril) lei, aprovada por seu antecessor Lula, que efetua mudanças radicais nas diretrizes e bases do ensino (LDB), ao determinar que a educação básica agora é obrigatória dos 4 aos 17 anos. Com isso, todos os pais deverão matricular mais cedo seus filhos na escola.

Em 2009, uma emenda constitucional defendida pelo PT deu ao governo poderes para obrigar os pais a colocar os filhos em instituição escolar a partir dos 4 anos de idade, garantindo que as crianças sejam doutrinadas o mais cedo possível.

Pela lei, os pais que não matricularem os filhos de 4 anos estarão sujeitos às ações e intrusões dos agentes do Conselho Tutelar.

Em 2009,
denunciei para o Brasil a lei ditatorial de Lula obrigando, por meio de perversões constitucionais motivadas por conspiração socialista, os pais a entregarem filhos pequenos em instituições escolares que essencialmente mantêm a mente das crianças acorrentada ao socialismo.



O controle sobre indivíduos requer que a qualidade e a liberdade sejam descartadas e sacrificadas em troca da doutrinação compulsória. Para um Estado sob possessão socialista, não importa que os alunos de escolas não estejam aprendendo a ler e escrever satisfatoriamente. O que importa é distanciar as crianças da esfera dos pais, sua autoridade e seus valores a fim de doutriná-las diretamente nos interesses estatais.

Essa doutrinação é realidade comprovada em todo o Brasil. Em matéria longa sobre as escolas brasileiras, a revista Veja de 20/08/2008 fez as seguintes constatações:

* Uma tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças.

* A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA.

* É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva apenas em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras.

* A pesquisa CNT/Sensus ouviu 3 000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Sua conclusão nesse particular é espantosa. Os pais (61%) sabem que os professores fazem discursos politicamente engajados em sala de aula e acham isso normal. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças e acham que isso é sua missão principal — algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática. Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" — à frente de "ensinar a matéria".

* Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo.

Essa realidade das escolas do Brasil está em perfeita sintonia com as políticas do governo, cuja preocupação não é a qualidade nem a liberdade, mas exclusivamente o controle estatal sobre as crianças. Essa realidade faz com que o Brasil se pareça mais com a China comunista, onde crianças de 4 anos são obrigadas a ir para a escola apenas para receber doutrinação estatal. Aliás, de acordo com a Folha de S. Paulo, na época em que o governo Lula aprovou sua lei de escravidão educacional para crianças de 4 anos (sancionada hoje pela dama vermelha Dilma), o governo e a China haviam anunciado a “criação de um plano quinquenal de metas, aos moldes dos adotados pelo regime comunista chinês, para criar uma pauta comum na área da educação”.

O que fazer agora? Os cristãos da antiga Roma assassina se protegiam nas catacumbas para ensinar de Cristo e a Bíblia. Hoje o governo socialista do Brasil obriga os pais cristãos a voltar às catacumbas.

O único modo de proteger nossos filhos de 4 anos da voracidade do monstro estatal é confiando em Cristo e recorrendo à educação escolar em casa. Para mais informações, visite o Blog Escola Em Casa:
http://escolaemcasa.blogspot.com/

Com informações do G1 da Globo e outras agências de notícias.

www.juliosevero.com

http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/14011-pais-serao-obrigados-por-lei-a-matricular-filhos-de-4-anos-na-pre-escola.html