segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013



Uma nova ciência moral

DE SÃO PAULO



Ouvi uma dessas mulheres livres, dona de seu nariz e de seu corpo, dizer: "Que falta que faz um canalha!".

Recentemente, um grande especialista e prático da alma humana, um terapeuta, me dizia se escandalizar com o fato de que mulheres inteligentes e emancipadas falam em consultórios de psicanalistas que querem que os homens as chamem de cachorras e as tratem como vagabundas na cama.

Como se escandalizar com o óbvio? Quem foi que disse que as mulheres não gostam de se sentirem vagabundas no sexo? Só quem, mui catolicamente, imaginou que querer ser tratada como vagabunda no sexo fosse fruto de opressão machista. Risadas?

O que é um canalha? Refiro-me ao conceito de canalha. Um kantiano diria "o canalha em si".

Claro, kantianos são pessoas que pensam que o mundo é o que eles pensam que é; no fundo, o kantiano é um puritano da razão aos olhos de qualquer cético. Sua "crítica da razão prática" nada mais é do que um canto monótono semelhante aos cantos das igrejas calvinistas.

Qualquer um sabe que canalhas evoluem historicamente, como tudo mais. O grande personagem Palhares, do Nelson Rodrigues, esse filósofo brasileiro, é um tipo de canalha que não existe mais: o canalha romântico e sincero (que faz falta), apesar de que ele já identificara a necessidade de o canalha evoluir. Diriam os especialistas que Palhares tinha um claro "senso histórico".

Palhares mordeu o pescoço da cunhada caçula no corredor. E cunhadas gostosas são o segredo de um bom casamento. Palhares dizia que um canalha em sua época, os anos 1960, deveria evoluir para continuar a ser um bom canalha.

No caso dele, isso significava assimilar os avanços da psicologia, levando suas vítimas para terapias de nudez e também para reuniões do Partido Comunista. Um canalha, afinal, deveria estar em dia com a sua época.

Importantíssimo, no entendimento de nosso querido Palhares, seria um canalha entender que ser católico não ajudava mais ninguém a pegar mulher porque assustaria a presa. A sinceridade do Palhares estava no fato de ele se reconhecer canalha por vontade própria.

Hoje em dia, o canalha "avançou" muito. Ele identifica "causas externas" para sua condição de canalha, ou, melhor ainda, não reconhece sua condição de canalha; julga-se apenas um homem cumprindo seu "papel social".

Imagine um livro chamado "Tipologia do Canalha: Como Identificar o Seu". Puro best-seller!

Por exemplo, o livro descreveria o canalha institucional, que é o canalha que faz suas baixarias dizendo que é em nome do coletivo.

Normalmente, adora a hierarquia e a burocracia.

É o tipo que, segundo o psicólogo americano Philip Zimbardo, autor do excepcional livro "O Efeito Lúcifer" (Record), se adaptaria bem às condições de horror em sistemas totalitários com justificativa institucional. Sentiria que o horror que causa é simplesmente fruto de respeito à burocracia.

Existem também os canalhas sociais. Estes são aqueles que justificam seus atos via condições sociais em que vivem, dizendo coisas como "a escola em que estudei fez de mim um canalha, por mim seria diferente".

Conhecemos também os canalhas democráticos. Estes são aqueles que justificam seus atos porque combatem em defesa do povo. Este tipo é aquele que, por exemplo, sustenta a corrupção do Estado dizendo que está lutando pela justiça social.

Primo de primeiro grau deste último é o canalha militante, este tipo que agrediu a blogueira cubana Yoani Sánchez, acusando-a de ser paga pela CIA. A marca deste é jamais ouvir nada que discorde de sua religião.

Há também o canalha científico. Este afirma que as neurociências provaram que ser canalha é função de certa área do cérebro, resultado de herança evolucionária e genética.

Um tipo especialmente "fofo" é o canalha livre. Suspeito ser este o mais avançado de todos.

Quando indagados acerca de seu comportamento, afirmam que agem do modo que agem porque sempre foram uma minoria oprimida e agora podem exercer sua canalhice livremente. A frase lapidar deste tipo de canalha é: "Todos têm direito de ser o que são; eu tenho o direito de ser canalha".


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1236284-uma-nova-ciencia-moral.shtml






sábado, 23 de fevereiro de 2013


Doutrinação ideológica escolar:
pais, tomem uma atitude!

Escrito por Klauber Cristofen Pires | 23 Fevereiro 2013
Artigos - Educação

Caros amigos leitores,

Como vocês sabem, não confio na blogueira Yoani Sánchez. Dados os indícios que já vos apresentei em outros artigos, tenho-a como uma agente de desinformação do regime comunista cubano. No entanto, nada me faria unir-me aos brucutus que por meio da gritaria, da intimidação e até mesmo da violência têm logrado calar a sua voz.

Vocês sabem de onde vêm estes jovens fanatizados e embrutecidos? Da escola!

Meus amigos: o PT e seus aliados - todos os partidos satélites de esquerda - fazem propaganda eleitoral permanentemente, e com dezesseis anos de antecedência! Sabem por quê? Por que a propaganda deles é feita na escola!

Talvez alguns de vocês que estejam me lendo agora sejam simpáticos às ideias socialistas, ou, como tem sido mais comum, aprenderam, sem saber como ou de onde, que um regime socialista não é desejável, mas é necessário criar uma alternativa ao assim chamado "capitalismo selvagem".

Pois deixem-me dizer: eu tenho uma filha em idade escolar, que hoje frequenta o 7º ano. Eu desejo de coração que ela se torne a Comissária-Mor do futuro Brasil socialista, desde que, e somente se, ela souber o que está fazendo, sem fazer o papel de inocente-útil ou uma fiel colaboradora deste regime motivada pelo medo de dissentir!

Que ela se torne a primeira-delegada, a chanceler ou a grande guia do um futuro Brasil à moda cubana, se ela descobrir alguma verdade que hoje desconheço, mas que tenha tido conhecimento verdadeiro do que é o socialismo e o capitalismo, e que este conhecimento provenha de um estudo livre e desimpedido, do qual ela possa extrair suas conclusões por si própria.

A doutrinação ideológica escolar caracteriza-se pela desonestidade intelectual dos autores de livros didáticos e dos professores militantes, por meio da omissão ou deturpação de fatos e conceitos, com a finalidade de aliciar as crianças para a doutrina espúria que abraçam, e eles fazem isto valendo-se da ingenuidade dos jovens e da confiança dos pais e mães.

Será que vocês, pais e mães, querem que seus filhos se tornem ovelhas eleitorais nas mãos de políticos inescrupulosos? Querem que seus filhos vivam de comer na mão de agentes públicos? Querem torná-los marias-vai-com-as-outras?

Fiquem atentos: a doutrinação ideológica escolar já pisou firme até mesmo naquelas que são consideradas boas e tradicionais escolas particulares! Além disso, o governo está filtrando os jovens nos processos seletivos, ao elaborar questões ideologicamente enviesadas.

Há algo que vocês, pais e mães, podem fazer! Prestem atenção: escaneiem ou fotografem as páginas dos livros escolares e apostilas dos seus filhos que vocês desconfiem haver indícios de doutrinação ideológica, e enviem para mim. Meu endereço é:
klauber.pires@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Depois disso, reúnam-se, conversem uns com os outros e protestem em conjunto contra as escolas de seus filhos!

Nós estamos lidando com gente que possui muito poder. Se não nos unirmos para defendermos nossos filhos, estaremos condenando-os nós mesmos a uma vida desgraçada! É isto o que vocês querem?

Vamos acabar com a doutrinação ideológica escolar!


http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/13882-doutrinacao-ideologica-escolar-pais-tomem-uma-atitude.html
 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Educação continuada - Experiência de Aprendizagem Mediada (I) 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013



Autoajuda marxista

Em 4 de dezembro de 2012, a Gazeta do Povo publicou, lado a lado, dois artigos sobre o tema "O legado de Paulo Freire": um, escrito pelo presidente de honra do Instituto Paulo Freire, Prof. Moacir Gadotti; e outro, pelo jornalista, sociólogo e colaborador do ESP José Maria e Silva. O artigo do Prof. Gadotti -- intitulado Patrono da educação brasileira -- está nesse link:http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?id=1324596. O do jornalista José Maria e Silva, intitulado Autoajuda marxista, segue abaixo.

“Paulo Freire: Rousseau do século 20.” Quem faz essa afirmação, em um alentado livro de 324 páginas publicado em 2011 na Holanda e que leva justamente esse título, é o indiano Asoke Bhattacharya, professor da Universidade de Calcutá. De fato, Paulo Freire é a versão atual do autor de Emílio, ou Da Educação (1762), que muita influência teve na pedagogia. Mas, como ironiza Émile Durkheim, quem confiaria a educação de uma criança ao desnaturado Rousseau, que abandonou a própria prole?

Essa pergunta cabe em relação a Paulo Freire, que prega a liberdade, mas cultua totalitarismos. Pedagogia do Oprimido, uma espécie de manual de autoajuda marxista, idolatra a “linguagem quase evangélica” do “humilde e amoroso” Che Guevara, enaltece sua “comunhão com o povo” e, valendo-se de um jogo vazio de palavras, justifica as execuções sumárias que ele perpetrava sem piedade: “A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida”.

Essa frase assassina inspira Moacir Gadotti, discípulo predileto do mestre, que, em Pensamento Pedagógico Brasileiro, despreza o grande pedagogo escola-novista Lourenço Filho, mas se rende a Lenin e Mao Tsé-tung. Ambos são tratados por Gadotti como “grandes pedagogos da humanidade”.

Pedagogia do Oprimido, que deu fama mundial a Freire, é menos um tratado que um panfleto. Até seus discípulos são obrigados a reconhecê-lo. Ao observar que Paulo Freire “foi saudado como um dos fundadores da pedagogia crítica”, Bhattacharya observa que isso “não é errado, mas também não é muito preciso”, pois vários filósofos educacionais antes dele foram críticos em relação à pedagogia tradicional. “Portanto, não é a atitude crítica de Freire, mas seu ativismo político que o diferencia de alguns (mas não de todos) os filósofos canônicos educacionais”, diz o professor indiano.

O “Método Paulo Freire”, com mais propaganda que resultados, foi uma ferramenta populista de João Goulart financiada com dinheiro norte-americano do acordo MEC-Usaid. E nem era inédito: o uso de palavras geradoras na alfabetização já estava presente em outras propostas pedagógicas, como o “Método Laubach”, muito disseminado no Brasil. O que Paulo Freire fez foi carregar as palavras de ideologia revolucionária, a pretexto de falar da realidade do aluno. É como se o pedreiro tivesse de se restringir ao tijolo; o lavrador, à enxada; o carpinteiro, ao serrote. O que seria da cultura brasileira se Machado de Assis fosse obrigado, em sua alfabetização, a tartamudear sobre o morro em que nasceu?

O reducionismo pedagógico é o grande legado de Paulo Freire. Juntando-se ao “construtivismo pós-piagetiano”, ele inspirou o “preconceito linguístico”, que vilipendia a norma culta do idioma; a “geografia crítica”, que mistura bairrismo com economia marxista; a história em ação, que eterniza o presente; a matemática étnica, que cria analfabetos em tabuada. Paulo Freire relativizou o conhecimento, anulou a autoridade do professor e, sobretudo, assassinou o mérito – inviabilizando a possibilidade de educação. O ranking global divulgado no fim de novembro que o diga.

José Maria e Silva, jornalista, é mestre em Sociologia.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?id=1324597

http://www.escolasempartido.org/artigos/371-autoajuda-marxista

Um engodo chamado Método Paulo Freire

Escrito por Félix Maier | 23 Janeiro 2013
Artigos - Educação

A ressurreição da múmia comunista chamada Paulo Freire não se observa apenas nos campi cada vez mais estéreis das faculdades, mas também nos campos improdutivos do “messetê”.


Em 1943, foi introduzida no Brasil a Cruzada ABC (Ação Básica Cristã), com sede em Recife, Pernambuco. A Cruzada era um programa de alfabetização baseado no Método Laubach, que incluía, ainda, a bolsa-escola para famílias pobres. (E ainda dizem que o pernambucano Cristovam Buarque, que, com certeza, conhecia o Método Laubach, é o criador do bolsa-escola.) O missionário norte-americano Frank Charles Laubach desenvolveu seu método de alfabetização de adultos inicialmente nas Filipinas, onde, em 30 anos, conseguiu alfabetizar 60% de sua população.

No Brasil, o Método Laubach foi deturpado e substituído pelo Método Paulo Freire:

“Concomitante e subitamente, começaram a aparecer em Pernambuco cartilhas semelhantes às de Laubach, porém com teor filosófico totalmente diferente. As de Laubach, de cunho cristão, davam ênfase à cidadania, à paz social, à ética pessoal, ao cristianismo e à existência de Deus. As novas cartilhas, utilizando idêntica metodologia, davam ênfase à luta de classes, à propaganda da teoria marxista, ao ateísmo e a conscientização das massas à sua ‘condição de oprimidas’. O autor dessas outras cartilhas era o genial Sr. Paulo Freire, diretor do Sesi, que emprestou seu nome à essa ‘nova metodologia’ - da utilização de retratos e palavras na alfabetização de adultos - como se a mesma fosse da sua autoria” (David Gueiros Vieira, in
Método Paulo Freire ou Método Laubach?).

O Movimento de Educação de Base (MEB) era uma organização criada pela Igreja Católica, financiada pelo governo João Goulart e administrada por militantes da esquerda católica, muitos dos quais eram membros da
Ação Popular, que mais tarde se tornaria um grupo terrorista e promoveria um atentado no Aeroporto de Guararapes, Recife, em 1966. Baseado nas ideias marxistas de Paulo Freire, autor do livro pauleira Pedagogia do Oprimido, o MEB funcionava através de escolas radiofônicas, sob a direção de um líder local (padre ou camponês), em contato com as Ligas Camponesas.

Afinal, o que vem a ser o Método Paulo Freire, tão enaltecido pelos esquerdistas que tomaram de assalto as salas de aula das escolas e das universidades brasileiras? Ninguém melhor do que o historiador Paul Johnson para explicar esse engodo da mais pura ideologia marxista:

“O professor brasileiro Paulo Freire (...) descobriu que qualquer adulto pode aprender a ler em quarenta horas suas primeiras palavras que conseguir decifrar se estiverem carregadas de significação política; (...) apenas a mobilização de toda a população pode conduzir à cultura popular. As escolas são contraprodutivas (...) O melhor caminho a seguir é um rompimento com a educação institucional rumo à educação popular. O método se baseia no uso de palavras e expressões empregadas conscientemente de forma dúbia e duvidosa, de acordo com o conceito que seu autor tem de ‘educação libertadora’ e que pode ser assim resumido no conhecido jargão esquerdista: ‘(...) há uma incompatibilidade estrutural entre os interesses da classe dominante e a verdade...; a verdade está do lado dos oprimidos e não pode ser conquistada senão na luta contra a classe dominante...; a verdade é revolucionária, não deve ser buscada e sim feita’ ”
(Paul Johnson, in Inimigos da Sociedade - cit. COUTO, 1984: 39).

“O avanço do processo revolucionário comunista antes de Março de 1964, na área da educação, foi em grande parte creditado ao uso do Método Paulo Freire, que tem potencial para materializar, com inegável eficiência, aquela afirmativa de Fred Schwarz: ‘O primeiro passo na formação de um comunista é a sua desilusão com o capitalismo’. Hoje, o método e seu autor vêm sendo reabilitados em vários pontos do país, aparentemente com a mesma função revolucionária de antes. A alfabetização que propicia, baseada nas condições reais em que vive o aluno, explora largamente as contradições internas da sociedade para desmoralizar o capitalismo, e através dele a democracia, deixando a porta aberta para a opção socialista”.
(COUTO, 1984: 38-9)

A ressurreição da múmia comunista chamada Paulo Freire não se observa apenas nos campi cada vez mais estéreis das faculdades, mas também nos campos improdutivos do “messetê”:

“De acordo com os ideais socialistas e coletivos, calcados no princípio da solidariedade, o projeto educacional do MST tem como base teórica Paulo Freire, Florestan Fernandes, Che Guevara, o cubano José Martí, o russo A. Makarenko e clássicos como Marx, Engels, Mao Tsé-Tung e Gramsci”.
(revista Sem Terra, Out-Nov-Dez 1997, pg. 27).

Periodicamente, o mito de palha, que foi secretário de Educação do governo Luíza Erundina na cidade de São Paulo, é incensado na mídia para adoração, como o artigo da Gazeta do Povo, de 19/01/2013,
Pela união na construção do saber. Sem direito a contraditório.

Em 2012, o plagiário de Laubach foi declarado por
lei patrono da educação brasileira. Não há nome melhor para explicar o grau de mediocridade de nossas escolas e universidades, principalmente as faculdades ligadas à área da educação.

Nota:

COUTO, A. J. Paula. O desafio da subversão. Impresso na Gráfica FEPLAM, Porto Alegre, RS, 1984.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/13791-um-engodo-chamado-metodo-paulo-freire.html



Mensagem enviada por Alisson Coutinho, em 19.01.2011:
 "Seja a favor ou fique calado"

Meu nome é Alisson Coutinho de Souza e sou professor de matemática de algumas escolas no Recife e gostaria de deixar algumas dicas comportamentais para quem deseja seguir essa profissão tão gratificante:

1 - seja ateu; 2 - seja a favor do homossexualismo; 3 - se for professor de história, seja comunista; 4 - sempre fale mal das religiões; 5 - idolatre Paulo Freire; 6 - acredite religiosamente em Freud e em Darwin; 7 - não leia a Veja; 8 - leia Diplomatique; 9 - vote no PT; 10 - e sempre faça uma revisão com a cara da prova.
Após 15 anos de dedicação e entrega à nobre arte de educar, me sinto perplexo diante da realidade de nossas escolas: cada vez mais o relativismo toma conta da mente e das almas dos ditos educadores. O multiculturalismo com sua agenda socialista e gayzista é seguido à risca por professores, coordenadores, supervisores, gestores e claro diretores. Digo isso porque senti na pele o que acontece com quem se coloca contra o comunismo, o ateísmo e principalmente, sendo esse o maior erro, contra o famigerado homossexualismo.

Um certo dia os alunos me perguntaram se eu era a favor ou contra o homossexualismo. O assunto surgiu após uma brincadeira feita por outros professores com relação à parada gay, e eu fui enfático em dizer que era contra e que possuía vários motivos para ter essa posição. Nesse momento o caos se instalou e todos começaram a falar ao mesmo tempo, gritando as mesmas justificativas de sempre: que era normal na Grécia, pois o professor de história tinha dito; que os animais praticam, pois os professores de biologia tinham explicado; e que toda forma de amar vale pena, como o professor de redação tinha dito (e Lulu Santos também).

A surpresa maior veio na semana posterior, quando fui chamado para uma conversa na coordenação onde a primeira pergunta que me fizeram foi: “que história é essa que você anda dizendo que o homossexualismo é uma doença?” E claro eu respondi: “Uma doença não, porque se fosse o governo tinha que oferecer tratamento e os hospitais não teriam vagas. O homossexualismo é um fetiche, um capricho, um desejo adquirido e eu não acredito que fui chamado aqui para isso”. Logo após a resposta o coordenador tentou disfarçar dizendo que só me chamou porque isso gerou uma certa indisciplina na sala. Mas o melhor ainda estava por vir: na sala dos professores, um professor de história me interpelou dizendo que soube do acontecido e que se ele fosse o pai de um dos alunos viria à escola pedir providências; que eu não tenhoo direito de promover esse discurso de ódio, e me comparou aos nazistas.

Dá pra acreditar? Você pensa que acabou? Ainda não! Nessa mesma semana o coordenador, aquele mesmo, convidou outro professor de biologia, que por acaso é um dos donos da escola para dar uma palestra. Sobre que tema? Sexualidade. Fui assistir, e o que me chamou mais a atenção foi a recomendação dele para as alunas: “se vocês quiserem ter uma vida sexual plenamente realizada se masturbem”.

Outra coisa interessante foi a defesa que ele fez do caráter genético do homossexualismo. Sem citar nenhuma pesquisa e sem colocar nenhum argumento plausível, ele disse que o homossexual já nasce assim, arrancando aplausos dos alunos, meninos e meninas de 15, 16 e 17 anos. Após a falácia eu perguntei: “professor, quais as bases científicas que apoiam essa sua afirmação?”. Resposta: “Nenhuma”. Eu insisti: “Professor, se o homossexualismo é normal entre os animais, por que só identificamos esse comportamento entre os machos? E a resposta: “Não, você está enganado muitas fêmeas esfregam sua cloaca no chão”. No chão! É impressionante. Depois de todos esses acontecimentos vocês já imaginam o que aconteceu. É duro! Esfregar o ... no chão é ato homossexual!


 http://www.escolasempartido.org/depoimentos/47-seja-a-favor-ou-fique-calado

domingo, 10 de fevereiro de 2013

As falácias de um militante travestido de "geneticista" 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Sujeitinho temível

Escrito por Olavo de Carvalho | 08 Fevereiro 2013
Artigos - Cultura




É praticamente inevitável que, num meio social cada vez mais burro e tacanho, cada vez mais materialista, imediatista e dinheirista, um trabalho como aquele que desenvolvo nos meus cursos e conferências desperte todo um florescimento de suspeitas e fantasias paranóicas. Se neste país nem mesmo as pessoas de classe média e alta têm alguma idéia do que seja um filósofo no sentido vulgar, profissional e burocrático do termo, como poderiam entender alguém que busca, na linha de um Louis Lavelle, de um Dietrich von Hildebrand ou de um Gabriel Marcel (autores dos quais nunca se ouve falar na úichpi ou na púqui), restaurar a síntese clássica de cultura, pensamento e vida, a união indissolúvel do saber e do ser, a filosofia como disciplina não só da inteligência, mas da alma?

Incapazes de encontrar para essa atividade uma classificação tranqüilizante na nomenclatura das profissões usuais, muitos são os que conjeturam, para explicá-la, toda sorte de hipóteses extravagantes. O temor caipira mescla-se aí ao fenômeno mais geral e disseminado da adolescência prolongada, gerando as reações mais incríveis e estratosféricas. Sabendo que vez por outra vêm estudantes à minha casa, para aí impregnar-se um pouco de um estilo de vida que dê substância existencial ao que aprenderam nas minhas aulas, papais e mamães, preocupados com a segurança e bem-estar de seus bebês de vinte, trinta ou quarenta anos, perguntam angustiadamente se não se trata de uma seita, de um movimento subversivo ou mesmo de alguma rede internacional de tráfico de escravas brancas, e advertem as criancinhas para que se mantenham a uma prudente distância de coisas tão horríveis.

Aqueles que leram dois ou três livrinhos, o suficiente, no Brasil, para fazer de um retardado mental um jornalista, um professor, um “formador de opinião”, dão expressão pública a essas fantasias domésticas, fornecendo, para explicar as minhas atividades malignas, teorias que, decerto, dizem mais a respeito deles próprios que de qualquer coisa que tenha a ver com a minha pessoa de carne e osso.

Conforme o seu grupo de referência – pois no Brasil não há pensamento individual, só o bom e velho “imbecil coletivo” --, arrumam suas conjeturações e suspeitas numa línguagem que simula a racionalidade-padrão do seu meio social, às vezes chegando até a acreditar que com isso disseram algo de tremendamente cientifico.

A hipótese da “seita”, com direito a escravização mental e genuflexões ante o guru, foi posta em circulação pelo sr. Rodrigo Constantino, o qual não precisou, para isso, nem freqüentar as minhas aulas, nem coletar depoimentos de vítimas traumatizadas, nem muito menos ler os meus livros de filosofia, que passam léguas acima da sua cabecinha, bastando-lhe tão-somente lamber por alto meia dúzia de meus artigos e, vendo aí algumas referências a Deus, concluir que se tratava de religiosidade fanática e doentia (adjetivos redundantes, já que para ele toda religiosidade é isso).

Sendo o sr. Constantino aceito em certos círculos como porta-voz do liberalismo econômico iluminista, disciplina em cujo domínio o ex-ministro Ciro Gomes demonstrou que ele tem a agilidade de uma tartaruga de pernas para o ar, é compreensível que ele pense que todo mundo que não é igual a ele nem comunista deva ser um esquisitão do tipo Rajneesh ou Reverendo Moon.

Já um tal sr. Bertone não sei das quantas, que se diz psicólogo e talvez o seja mesmo, pois no Brasil tudo é possível, assegura que sou um representante vivo do “patriarcalismo burguês”, daqueles que em casa impõem o mais severo moralismo repressivo, mas, quando os filhos chegam aos quatorze ou quinze anos, os levam a um puteiro para que aprendam a ser machões exemplares. Na verdade, a instituição mais próxima de um puteiro à qual fui com meus filhos foi o jardim zoológico. Juro que jamais os levei ao Congresso Nacional.

Em contraste com o sr. Bertone, outros disseram que sou um homossexual ou transexual furioso, desses que não podem ver homem sem ter chilique, e que viajei para a Europa para trocar de sexo, só restando, na minha modesta opinião, esclarecer qual sexo eu tinha antes e qual tenho agora, excluída a hipótese de que eu haja me submetido àquela sangrenta operação duas vezes, de modo a que ninguém desse pela diferença.

Em certos meios militares, estimulados pelo conhecimento da minha amizade de juventude com os srs. José Dirceu e Rui Falcão, e atordoados ante o fato de que eu fizesse críticas à ditadura ao mesmo tempo que a defendia contra acusações demasiado inventivas, correu a história de que eu era um agente de desinformação, um comunista enrustido, íntimo de Nicolae Ceaucescu (o qual estava morto fazia dez anos quando cheguei à Romênia pela primeira vez).

Não espanta, pois, que aqueles que receberam na universidade algumas noções de marxismo – ou do que se entende por isso nas regiões intelectualmente inóspitas do Terceiro Mundo --, não consigam resistir à tentação de me explicar segundo os cânones dessa doutrina, vendo em mim um agente pago do imperialismo internacional, o qual imperialismo, para todos os fins de fato e de direito, fica representado nessa história pelo Diário do Comércio.

O nosso já conhecido sr. Patschiki alerta a seus companheiros que, de parceria com essa organização fascista, planejo matá-los a todos. Ele acredita mesmo nisso, e não me parece que seja possível demovê-lo dessa convicção aterrorizante sem umas boas palmadas no traseiro, não muito eficientes, no entanto, porque ele as interpretará como tentativa de assassiná-lo pela parte mais elevada da sua inteligência.

Publicado no Diário do Comércio.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/13841-sujeitinho-temivel.html

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013



Relojoeiro cego

Você vai ao médico, ele pede um exame de sangue e você descobre que seu filho terá síndrome de Down. O que você faria?

Pensará nos custos? Você não é uma pessoa excepcionalmente egoísta, mas, em meio a sua agenda, como conseguirá lidar com uma criança assim? A agenda já é pesada com trabalho, sexo top (lembre-se: gostosa sempre!), estudos na pós-graduação (afinal, hoje em dia é imperativo agregar valor à vida profissional e pessoal), férias...

Quem tomará conta da criança? Você tem alguém com quem possa contar? Irmãs, mãe, marido? Escola especial? Psicoterapeuta, psicopedagoga?

Claro que essa questão não diz respeito a quem tem já filhos com esse quadro clínico, mas sim àqueles que um dia passarão por isso. Tampouco cabe aqui o argumento de que aqueles que já têm um filho assim o amam e aprenderam a conviver bem com essa situação. Enfim, não se trata de amar ou não os filhos que já se tem, mas sim de escolher os filhos que teremos.

No Brasil, sendo o aborto ilegal numa situação como esta, a tendência, com a chegada até nós desse tipo de exame, é o aumento do aborto ilegal.

A ciência vive pressionando a ética: trata-se aqui da ampliação do poder de escolha informada. Aumentando os recursos técnicos da medicina pré-natal, aumenta-se proporcionalmente a possibilidade de se evitar determinados tipos de gravidez. O nome disso, segundo o filósofo americano Francis Fukuyama, é "design babies" (bebês de prancheta, na tradução brasileira): bebês ao portador, com grau máximo de saúde.

Católicos dirão que a vida pertence a Deus. Quem não crê nisso tem diante de si a seguinte questão: por que devo me submeter ao mero acaso? Afinal, a criança não foi fruto de um orgasmo (masculino, no mínimo)? Se o acaso decidiu qual óvulo e espermatozoide que estariam a postos, por que devo eu me submeter a tamanho capricho cego?

Não seria essa criança apenas uma carta triste no baralho, baralho este criado por um relojoeiro cego? Explico: a teoria do design inteligente (Deus criou o universo) afirma que sendo o universo organizado, não seria possível imaginar que ele teria surgido sem um criador inteligente (o relojoeiro criador).

Ateus em geral, ironizando, até aceitam que exista uma ordem, mas esta ordem seria fruto do acaso cego, daí o "relojeiro cego" que fala o darwinista Richard Dawkins em seu livro "Blind Watchmaker" (relojoeiro cego).

Se não devemos nada a ninguém, por que não tomarmos nosso destino nas mãos e ter o "melhor filho" possível? Tomar o destino em nossas mãos é optarmos pelos ganhos técnicos à mão, ou seja, a artificialização da vida.

Quanto aos crentes, em tempo abraçarão a causa, dirão que Deus nos fez inteligentes para tomarmos decisões inteligentes. A Igreja Católica, mais lenta, 500 anos depois também aceitará, como aceitou Galileu.

O processo de ampliação de escolha informada implica, num prazo de tempo não muito preciso, a crescente artificialização da atividade reprodutiva humana. Isso é tão inevitável como a ampliação dos direitos civis, tais como voto das mulheres, casamentos gays, direitos da mulher sobre seu corpo, e afins.

Se você vê um dia um homem aparentando 60 anos, mas com corpo e disposição de 40, correndo no Ibirapuera ao lado de uma gostosa de 25, você talvez não imagine quantos remédios ele tomou quando acordou, entre eles, um Viagra.

Isto é a artificialização da vida. Dito assim, parece um absurdo do cinema de ficção científica, mas na prática, é banal como tomar vitaminas e vacinas.

Num futuro próximo, ter filhos pelo método do acaso será como negar vacinas aos filhos. Um ato de irresponsabilidade reprodutiva. Empresas de seguro cobrarão mais caro por apólices de crianças geradas pelo relojoeiro cego. Ou simplesmente recusarão estas apólices.

ONGs farão campanhas para criminalização da reprodução não assistida pela medicina pré-natal genética em nome da sustentabilidade social das crianças geradas e dos custos de saúde pública.

Vejo mesmo o comercial: "Dê a seu filho o que você tem de melhor, Bradesco Biotecnologia".


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1225208-relojoeiro-cego.shtml

sábado, 2 de fevereiro de 2013

http://www.unitedearth.com.au/lubicz.html

Schwaller de Lubicz
Lima Barreto: um grito brasileiro


Espírito e personalidade

Quinta, 31 Janeiro 2013 

Escrito por Olavo de Carvalho




C espírito é aquilo que só chega a nós pelo pensamento, mas que o pensamento, por si, não pode nem criar nem alcançar. O espírito é a verdade do pensado, a qual, por definição, está para além do pensamento, mesmo nos casos em que este cria o seu próprio objeto.

Quando, por exemplo, criamos mentalmente um triângulo, este já traz em si todas as suas propriedades geométricas que o pensamento, nesse instante, ainda ignora por completo; e quando ele as tiver descoberto uma a uma, ao longo do tempo, terá de confessar que estavam no triângulo em modo simultâneo antes que ele as apreendesse. E mesmo quando ele apreende uma só, apreende algo que está no triângulo e não nele próprio.

Não há, na esfera do mental, nenhuma diferença entre pensar o falso e pensar o verdadeiro. O pensamento só se torna veraz quando toca algo que está para além dele, algo que não se reduz de maneira alguma ao ato de pensar e nem ao pensamento pensado. Esse algo é o que chamamos "verdade". Como se vê no exemplo do triângulo, a verdade está para além do pensamento até mesmo quando o objeto deste é criado pelo próprio pensamento: o pensamento não domina e não cria a veracidade nem mesmo dos objetos puramente pensados. A verdade só aparece para além de uma fronteira que o pensamento enxerga mas não transpõe. A verdade é o reino do espírito.

A verdade é espírito, mesmo quando apreendida num objeto material. Nossos sentidos podem apreender a presença de um objeto, mas não podem, por si, decidir se essa presença é real ou imaginária. O pensamento tem de intervir, colocando perguntas que completem e corrijam a mera impressão. Ele o faz em busca da verdade do objeto, mas, quando chega a tocar nela, sabe que ela está não apenas para além dos sentidos, mas para além dele próprio, caso contrário não seria verdade de maneira alguma e sim apenas uma impressão modificada pelo pensamento.

A verdade é sempre transcendente à esfera do pensamento, das sensações, das emoções, de tudo quanto constitui o "mental". Os testes de QI não medem a quantidade da atividade mental, mas a sua eficiência em transcender-se, em apreender a veracidade do objeto – a sua capacidade de vislumbrar, para além da esfera do pensado, o reino do espírito.

Essa capacidade não se chama "pensamento", mas inteligência. Ela é inteiramente alheia à quantidade, intensidade ou elegância formal do pensamento. "De pensar, morreu um burro", diz o ditado. Pensar falsidades dá tanto trabalho, e às vezes até mais, do que chegar à verdade. O pensamento bom não é aquele que se compraz na riqueza dos seus próprios movimentos, mas aquele que se recolhe humildemente para dar passagem à inteligência, à percepção da verdade.

A correção formal do pensamento pode ser importante, às vezes, mas o pensamento, por si, não tem como apreender sequer a verdade da sua própria correção formal. Tomar consciência da correção formal de um silogismo não é um pensamento: é a percepção instantânea – intuitiva, se quiserem – de um nexo necessário entre dois pensamentos. Se não fosse assim, seria apenas um terceiro pensamento, cujo nexo com os outros dois teria por sua vez de ser provado silogisticamente, e assim por diante até à consumação dos séculos. Mesmo a mera veracidade formal é veracidade, e transcende o pensamento.

Pessoas que pensam muito são, só por isso, chamadas de "intelectuais", mas isso é errado: a vida do intelecto só começa na fronteira em que o pensamento se apaga para dar lugar ao vislumbre da verdade.

Tanto o pensamento quanto as impressões, a memória ou as emoções não fazem senão acumular motivos para que a verdade surja, depois, numa percepção instantânea. Essa acumulação pode ser longa e trabalhosa, mas ela não é nunca a finalidade, a meta de si própria.

Toda educação da inteligência deveria ter essas obviedades em conta, mas isso se tornou quase impossível numa época que virou as costas à própria noção da verdade – para não falar do espírito –, substituindo-a pela de projeção subjetiva, adequação, utilidade, interesse de classe, criação cultural, etc., como se todas estas noções não afirmassem implicitamente a sua própria veracidade e não restaurassem assim, meio às tontas, aquilo que desejariam suprimir.

No curso da sua evolução temporal, o indivíduo chega a ter uma "personalidade intelectual" quando a submissão do seu pensamento ao espírito se tornou um hábito adquirido e se integrou na sua alma como reação usual e quase inconsciente.

Em sentido estrito, conduzir o estudante a essa passagem de nível seria o objetivo de toda educação superior, mas a redução das universidades à condição de escolas profissionais ou de centros de adestramento ideológico para militantes veio a tornar esse objetivo inteiramente utópico, elitizando em vez de democratizar o acesso aos bens superiores do espírito como prometem fazê-lo todos os governos do mundo.

O caminho, decerto, não está bloqueado para os estudantes que tenham iniciativa pessoal e alguns recursos. O problema é que a conquista de uma personalidade intelectual num ambiente que desconhece a mera existência dessa possibilidade humana – o caso, sem dúvida, do meio universitário brasileiro hoje em dia – é fonte de inumeráveis dificuldades psicológicas para o estudante, a começar pela quase impossibilidade de encontrar pessoas do mesmo nível de consciência com as quais possa ter diálogo e amizade. A personalidade intelectual só pode ser compreendida desde outra personalidade intelectual: o diálogo com indivíduos desprovidos dela é uma transmissão sem receptor, a ocasião de malentendidos e sofrimentos sem fim.

Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013


Ainda o cãozinhoPublicado em Segunda, 21 Janeiro 2013 19:59
Escrito por Olavo de Carvalho

O sr. Lucas Patschiki (ver artigo na edição anterior) tenta desesperadamente camuflar o seu panfleto vagabundo sob as aparências de uma tese científica, mas não tem a esperteza necessária para isso. Se tivesse, não apelaria de maneira tão confiante e ingênua a um dos chavões mais compulsivos e autodenunciadores da propaganda comunista, que é o de tentar desmoralizar o adversário, o anticomunista, como um agente pago da burguesia. No meu caso, a prova que ele fornece dessa vinculação monetária é de uma candura que chega a ser comovente na sua puerilidade: "A preocupação com que Olavo de Carvalho analisa a burguesia brasileira é retribuída, pois o dota de meios e rendimentos para levar essa luta adiante...: sua permanência nos EUA é financiada pelo Diário do Comércio.

Descontado o português subginasiano, impotente para esclarecer se o sujeito da oração subordinada é a preocupação ou a burguesia, ele quis dizer que recebo subsídios do Diário para lutar em favor da classe que o jornal representa.

Sou jornalista profissional há quarenta anos e nunca soube que salário fosse "financiamento". Se o fosse, e como o próprio sr. Patschiki reconhece haver uma pletora de jornalistas de esquerda nas redações, deveríamos concluir que a burguesia financia muitos agentes para que lutem contra ela e só uns poucos para que a defendam.

É claro que, se ela faz isso, só pode ser por estupidez genuína ou por algum tipo de malícia inversa cuja engenhosidade me escapa. Na primeira hipótese, fica impugnada a tese do sr. Patschiki de que a burguesia detém o controle ideológico dos seus órgãos de imprensa. O sr. Patschiki acredita piamente na segunda, mas não nos fornece a menor explicação do que pode fazer em benefício da burguesia um mecanismo tão paradoxal e contraproducente.

Uma hipótese que nem lhe passa pela cabeça é a de que as empresas de mídia se atêm à mais rigorosa abstinência ideológica na contratação de seus empregados, acabando os esquerdistas por obter aí a superioridade numérica pelo simples fato de praticarem a gramsciana "ocupação de espaços" que a direita ainda não aprendeu.

Todos os jornalistas profissionais recebem um salário, independentemente do conteúdo ideológico daquilo que escrevem. Se o fato de eu ser um deles basta para fazer de mim um agente pago a serviço ideológico de um grupo ou classe, o sr. Patschiki teria a obrigação de perguntar se acusação idêntica não se aplicaria muito mais ao agente que é subsidiado para a tarefa específica de produzir um ataque político a determinada pessoa ou entidade, tal como ele foi financiado, não pelos proletários dos quais se imagina um porta-voz, e sim por um pool de bilionários interesses estatais e privados, a Fundação Araucária, para escrever contra mim e o Mídia Sem Máscara e defender assim a aliança comuno-dinheirista que nos governa.

Todo historiador ou cientista social só pode compreender a posição dos outros na sociedade desde uma consciência clara da sua própria posição, da fonte dos seus meios de sustento, dos grupos que o protegem, etc. Mas o sr. Patschiki, que não é nem uma coisa nem a outra, não apenas não precisa saber de nada disso como de fato não sabe e nem de longe suspeita que deveria saber. Por isso ele pode continuar sonhando que todo salário de jornalista profissional é um "financiamento" ideologicamente comprometedor e ignorando que o financiamento da sua tese é exatamente isso no mundo real e em grau superlativo.

Mais esquisito ainda é que, vendo no salário que recebo do Diário do Comércio uma prova da conspiração fascista financiada pela burguesia, ele nem se dá conta de que, admitida essa hipótese, o comando da conspiração não teria como estar nas minhas frágeis mãos de agente contratado, e sim nas do meu poderoso contratador.

De fato, não tem sentido ele me qualificar como um "litor" – segundo a sua definição, aquele que representa o poder sem exercê-lo – e ao mesmo tempo fazer de mim, e não daqueles que supostamente me comandam, o centro da trama conspiratória.

Talvez haja nisso um secreto desejo de evitar briga de cachorro grande, trocando o comandante pelo comandado e batendo neste para acertar naquele sem que se possa dizer que o faz. Porém há mais provavelmente a confusão patética do semi-analfabeto que, mal conseguindo manejar o idioma pátrio, se mela todo ao tentar fazer bonito com um termo latino.

Qualquer que seja o caso, o fenômeno Patschiki já estava prefigurado na contradição interna da própria doutrina marxista, como expliquei anos atrás: "A teoria marxista da ideologia de classe não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe.

Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária."

Tudo o que o sr. Patschiki escreve sobre o Mídia Sem Máscara é, de fato, projeção inversa: como a esquerda é um movimento político unitário, riquíssimo e bem organizado, ele tem de imaginar que qualquer bloguinho anticomunista é exatamente a mesma coisa.

Como trabalho científico, sua tese não vale nada, mas vale muito como informe de espião, desses que os comunistas sempre fazem para ter pronta a lista de inimigos a ser assassinados no momento propício.

Correção – Por engano da redação, o nome do livro de Lucas Patschicki, citado no artigo anterior, foi grafado erradamente. O correto é Os Litores da Nossa Burguesia: O Mídia Sem Máscara em sua Atuação Partidária.

Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia

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domingo, 20 de janeiro de 2013


Nosso Pai Que Estás no Céu, ou Nossa Mãe Terra?

Autora: Berit Kjos (http://www.crossroad.to)



Nota do Editor: O artigo a seguir é um excerto do excelente livro A Twist of Faith (A Torção da Fé). Este artigo e o livro demonstram o impacto da espiritualidade da deusa nos indivíduos e na sociedade — o artigo é uma importante janela para a compreensão do pensamento e das motivações religiosas que estão por trás desta poderosa e crescente tendência.
As lutas de Peggy pareciam intermináveis. Ela queria estar perto de Deus, mas raramente sentia Sua presença. Ela queria que seu filho adolescente amasse a Deus, mas os pôsteres ocultistas no quarto dele tornaram-se lembretes diários das orações não respondidas. Ela se filiou a um ministério cristão, mas mesmo assim não conseguiu alcançar uma relação satisfatória com Deus. Após certo tempo, deixou o ministério para voltar à faculdade.
Peggy me procurou alguns anos mais tarde e me disse que começava a se encontrar. Sua busca a levara para além das vozes familiares que haviam dado "respostas convenientes" às suas questões espirituais. O Deus bíblico não parecia mais relevante ou benevolente. Uma professora da faculdade havia sido especialmente importante em sua jornada rumo ao autodescobrimento. Essa professora e orientadora chamava a si mesma de bruxa — alguém que acredita no poder das fórmulas e dos rituais mágicos para invocar o poder das forças espirituais.
Alguns anos se passaram. Quando me procurou novamente, ela havia se separado do marido e se mudado.

"— Eu precisava me encontrar. Minha jornada espiritual abriu meus olhos para todo um novo paradigma", explicou."— Um novo paradigma?"

"— Sim. Uma nova forma de ver Deus e a mim mesma — e tudo o mais. É como nascer de novo."
"— Quem é Jesus Cristo para você agora?", perguntei.
"— Ele é um símbolo da redenção. Não rejeitei a Bíblia, mas estou apenas tentando fazer minha experiência espiritual do meu jeito. Tenho de ouvir minha própria voz e não deixar que outra pessoa faça as escolhas por mim. Enquanto isso, estou disposta a viver em confusão e mistério, e sinto que estou nas mãos de Deus, independente de Deus ser ele, ou ela."
A jornada dela soa familiar para você? Como milhões de outras pessoas, Peggy anseia por uma espiritualidade prática, um senso de identidade, uma comunidade de seguidores que pensem de forma semelhante, e um Deus que ela possa sentir. Ela se recorda de versos bíblicos significativos, mas eles perderam a autoridade como diretrizes. De algum modo, a Bíblia não mais se encaixa com o modo dela de pensar ou com aquilo que ela quer.
Ela se indaga por que Deus não é mais tolerante e de mente aberta. Afinal de contas, ele é um Deus de amor, não é? Talvez uma divindade feminina fosse mais misericordiosa, compreensiva e relevante para as mulheres. Talvez seja tempo de ir além das antigas restrições da verdade bíblica, rumo ao reino ilimitado dos sonhos, das visões e do autodescobrimento.
Multidões já foram. As antigas e esparsas jornadas em experiências da Nova Era tornaram-se uma larga avenida cultural rumo a uma espiritualidade autoproduzida. Muitas mulheres que participam de igrejas fluíram para esses caminhos místicos e adaptaram suas antigas crenças às visões mais "inclusivas" de hoje. Afinal, segundo disseram para elas, a paz em um mundo pluralista exige uma visão mais aberta de todas as religiões e culturas.
Aquelas que concordam estão encontrando inúmeros caminhos para a "sabedoria" e a capacitação individual por meio de livros, revistas e novas formas de grupos femininos. Elas se reúnem em igrejas tradicionais, na YWCA (Associação Cristã de Moças), em retiros, em livrarias, em salas de estar... em qualquer lugar. Aqui, novas palavras e práticas estranhas — como eneagramas, labirintos, Círculos de Sofia, consciência global e "massa crítica" — oferecem fórmulas modernas para a transformação espiritual. Terapeutas, mentoras e diretoras espirituais prometem "locais seguros" em que as interessadas poderão descobrir sua própria verdade, aprender novos rituais, opinar sobre as experiências umas das outras e libertar-se das antigas regras e limitações.
Talvez você participe de um desses grupos. Você pode ter amigas ou parentes que estão explorando esses novos caminhos. Ou então você pode estar entre aqueles que se perguntam como essas estranhas atividades místicas poderiam tocar sua vida.
Ao contrário das mulheres que estão buscando a verdade em círculos pagãos, você pode conhecer seu destino e não sente necessidade de alternativas espirituais. Você está seguro em sua família, em sua igreja e entre seus amigos pessoais.
Tem certeza? Esse novo movimento espiritual está transformando nossas igrejas bem como nossa cultura. Ele atinge toda família que lê jornais, que assiste televisão e que envia seus filhos às escolas públicas. Ele está levando rapidamente nossa cultura para além do cristianismo, além do humanismo — e até além do relativismo — rumo a novos valores e crenças globais. Ninguém está imune às suas pressões sutis e aos seus estímulos silenciosos. O fato de ele se associar às outras mudanças sociais e movimentos globais apenas acelera a transformação. Entretanto, a maioria dos cristãos — como o sapo colocado na bacia com água fria aquecida no fogo brando — ainda não percebeu o que está acontecendo.

O movimento feminista exige novas divindades ou, pelo menos, uma redefinição das antigas deidades. Portanto, a busca por uma religião "mais relevante" propõe novas visões de Deus: imagens que troquem a santidade pela tolerância, o celestial pelo terreal e o Deus que está acima de nós por um deus que seja cada um de nós.
As imagens mais sedutoras são femininas. Elas podem parecer como os anjos dos cartões postais, fadas-madrinhas, deusas gregas terrenas, sacerdotisas radiantes da Nova Era, ou mesmo uma Maria mítica, mas todas prometem amor incondicional, paz, poder e transcendência pessoal. Para muitos, essas imagens parecem ser boas demais para rejeitar.
As Máscaras Sedutoras dos Deuses Femininos
Provavelmente você não esperaria encontrar deusas em uma cidadezinha conservadora no interior do estado do Dakota do Norte. Eu não esperava. Mas, um dia, ao visitar a cidade natal de meu marido, uma vizinha nos disse que uma livraria tinha acabado de ser aberta na casa pastoral da velha Igreja Luterana. "Vocês deveriam ir lá conhecer", ela nos incentivou.

Concordei e então fui até a linda igreja branca, caminhei até a casa pastoral ao lado e toquei a campainha. A mulher do pastor abriu a porta e me levou até um quarto amplo que ela tinha transformado em uma livraria, deixando-me à vontade para folhear os livros. Percorrendo as prateleiras ao longo das paredes, observei autores conhecidos como Lynn Andrews, que livremente mistura feitiçaria com rituais dos índios americanos, autocapacitação de Nova Era e outras tradições ocultistas para formar sua própria espiritualidade.
Entre os livros multiculturais na seção infantil, um que chamou minha atenção foi As Muitas Faces da Grande Deusa, "um livro de colorir para todas as idades". As páginas continham desenhos de deusas voluptuosos e famosas. Nuas, com os seios à mostra, grávidas ou com serpentes enroladas no corpo, elas certamente abririam as mentes dos jovens artistas para a atração o sexo "sagrado" e dos mitos antigos.
Enquanto voltava para casa, fiquei considerando a rápida mudança do cristianismo para o paganismo. Aparentemente, os mitos e a sensualidade espiritualizada pareciam bons para aqueles que buscam novas revelações e verdades "mais elevadas". Muitos dos mitos modernos retratam deidades que se encaixam em algum ponto entre uma versão feminina de Deus e as deusas atemporais retratadas nas histórias e nas culturas centradas na terra. Todavia, cada uma delas pode ser feita de encomenda para se encaixar nos gostos e exigências diversos das mulheres de hoje.





Anjos. Terry usa um broche na forma de anjo em sua jaqueta. Ela acredita que os estimados anjos de hoje ofereçam todo tipo de ajuda, direção e encorajamento pessoal. Embora Deus lhe pareça distante e impessoal, ela conta com seu anjo particular para ajudá-la e amá-la. Ela me mostrou um jogo de cartas de anjos em uma prateleira em sua loja de presentes. "Que este anjo da guarda possa... lhe dar esperança e vigor para enfrentar cada novo amanhecer", sugeria um cartão de amizade, que vinha com um broche de um anjinho dourado.
Sofia. "Sofia, Deusa Criadora, que teu leite e mel manem... Inunda-nos com teu amor..." entoaram mais de 2.000 mulheres reunidas na Conferência da Reimaginação de 1993, em Minnesota. "Celebramos a vida sensual que nos dás... Celebramos nossa corporeidade... as sensações de prazer, nossa unidade com a terra e com a água", prosseguiu uma das líderes. Representando as grandes denominações, as mulheres vieram da Igreja Presbiteriana dos EUA (cerca de 400 mulheres), da Igreja Metodista Unida (cerca de 400), da Igreja Evangélica Luterana da América (313), da Igreja Unida de Cristo (144) e das igrejas batista, episcopal e Igreja dos Irmãos (cerca de 150). Cerca de 230 eram católicas romanas. Para a maioria dessas adoradoras, Sofia simbolizava a sabedoria interna e "a imagem feminina do Divino". Brincalhona, permissiva e sensual, ela "tornou-se a mais nova febre entre as mulheres das igrejas progressistas."
Mãe Terra. Para preparar as meninas escoteiras (entre 10 e 12 anos) para uma cerimônia regional de "iniciação na vida adulta", a líder regional Tracy, do Condado de Santa Clara, na Califórnia, utiliza imagens guiadas para alterar suas consciências e ajudá-las a encontrar seu próprio espírito-guia. De acordo com outra líder preocupada, que observou a cerimônia da fogueira, Tracy, vestida como uma índia americana, invocou o Grande Espírito e os espíritos das matas, o Norte, Sul, Leste e o Oeste. Após explicar a entrada das meninas na condição de mulheres e marcar suas frontes com cinzas, ela as levou a uma jornada de meditação.
"Image um campo"... entonou sua voz misteriosa. "Veja uma moça sentada debaixo da sombra de uma árvore. Converse com ela. Essa pessoa sábia será sua companheira e auxiliadora durante toda a vida." Com esse constante e fiel espírito-guia, quem quererá seguir os conselhos da mamãe, do papai, ou de Deus? Por que convidar uma opinião contrária quando o guia fala aquilo que a pessoa quer ouvir — pelo menos no início?
Uma deusa. Sharon cresceu em um lar cristão. Desapontada com a fria resposta de sua igreja às suas preocupações com o meio ambiente, ela se voltou para a feitiçaria. Como seu conciliábulo aceita qualquer expressão panteísta, Sharon simplesmente transferiu aquilo que gostava em Deus para a sua imagem autoproduzida da deusa. Ela descreve seu substituto feminino de Deus como um ser amável e não julgador que preenche toda a criação com sua vida sagrada. Ocasionalmente, essa deusa aparece para ela e a reveste com uma luz brilhante e uma presença espiritual "amorosa".
Essas e incontáveis outras mulheres compartilham duas visões radicais: o cristianismo tradicional, com suas restrições bíblicas, está ultrapassado, e novos panoramas ilimitados de emoções e dons espirituais estão em alta. Vale tudo — exceto a verdade e os padrões absolutos de Deus. O amplo guarda-chuva da espiritualidade feminista abrange todas as religiões pagãs do mundo, mais as atuais distorções populares do cristianismo. A maioria das buscadoras simplesmente recolhe e mistura as "melhores partes" de diversas tradições. A pessoa pode iniciar como a meditação budista, depois adicionar a medicina chinesa, Yôga hindu e a iniciação no deserto dos índios americanos chamada de "Busca Espiritual". Algumas dessas combinações se encaixam melhor com as visões das feministas atuais do que outras, porém a maioria envolve o seguinte:
Panteísmo. Tudo é deus. Um espírito, força, energia ou deus(a) permeia todas as coisas, infundindo todas as partes da criação com sua vida espiritual.
Monismo. Tudo é um. Como o deus panteísta é tudo e está em todos, todas as coisas estão conectadas.
Politeísmo. Muitos deuses. Como a força panteísta ou deus(a) torna tudo sagrado, qualquer coisa pode ser adorada: o sol, as árvores, as montanhas e as águias — e inclusive nós mesmos.
Paganismo. Confiar na sabedoria e nos poderes do ocultismo. Em toda a história, xamãs tribais, curandeiros, pajés ou sacerdotes contactaram o mundo espiritual usando rituais e fórmulas mágicas atemporais que são surpreendentemente similares em todas as culturas pagãs do mundo.
Neopaganismo. Novas combinações idealizadas das antigas religiões pagãs. Para tornar o paganismo atraente na atmosfera autofocada dos dias atuais, seus promotores idealizam culturas tribais e religiões pagãs. Em vez de dizer toda a verdade e nada além da verdade, eles nos dizem que forças espirituais vinculam cada pessoa a cada outra parte da natureza. Qualquer mulher pode funcionar como uma sacerdotisa, contactar o mundo espiritual, manipular as forças espirituais e ajudar a criar a paz e a unidade globais.
Portais para a Deusa
Como a maioria dos neopagãos, Daiane acredita que a espiritualidade centrada na terra traga paz e capacitação pessoal. Ela é uma linda moça com cabelos pretos longos, delgada e com a aparência de ser vegetariana. Ela é cabeleireira, é casada, deseja ter filhos e é membro da Assembleia Pagã de San Francisco. Certa vez, enquanto cortava meu cabelo, ela me contou como descobriu a deusa que a capacita.
"— Sempre gostei de ler, especialmente livros sobre magia e feitiçaria." "— Qual era seu favorito", perguntei.

"— Drawing Down the Moon (Baixando a Lua), de Margot Adler. (NT: O título se refere a um ritual da Wicca, em que a sacerdotisa do conciliábulo entra em transe e começa a canalizar mensagens e a representar o papel da deusa.).
"— Esse livro é quase uma enciclopédia sobre feitiçaria. Quantos anos você tinha quando o leu?"
"— Eu estava concluindo o ensino médio."
"— Onde você encontrou o livro?"
"— Na biblioteca. Mas eu já tinha lido alguns outros livros, como Medicine Women, de Lynn Andrews.
Meus pensamentos se voltaram para outra moça que tinha lido esse livro alguns anos antes. A professora de Lori no colegial a incentivou a explorar diversas tradições espirituais — até mesmo a criar sua própria religião. Fascinada com a combinação neopagã da autora Lynn Andrews do xamanismo dos índios americanos com a espiritualidade da deusa, Lori encomendou de um catálogo uma tenda indígena, armou-a em seu quintal e a utilizou para realizar rituais à luz de velas inspirados pela Wicca (magia branca). Como a maioria dos pagãos contemporâneos, ela aprendeu a misturar diversas tradições em uma expressão pessoal que se ajusta à sua própria busca por poder e "sabedoria interior".
Alguns meses antes de Daiane cortar meu cabelo pela primeira vez, eu tinha conhecido uma charmosa aluna da Universidade de Stanford que também chamava a si mesma de pagã. Bete, uma estudante de Pedagogia com Ênfase em Filosofia, tinha lido meu livro sobre espiritualidade ambiental e queria discuti-lo comigo. Um dia, durante um almoço na lanchonete da faculdade, ela compartilhou comigo suas crenças.


"— Quem levou você à feitiçaria e ao lesbianismo?", perguntei após certo tempo.
"— Duas professoras que tive durante o ensino médio", ela respondeu.
Eu não fiquei surpresa. Naquela época, eu já sabia que um número exorbitante de mulheres pagãs escolhem a sala de aula como plataforma para ampliar sua fé e transformar nossa cultura. Como o restante de nós, elas desejam construir um mundo melhor — que reflita suas crenças e valores.
Enquanto Bete falava, observei as joias que estava usando. O pentagrama dourado e a miniatura de uma deusa voluptuosa em uma corrente ao redor do pescoço diziam muito sobre seus valores. Assim também os brincos: dois enormes triângulos cor-de-rosa apontando para baixo, um antigo símbolo da deusa, bem como um moderno símbolo do lesbianismo.

"— E essas suas joias? As pessoas sabem o que o pentáculo e os triângulos simbolizam? Elas criticam você por usar uma miniatura da deusa?"
Ela riu. "— Não, não. Aqui, todos são tolerantes com os estilos de vida dos outros; ninguém ousaria dizer coisa alguma."
Refleti sobre essa afirmação. O que significa ser tolerante — ou intolerante — hoje em dia? Se a intolerância for a postura autocentrada, que despreza as pessoas com valores "diferentes", ela é errada. Jesus Cristo sempre demonstrou amor e compaixão em relação às mulheres excluídas e maltratadas de Seu tempo. No entanto, Ele nunca concordou com estilos de vida destrutivos ou com ações que ameaçassem os demais. O que aconteceria com uma cultura que tolerasse tudo?
Um resultado é óbvio. As três últimas décadas produziram uma abertura sem precedentes para aquilo que era antes considerado como território proibido. A adivinhação, os jogos com temática ocultista, os rituais dos índios americanos e incontáveis outras portas para o paganismo se propagaram desde os quartos secretos dos ocultistas profissionais e dos xamãs indígenas para as salas de aula, para os programas ambientais, para os acampamentos das meninas escoteiras e para as igrejas em todo o país.
Os teólogos "cristãos" mais conhecidos não mais ocultam suas preferências espirituais. "A desconstrução da religião patriarcal — em termos suaves, o suicídio assistido de Deus, o Pai — deixou muitos de nós destituídos de uma divindade", explica a teóloga feminista Mary Hunt. "Mas, a fome humana por valor e significado... encontra uma nova expressão na adoração à deusa."
Essa fome humana por significado e sentido foi planejada para levar as pessoas a Deus. Ele nos criou para que precisemos Dele, não das falsificações criadas pelo homem. Como o filósofo do século 17 Blaise Pascal escreveu: "Há um vazio no formato de Deus em todo coração." Todavia, um número extraordinário de pessoas procura encher esse vazio com substituições sedutoras.
Celebrando a Deusa
Em 2 de junho de 1994, esse desejo espiritual levou centenas de mulheres à Conferência da Renascença do Sagrado Feminino, em San Francisco. Contrariando a proximidade do Solstício de Verão, um vento frio passava pelas paredes de pedra da Catedral da Graça enquanto eu aguardava com a multidão enfileirada nas laterais — e orava.
O frio aumentou. Abotoamos nossas jaquetas e nos agrupamos mais. Algumas mulheres estudavam o programação oficial do evento. A capa mostrava uma deusa sensual dançando diante de um grande círculo — talvez um sol sagrado, ou uma roda budista da vida, ou uma roda da medicina dos índios sioux... Não fazia diferença qual fosse. A deusa do hoje é universal o suficiente para englobar todas as religiões centradas na terra e divindades femininas de todo o mundo.
Um parágrafo introdutório sugeria que essa deusa panteísta unificaria as pessoas e salvaria o planeta:
"Este evento celebra e honra a presença da Mãe Divina no centro da civilização global emergente. O Sagrado Feminino tem um papel central na restauração das nossas mentes divididas e de nosso planeta ameaçado de extinção... Sem a transformação espiritual em uma escala maciça e sem precedentes, a humanidade não conseguirá sobreviver..." Não sobreviveremos sem uma transformação ocultista?

Olhei para os rostos das pessoas que estavam ao meu redor. Elas estavam se tornando impacientes. O horário de entrada, 18h30min tinha passado e os apelos para abrigo no interior tinham caído em ouvidos antipáticos. "Lembrem-se que estamos em um caminho cíclico, não linear como no antigo caminho patriarcal", foi a única desculpa dada. Eu ri, esperando que a espiritualidade da deusa continuasse a se mostrar como de fato é.
Com vinte e cinco minutos de atraso as portas foram abertas e a multidão entrou rapidamente, lotando a enorme catedral episcopal. Enquanto estranhos cantos à Mãe Terra ecoavam entre os pilares góticos, dei uma olhada em uma pequena folha de papel verde que uma pessoa distribuiu na porta de entrada. "Fracasso", estava escrito no meu papel.
Curiosa, voltei-me para a mulher que estava ao meu lado e perguntei: "— O que está escrito no seu papel?"
A mulher leu e respondeu, franzindo a testa: "Escravidão".
"Ah Ma-ma! Ah Ma-ma! Ah Ma-ma..." cantava o Conjunto Coral de Lésbicas de San Francisco.
À medida que outras também começaram a cantar acompanhando o conjunto, imagens da deusa de várias partes do mundo eram projetadas em um telão. As imagens iam de voluptuosas deusas da fertilidade para assustadoras e vingadoras deusas bebedoras de sangue que exigiam sacrifícios humanos.
A deusa supostamente deveria ser gentil e compassiva, pensei comigo mesma. Todavia, em muitos de seus próprios mitos, ela é mais cruel do que se pode descrever com palavras. Lembrei-me da deusa hindu Kali com sua língua sanguinária e seu colar de crânios humanos.
Uma voz invocou a presença da deusa de muitas faces: "Saudações à grande imperatriz que saiu do fogo da pura consciência..." Silenciosamente, continuei a louvar a Deus. Em seguida, Alan Jones, deão da catedral, compartilhou sua satisfação com nossa cultura "pós-tradicional" e "os novos modos e formas de expressar o espírito".
Uma jornada de quatro passos rumo à unidade consciente com esse "sagrado feminino" teve início com a rendição coletiva: "Nós nos curvamos ao teu sagrado poder, à santa sabedoria de Sofia, nossa amada mãe que está no céu e na terra..."
"Nosso Pai que estás nos céus, santificado seja o teu nome...", orei silenciosamente como forma de tapar minha mente aos outros sons.
O segundo passo, Caos e Tribulações, significava experimentar os sofrimentos do nascimento, do útero e da transformação. Fomos instruídas a imaginar a condição escrita em nosso pedaço de papel de cor verde, entrar naquelas trevas, sentir a dor, invocar a deusa-mãe, depois gemer, chorar e se lamentar. À medida que os sons de lamentos pelas dores imaginadas começaram a ser ouvidos por todo o ambiente, continuei a agradecer a Deus por Seu triunfo sobre as trevas.
O terceiro passo, Abraçar e Compreender, ofereceu somente mitos pagãos e afirmações rasas como soluções para os problemas da vida. Uma história sobre a deusa-solar japonesa terminou com uma fútil solução para o medo: um espelho para olhar para sua própria glória.
Exaltação e Transformação, o quarto passo na jornada rumo ao "sagrado feminino, a fonte do nosso ser", foi liderada por Andrew Harvey, um guru para ocidentais que buscam as experiências místicas do Oriente. Como a maioria dos pagãos contemporâneos, ele mistura as crenças e práticas de muitas tradições centradas na terra para criar sua própria expressão. Sua mistura de meditação oriental, feitiçaria ocidental, mistérios do sufismo e Psicologia Junguiana pareciam ter conquistado para ele o status de um mestre reverenciado. Imitando os Dez Mandamentos, ele listou "Dez Sugestões Bastante Firmes". A nona sugestão tipifica o foco sensual do paganismo contemporâneo: As Dez Sugestões Bastante Firmes:

Adore-me... a Mãe. Saiba que eu, a Mãe, sou imanente e transcendente.
Adore todo ser que sente emoções... com minha total ternura.
Atreva-se a adorar a si mesma como minha criança divina.
Saiba... que a natureza é o corpo sagrado da minha vida sagrada.
Saiba que meu amor é eternamente ativo...
Brilhe em todas as quatro direções.
Dissolva todas as barreiras sociais entre seitas e religiões.
Dissolva todas as barreiras entre... o sagrado e o profano.
Descubra e cultive o Eros sagrado em todas suas conexões extáticas.
Saiba que posso ser contactada em qualquer lugar e a qualquer momento por meio de uma sílaba sagrada: 'Ma'. Nenhum intermediário é necessário.

Como Harvey se comunica diretamente com espíritos pagãos, ele recebe os tipos místicos de mensagens que alimentam a rebelião espiritual moderna. Recentemente, a "Mãe Divina" lhe disse que "tudo será transformado quando você conhecer e me ver... Determinei o fim da homofobia. Determinei o fim da razão. Determinei o fim da negação da santidade do corpo.... Determinei o fim da exploração da natureza. Determinei que haverá um jardim..."
A Conferência Sobre o Sagrado Feminino iria continuar por mais dois dias em uma igreja unitariana da cidade, mas eu já tinha visto o suficiente. Dirigindo meu carro de volta para casa, agradeci ao meu Senhor por sua vitória sobre as deidades ocultistas e as forças que elas representam. Somente Ele pode trazer um renascimento da verdade e da luz nessas trevas que estão se propagando.
Olhando Para Frente
Haverá um jardim sob o reinado da deusa? A "Mãe Divina" de Harvey disse que sim, mas quem é ela? Ela sussurra mistérios que o mundo deseja ouvir, mas o que torna seus mitos tão aceitáveis de acreditar — até para líderes de igrejas? O que acontece com as mulheres seduzidas por suas promessas e para aonde ela está levando nossos filhos? O que acontece com as nações que se voltam para "outros deuses" e valores? O que acontece com os cristãos nessas culturas?
Estas e outras questões cruciais são discutidas no restante deste livro. [Nota do Editor: Recomendo a aquisição de A Twist of Faith.] Em cada capítulo, veremos uma frase na oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos, depois mostramos como ela é virada de cabeça para baixo pelo movimento de espiritualidade feminista. Após a estrutura de tópicos da oração a seguir, exploraremos os principais mitos que alimentam o reavivamento pagão da atualidade e as principais verdades que nos levam de volta à intimidade com Deus. Considere as diferenças: Orando a Deus:


Nosso Pai que estás nos céus.
Santificado seja o teu nome.
Venha o teu reino.
Seja feita a tua vontade.
Dá-nos... o pão nosso de cada dia.
Perdoa... como temos perdoado.
Não nos deixes cair em tentação.
Livra-nos do mal.
Pois teu é o reino e o poder.
... para sempre.
Afirmando a deusa:


Nossa Mãe, a Terra.
Sagrado e perfeito eu sou.
Venha a minha visão.
Seja feita a minha vontade.
Eu não dou... eu possuo.
Decido perdoar, ou amaldiçoar.
Tentação? Crio meus próprios valores.
Não existe o pecado, nem o mal.
Meu é o poder.
Nada é permanente ou absoluto.

Para as mulheres que buscam novas direções, rostos femininos para Deus e uma imagem melhor de si mesmas, o caminho da espiritualidade feminista pode parecer brilhante e promissor. Entretanto, como Peggy, muitas se encontram nas profundezas da confusão e da solidão espiritual assim que a euforia inicial acaba. Algumas ficam presas em uma espiral espiritual descendente e da qual não conseguem escapar. Quando já é tarde demais, elas se encontram imersas na opressão e na confusão, em vez de obterem amor e paz.
Uma irmandade global de militantes feministas iradas está ascendendo ao poder. A Conferência Mundial das Nações Unidas Sobre a Mulher, em Pequim, na China, deu uma amostra de sua influência. Ela deu às líderes ordens de marcha destinadas a revolucionar nossos lares, escolas, igrejas, serviços sociais, a sociedade civil e a cultura. Se o movimento feminista receber aquilo que exige, ninguém escapará de sua influência global. Os cristãos enfrentarão o tipo de ódio e perseguição que levou os puritanos à América do Norte, mas não haverá lugar para se esconderem além de Cristo.
Conforme observamos essas transformações à luz da Sua Palavra, Deus nos ajuda a compreender esta crise e a nos prepararmos para o conflito vindouro. Quando confiamos Nele e contamos com Suas promessas, Ele não apenas nos mantém espiritualmente ilesos durante nossa jornada, mas também nos mostra um contentamento e uma vitória que apenas são possíveis para aqueles que ousam enfrentar a realidade, recusam a contemporização e concentram suas mentes em seguir o Sumo Pastor das ovelhas.

http://atthos4.blogspot.com.br/2012/11/a-ascensao-da-deusa-e-espiritualidade.html

http://pvmarques.wordpress.com/

sábado, 19 de janeiro de 2013

A conspiração evolucionista - Parte 1/6 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013



10/12/2012-03h00
Seis passos para felicidade

Recentemente soube que alguns países querem endurecer ainda mais as leis antifumo: não pode fumar no carro, para fumar tem que ter uma carteirinha, quem nasceu a partir do ano 2000 não pode comprar tabaco. Esperamos, com a boca escancarada e cheia de dentes, a morte chegar. Mas, bem saudáveis. Hoje em dia, Raul Seixas vomitaria na plateia.

A "qualidade de vida" é uma das novas formas de puritanismo, sendo o feminismo uma outra (o feminismo é a nova repressão da sexualidade).

A felicidade e o bem-estar são as chaves da vida contemporânea. Vale tudo para ser feliz.

Qualquer discussão moral é pura afetação ética. Uma época dominada pela felicidade é uma época boba. Mas não estou sozinho nesta sensação: Aldous Huxley, escritor inglês, pensava a mesma coisa.

Quando olhamos para a história da ética, vemos que o utilitarismo inglês é o modo dominante da vida contemporânea. Para mim, pessoa um tanto desconfiada de quem passa a vida querendo ser feliz, isso tudo parece "limpinho" como um hospital. Jeremy Bentham (1748-1832), pai do utilitarismo, chegou mesmo a pensar num cálculo utilitário para otimizar a felicidade.

O principio utilitário afirma que o homem foge da dor e busca o prazer (o bem-estar). Logo, devemos fazer uma sociedade que vise produzir em larga escala a felicidade, o prazer e o bem-estar. E chegamos ao nosso mundo de gente que sonha em ficar com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar, mas com saúde. A vida e a sociedade dominadas pela busca do bem-estar parecem tornar o homem menos homem.

O cálculo utilitário tem seis passos: 1. Intensidade: o prazer dever ser o mais intenso possível. 2. Duração: o prazer deve durar o máximo de tempo possível. 3. Certeza: cuidado para não produzir um prazer que não é o que você deseja com aquele ato. 4. "Remoticidade" (remoteness): o prazer deve causar efeito imediato ou o mais rápido possível. 5. Fecundidade: o prazer A deve gerar o prazer A1, o A2 e assim por diante. 6. Pureza: cuidado para não gerar desprazer ao invés de prazer.

Será que você já não põe isso mais ou menos em prática do seu dia a dia? Mas, dirão alguns, Bentham era um controlador, porque ele sempre pensava em termos de um centro (expert) controlando a periferia (as pessoas comuns).

Bentham ficará conhecido como o utilitarista antidemocrático, sendo John Stuart Mill (1806-1873) o utilitarista democrático. De acordo com este, maior representante da segunda geração de utilitaristas, a sociedade (os indivíduos) deve livremente buscar esse prazer.

Mas o que percebemos é que, ainda que Mill falasse muito em liberdade e contra o abuso de poder (cara simpático para a moçada que gosta de falar coisa bonitinha, tipo Obama), não adianta acusar o "centro do poder" de controlador, porque são as próprias pessoas que querem os seis passos para a felicidade de Bentham.

Isso cria o efeito de esmagamento típico do puritanismo de massa em que vivemos: saúde e felicidade. Fizéssemos um plebiscito, quase todo mundo escolheria uma gaiola feliz.

"Comunidade, identidade, estabilidade." O bem é sempre para todos, a identidade é o que nos une, a vida deve ser estável. Slogan que venderia bem no mundo para o qual seguimos a passos largos com esse utilitarismo social em que vivemos, com um controle cada vez maior dos gestos, do pensamento e dos hábitos em nome da "comunidade, identidade, estabilidade".

Esse era o slogan do mundo perfeito que Huxley criticou em seu "Admirável Mundo Novo" (1932), mas podia ser o de qualquer um dos proponentes bonitinhos do controle político da vida em nome do bem.

Louis Pojman, professor de filosofia da Academia Militar de West Point (EUA), chama isso de "tragédia da liberdade".

Toda liberdade pressupõe riscos, e toda sociedade pautada pela felicidade social não suporta a liberdade. Estamos caminhando a passos largos para uma dessas.

Toda a cultura intelectual está infestada de amor à felicidade social e de ódio ao indivíduo. O pesadelo totalitário não passou. Agora ele vem sob o disfarce da opinião pública e da vontade coletiva.


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1198539-seis-passos-para-felicidade.shtml

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013