quinta-feira, 28 de março de 2013

Palestra do professor José Monir Nasser sobre o livro "Como ler livros"
Palestra do professor José Monir Nasser sobre o livro "O Trivium" da irmã Miriam Joseph

quinta-feira, 21 de março de 2013

Joe Egan - Back on the road

domingo, 17 de março de 2013



11/03/2013-03h00
Bigelow na linha de sombra




Vejo você escrevendo em seu gabinete. Você mora num bairro de classe média alta de São Paulo.

Pessoa sofisticada, você tem aquele sentimento que os outros são menos inteligentes do que você, sem deixar ninguém perceber porque está treinado a fingir modéstia.

Agora, imagine que você toma vinho, dá aulas e vê o olhar apaixonado das alunas brilhando ou o olhar convertido dos alunos acreditando piamente nos absurdos que você fala.

Mas você fala apenas absurdos simpáticos à sua própria vaidade ou à vaidade de quem ouve você. Quando ouvimos você falar ou lemos o que você escreve, temos certeza de que você é "ético".

A razão para existir esses intelectuais "para um mundo melhor" é fazer o mundo servir à vaidade deles e de quem se acha tão "ético" quanto eles.

A ética é a baixa escolástica contemporânea: todo mundo fala, mas todos sabem que é "papo furado". Dizer-se ético é "self-marketing".

Você viaja a Paris ou a destinos semelhantes e frequenta universidades, galerias de arte, concertos de música erudita (desculpe, sei que a palavra "erudita" trai meu preconceito contra músicas horrorosas "do povo").

Você recebe inclusive financiamentos públicos para algumas dessas viagens e para escrever livros. E, com isso, espalha pelo mundo as ideias delirantes que tem em seu gabinete.

Basicamente, essas ideias se caracterizam por não terem nada a ver com a realidade, mas portam aquele tipo de aparência que encanta: você é a favor de um mundo melhor e condena todo mundo que sabe que você mente.

Projetando a imagem de um coração puro indignado com a injustiça no mundo, às vezes você até esquece que, talvez, esteja processando alguém da família por um quarto e sala na Praia Grande ou em Higienópolis. Ou que trama contra inimigos ideológicos ou institucionais.

Claro, este fato concreto nada tem a ver com suas firmes ideias de que, se o mundo fosse como você acha, todos seriam felizes e não seriam necessários Exércitos, polícia, advogados, e, principalmente, pessoas que discordam de você.

As guerras acabariam, porque, óbvio, elas existem desde sempre apenas porque você ainda não tinha nascido no passado para iluminar a todos com sua "boa nova".

Ou, quem sabe, conseguiria calar a todos que não acreditam em você, aliás, como acontece normalmente com mimados e vaidosos como você.

Sim, vi o filme "A Hora Mais Escura", de Kathryn Bigelow. Brilhante. Há muito que desconfio que o cinema americano depende de cineastas mulheres para sobreviver à pobreza de espírito, pois grande parte dos homens ficou covarde.

O filme mostra tudo que existe para você e eu tomarmos vinho e viajarmos a Paris sem sermos explodidos por aí. Quem acha que o filme louva os "métodos" da CIA é porque não ainda atravessou aquela "linha de sombra" da qual faz referência o escritor Joseph Conrad: a linha que separa a infância da maturidade, ou, diria eu, que separa a vaidade da verdade.

O filme trata de pessoas que vivem na escuridão e com as mãos sujas, enquanto você posa de limpinho.

Compare este filme com o "Munique", de Steven Spielberg. "Munique" narra um suposto plano para matar os terroristas envolvidos na chacina dos atletas israelenses nas Olimpíadas alemãs.

Spielberg é um dos cineastas frouxos dos quais esperamos que Bigelow nos salve.

Em "Munique" o protagonista (líder do grupo) tem uma crise de consciência ao final e abandona "o barco" da espionagem israelense, se refugiando em Nova York. Muito típico de gente como você.

Compare esse final com o final da protagonista de "A Hora Mais Escura" (a ruiva deliciosa Jessica Chastain). Sozinha, "the girl" (como seus colegas da CIA se referem a ela ao longo do filme) tem um avião só pra ela.

O piloto do avião militar diz: "Você deve ser importante para mandarem um avião só pra você! Disseram para levar você para onde você quiser. Onde você quer ir?". Nossa deliciosa heroína não responde. Olha o vazio e derrama duas lágrimas. Um rosto sem vaidade.

Um filme para gente grande que sabe que o vinho nosso de cada dia custa mais do que o preço que pagamos.


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1243934-bigelow-na-linha-de-sombra.shtml

sábado, 16 de março de 2013



Filodoxia (1)

Segundo Platão, o filodoxo distingue-se do filósofo porque o primeiro acredita que o Conhecimento não é possível, e a única coisa possível e plausível é a [sua] opinião. Um exemplo de um filodoxo muito conhecido foi Bertrand Russell, que através da sua ética, resumia-a à retórica política capaz de convencer as massas. Segundo Russell, a procura da verdade é uma tontice, e por isso a ética resulta somente da capacidade de convencermos os outros das nossas ideias, por mais abstrusas que estas sejam. Segundo Russell, se alguém conseguir convencer [por via da retórica e não por via da lógica] os outros de que um conceito é exactamente o seu contrário, a nova definição do conceito passa a fazer parte da ética validada. Hitler e Estaline não fizeram outra coisa.

Russell não era só um filodoxo; ele era essencialmente uma besta.

A filodoxia não implica a lógica, mas antes uma retórica baseada no princípio da inexistência da verdade. O filodoxo parte sempre do princípio de que não existirão nunca respostas às perguntas que se colocam [pelo menos a algumas delas], e por isso, impõe-se invariavelmente a força da simples opinião pessoal.

O filósofo pensa que todas as perguntas terão necessariamente uma resposta. Naturalmente que há filósofos com maior capacidade de resposta às perguntas colocadas, do que outros ― a inteligência não é igual em todos ―, mas a recusa da possibilidade de existirem perguntas sem resposta, caracteriza o filósofo. E uma vez que não podem existir perguntas sem resposta, todas as questões colocadas pelos outros são meticulosamente analisadas, o que implica que o filósofo não se feche dogmaticamente nas suas opiniões sacralizadas, mas o que não significa que assimile as opiniões dos outros sem uma crítica lógico-formal.

Outra característica do filodoxo é que invariavelmente toma a parte [a que lhe convém], pelo todo. Dou um exemplo:

Baseando-se na teoria da relatividade de Einstein, um filodoxo meu amigo disse-me que a própria ciência provou que todos os conceitos em que entrem determinações espaço-temporais se tornam relativos, e portanto, essa relatividade da natureza condiciona o próprio ser humano como observador da realidade. O relativismo ético-ideológico humano estaria, assim, intrinsecamente ligado à própria realidade natural e relativa cientificamente comprovada.

Contudo, esse filodoxo recusou-se a incluir nas suas cogitações o facto de a teoria da relatividade admitir a existência de leis, expressas por equações diferenciais, que permitem passar de um sistema de referência para outro ― o que significa que se não existe uma uniformidade dos fenómenos na própria realidade, existem contudo leis físicas que permitem relacionar fenómenos percebidos de forma diferentes [vide Fenomenologia: “intersubjectividade”]. A esta capacidade de relacionação dos fenómenos percebidos subjectivamente [relativisticamente], consiste a Razão. Portanto, tudo aquilo que “é relativo” só o é na ausência da Razão, isto é, o relativismo entendido como sendo desprovido de uma super-estrutura que o regule, é irracional.

De certa maneira, um filodoxo é um céptico em relação a todas as ideias excepto em relação às suas próprias ideias; o filósofo é um céptico em relação às ideias dos outros e em relação às suas próprias ideias, mas não duvida que as respostas às perguntas indicam o caminho que conduz à verdade.

http://espectivas.wordpress.com/2009/03/23/filodoxia-1/
Por que a esquerda é co-responsável pela criação de uma cultura de violência contra professores nas salas de aula de escolas públicas?

Banheiros incendiados, paredes destruídas e armas apreendidas se misturam a hematomas, fratura e depressão. Só na capital paulista mais de 70 mil servidores da educação estão afastados em consequência de estresse. Mas este não é um problema exclusivo da rede pública. Marcados pela violência, muitos dos que sonharam dedicar a vida ao ensino abandonam a carreira.

Meus comentários

Claro que nem todo professor é esquerdista, embora as escolas sejam um território para este tipo de doutrinação. Eu seria injusto (e faltaria com a verdade) se dissesse que todo professor é um ator na estratégia gramsciana. Existem muitos professores que não compactuam com o esquerdismo e estão fora desta minha análise.

Mas não posso deixar de notar a ironia ao ver que no ambiente escolar, onde se criou uma cultura de esquerdismo que contaminou a sociedade (com esta cultura sendo convertida em políticas públicas esquerdistas), professores tem sofrido as consequências do monstrinho criado por lá.

Em uma cultura de humanismo/esquerdismo, as pessoas que vivem sob este paradigma não estão mais aptas a acharem culpas em seus atos, logo são sempre inocentes de forma apriorística, em sua visão de mundo. Se a culpa está sempre no outro (geralmente o da “outra classe”, em termos marxistas), um comportamento beirando a sociopatia, mesmo em pessoas que não tenham nascido psicopatas, é o esperado.

Como se isso não fosse o suficiente, ainda temos o culto às escolas públicas, onde pessoas são lançadas em um ambiente onde recebem em muitos casos uma educação vagabunda, apenas por mera formalidade (e não aprendem absolutamente nada), de forma a aumentar o “count” de pessoas que recebem “a educação”. Assim como nos Estados Unidos, a educação pública, na maioria dos casos, é uma ilusão.

Um sistema de vouchers, no qual os alunos disciplinados tivessem a garantia de estudarem em escolas particulares, poderia ser muito mais salutar. Este tipo de voucher poderia ser fornecido de acordo com a disciplina do aluno para escolas de graus diferentes de nível e custo, de modo que existiriam opções para muitos. E, em caso de escolas particulares, o aluno poderia ser expulso, portanto teria que ter um comportamento adequado. Mas, é claro, esquerdistas arrepiarão ao ouvir uma proposta assim, e olhem que nem estou defendendo a extinção de escolas públicas, mas a priorização por outros modelos.

Seja na criação de um sistema de escolas públicas falido, como na criação de uma cultura de pessoas que jamais aceitam suas culpas, esquerdistas contribuíram para tornar o ambiente escolar público praticamente um inferno. Algumas boas cabeças que lá adentram serão, aos poucos, corrompidas pelas maçãs podres, que, em caso de menoridade, não podem nem sequer receber punição.

Só é uma pena que existam professores não-esquerdistas que sejam agredidos, pois os não-esquerdistas não buscaram criar uma sociedade de pessoas “inocentes por princípio”, e portanto mentalmente formatadas para fazerem o que lhes der na telha. Longe de eu defender a agressão a professores esquerdistas (que, como cidadãos, também devem ser protegidos pela lei de serem agredidos), mas pelo menos no caso de agressão a estes eu poderia dizer-lhes: “Ei, solidarizo-me com o que lhe ocorreu, mas você é co-responsável por isso…”

http://lucianoayan.com/2013/03/16/por-que-a-esquerda-e-co-responsavel-pela-criacao-de-uma-cultura-de-violencia-contra-professores-nas-salas-de-aula-de-escolas-publicas/

quarta-feira, 6 de março de 2013


Billie Jean

Escrito por Ricardo Hashimoto | 05 Março 2013
Artigos - Cultura



O controle psicológico, por meio da educação, da mídia, da gestão de empresas e do controle social, conduz a uma sociedade igualmente totalitária, na qual os modos primitivos de controle foram substituídos por técnicas não aversivas.




Em seu hit Billie Jean, Michael Jackson canta “Be careful of what you do ‘cause the lie becomes the truth” (Cuidado com o que você faz, porque a mentira vira verdade). Ou, como se dizia antigamente, “quem não vive conforme pensa, acaba pensando conforme vive”.

Boas frases para definir a “dissonância cognitiva”, técnica de manipulação psicológica em que, por exemplo, o manipulador constrange você, num contexto de liberdade relativa, a agir contra os seus princípios, o que faz com que você modifique os seus valores para diminuir a tensão que o oprime.

Esta e diversas outras formas de engenharia comportamental – friamente concebidas e cruelmente aplicadas, destinadas à lavagem cerebral – são descritas por Pascal Bernardin no livro
Maquiavel Pedagogo, importante lançamento das editoras Vide Editorial e Ecclesiae, obra imprescindível para quem quer entender por que o sistema educacional mundial (com raríssimas exceções) não tem mais o objetivo de ensinar (o ensino, agora, deve ser “não cognitivo”), mas de servir de instrumento de uma revolução cultural e ética cujo propósito é mudar os valores e criar o cidadãozinho bem-comportado da Nova Ordem Mundial (leia-se ditadura global).

Amplamente documentado, o livro mostra como UNESCO, Conselho da Europa, Comissão de Bruxelas e OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) promovem uma revolução pedagógica visando criar uma nova sociedade, numa sofisticada reapresentação da utopia comunista (não devemos nunca nos esquecer do aviso de Fátima: “a Rússia espalhará os seus erros pelo mundo”). A partir de uma mudança de valores, da manipulação da cultura e da modificação das atitudes e dos comportamentos pretende-se fazer a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social.

Para atingir este objetivo são usados os resultados de pesquisas pedagógicas obtidos pelos soviéticos e pelos criptocomunistas norte-americanos e europeus. São utilizados métodos ativos para inculcar, nos estudantes (e, de modo mais geral, em toda a sociedade), valores, atitudes e comportamentos definidos de antemão. Os traços mais relevantes dessa revolução pedagógica são: testes psicológicos (em grande escala), subordinação do ensino livre, anulação da influência da família e informatização mundial das questões do ensino e o censo de toda a população escolar e universitária.

Assim deve ser, segundo tais planejadores, a educação futura: para a massa, o ensino não cognitivo, pura doutrinação esvaziada de toda substância intelectual; para a elite, uma verdadeira formação intelectual necessária ao trabalho mental (não isenta da doutrinação comuno-globalista). Tudo isso visando criar a sociedade dual, em que só existirão duas classes: dirigentes e dirigidos, elite e povo, senhores e escravos.

É este o objetivo do livro: demonstrar que não existe qualquer contradição entre democracia aparente e socialismo (ante-sala do comunismo, segundo Olavo de Carvalho). O socialismo não é um sistema econômico, mas um sistema social, que pode acomodar-se ao capitalismo, para dele se livrar, se necessário, quando a revolução psicológica tiver sido concluída. O controle psicológico, por meio da educação, da mídia, da gestão de empresas e do controle social, conduz a uma sociedade igualmente totalitária, na qual os modos primitivos de controle foram substituídos por técnicas não aversivas, das quais o povo não tem conhecimento. Manipulado, ele não percebe que o seu comportamento é controlado, de modo diverso, com mais eficácia do que num sistema totalitário, no qual a sua revolta latente haveria de lhe garantir a sua última proteção psicológica.

Não se deixe manipular – leia urgentemente este livro. (Que, a bem da verdade, devia ter chegado antes, pois o original é de 1995. Mas, antes tarde do que nunca. Parabéns à Vide Editorial e à editora Ecclesiae.)

E, acima de tudo, viva conforme pensa, senão... (Be careful of what you do, otherwise...).


Ricardo Hashimoto é engenheiro e coach.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/13913-billie-jean.html

domingo, 3 de março de 2013



Doutrinação Ideológica Escolar:
Apostila Objetivo 2012


Escrito por Klauber Cristofen Pires | 02 Março 2013
Artigos - Educação

Mais um atento - e atencioso - leitor, o estudante Gustavo Milano Beserra, trouxe-nos uma nova denúncia sobre doutrinação ideológica em livros didáticos. Desta vez, trata-se da apostila pré-vestibular do curso Objetivo 2012.

Meus caros - façam assim mesmo como ele fez: fotografou as páginas e destacou os trechos considerados tendenciosos com caneta marca-texto.

E agora, sem delongas, vejamos o que diz a apostila, a começar pela página 54, transcrito abaixo:



"Além de fornecer os funcionários preferidos ao Estado, o clero encarregou-se de fazer a análise das relações sociais do feudalismo. Insistia que a sociedade tinha um caráter estático por determinação divina, cabendo a cada um viver dentro da posição que lhe fora determinada por Deus. Essa visão enquadrava-se perfeitamente dentro dos interesses dominantes do mundo feudal."

Agora teremos um caso recorrente de como um único parágrafo contendo inverdades muitas vezes exige uma longa exposição refutativa. Comecemos a avaliá-lo não por sua substância, mas pelo seu espírito: o que temos acima é uma versão da história revisada segundo a teoria marxista da superestrutura e da infraestrutura. Notem como a desonestidade intelectual já se infiltra, sorrateiramente!

Karl Marx defendia que a “infraestrutura”, isto é, o modo de produção dos meios materiais de existência, condiciona todo o processo da vida intelectual, social e política, ou seja, a “superestrutura”, sendo esta, por sua vez, não mais que um conjunto de discursos cujas intenções remetem à defesa dos interesses da classe dominante.

Para refutar tamanha bobagem, cito Ludwig von Mises, Olavo de Carvalho e Nivaldo Cordeiro:


De Mises:


É um paradoxo afirmar que uma doutrina falsa possa ser mais útil do que uma doutrina correta.

Os homens usam armas de fogo. Para aprimorá-las, desenvolveu-se a balística. Mas é claro que, precisamente porque desejavam uma maior eficácia, fosse para caçar animais, fosse para se matarem uns aos outros, procuraram desenvolver uma teoria balística correta. De nada serviria uma balística meramente "ideológica".


De Olavo de Carvalho:


Como será que, pensando por exemplo na embriologia dos gatos ou na lei de queda dos corpos, posso produzir um discurso que, no fim das contas, nada diz sobre gatas prenhes ou bolas que caem, mas apenas afirma o direito que minha classe social tem de viver no bem-bom à custa da exploração das outras classes?

De Nivaldo Cordeiro:


O fundamental é que ocorre precisamente o contrário da primeira assertiva – a de que a infraestrutura determina a superestrutura. Não é casual que o capitalismo é gestado no Ocidente judeu-cristão e isso Marx não poderia ter colocado em evidência, tão prisioneiro que estava em seus esquemas mentais de ódio a tudo que fosse religioso.
...

A notável contribuição de Peyrefitte é deslocar a discussão da Economia para a Etologia na definição do determinante para a decolagem do processo de desenvolvimento. O fundamental é a criação de um ambiente de confiança na relação entre os indivíduos e o Estado e entre os próprios indivíduos.

Vamos agora à matéria: será verdadeiro que a Igreja Católica se ocupava de manter a sociedade em um permanente estado estático para defender os interesses dominantes do feudalismo? Aos fatos:

O método das partidas dobradas, que até os dias atuais estrutura toda a Contabilidade, foi criado pelo monge franciscano Luca Pacioli, em 1494. A “solmização”, ou seja, a nomenclatura das notas musicais – dó, ré mi, fa, sol, la si, foi criada pelo monge Guido A’rezzo, no séc. XI. O Professor Thomas Woods Jr (Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental – Ed. Quadrante) nos revela que, ao longo do medievo, os monges e Padres drenaram os pântanos europeus, irrigaram terras secas e trataram das rochosas e montanhosas, transformando-os em lugares sãos para moradia e prósperos para a agricultura e criação de animais. Foram os pioneiros na produção de vinho, cerveja e mel, e inventaram queijos, bebidas (olha o champagne aí, gente) e métodos de conservação de alimentos. Exploraram a energia hidráulica e levaram água potável para as cidades. No Século XI, um monge chamado Eilmer voou mais de 180 metros em um planador. O primeiro relógio que se tem notícia foi criado pelo futuro Papa Silvestre II, aproximadamente no ano 996. Pesquisas antropológicas em ruínas de altos-fornos construídos pelos monges revelaram uma quantidade muito baixa de ferro, comparável aos dos dias atuais, o que testemunha seus elevados conhecimentos de metalurgia. Os jesuítas contribuíram para o desenvolvimento dos relógios de pêndulo, pantógrafos, barômetros, telescópios refletores e microscópios, e trabalharam em campos científicos tão variados como o magnetismo, a ótica e a eletricidade. Observaram, em muitos casos antes de qualquer cientista, as faixas coloridas na superfície de Júpiter, a nebulosa de Andrômeda e os anéis de Saturno (p. 94 e 95). Estudaram a circulação sanguínea, as marés e introduziram os sinais mais e menos na matemática. Os princípios jurídicos do Devido Processo Legal, do contraditório e da ampla defesa provém do Direito Canônico, e a teoria econômica subjetiva do valor teve sua semente plantada pelos escolásticos tardios espanhóis. Basta? Pois tomem o tiro de misericórdia: foi a Igreja Católica quem inventou o sistema universitário e com ele o princípio da autonomia acadêmica. Segundo o Professor Thomas Woods Jr, obra citada:

Nos Tempos da Reforma, havia oitenta e uma universidades. Trinta e três delas possuíam estatuto pontifício; quinze estatuto real ou imperial; vinte gozavam de ambos, e treze não tinham nenhuma credencial (p. 47)

Possuir estatuto pontifício significava que os diplomas dos bacharéis eram aceitos como válidos em toda a cristandade, ao passo que o estatuto real ou imperial conferia o reconhecimento dos diplomas dentro das fronteiras nacionais.

Agora, responda quem for capaz: Como poderia ser estática uma sociedade com tantas universidades - e universidades onde professores e alunos estudavam verdadeiramente - e tantas invenções?


Sigamos avante, agora à página 55:


“Não podemos esquecer o fato de que a Igreja foi a grande mantenedora da cultura durante o Período Feudal, apesar de o fazer de forma que justificasse suas ideias e dogmas”.

Notemos o erro de concordância “apesar de o fazer” com “foi a grande mantenedora...” . Estamos falando aqui de uma apostila de pré-vestibular! Ora, mas que preciosismo de minha parte, não é mesmo?

Voltemo-nos então ao cerne da questão, mas antes aqui permitam-me apresentar o que chamo de paradoxo da teoria marxista dos conceitos de infra-estrutura e superestrutura: em uma sociedade livre, como a Ocidental, é certo admitir que certos discursos pretendam defender interesses, seja de forma ostensiva ou dissimulada. O erro de Karl Marx, além de ter olhado o cu da minhoca e concluir ter ali visto sua cabeça, foi sentenciar unilateralmente que todo e qualquer discurso seja eivado de intenções inconfessas de um pensamento classista por parte do interlocutor. Tome-se por exemplo primordial sua própria biografia, eis que o barbudão jamais foi operário. Todavia, a história nos tem mostrado que o contrário é que é verdadeiro, ou seja, que absolutamente toda e qualquer forma de pensamento expressa nos diversos regimes socialistas sempre foi submetida ao prévio crivo censor ideológico. Portanto, é justo afirmar que nos regimes socialistas prevalece, sim, a existência de uma rígida “superestrutura” que tem por único objetivo manter a “infraestrutura” do sistema de produção coletivista estatal.

Bem diferentemente, a Igreja Católica desenvolveu a escolástica, um método que consistia fundamentalmente em contrapor e defender com toda a honestidade possível todos os prós e contras acerca de qualquer teoria.

Assim nos ilustra Thomas Woods Jr:

Contrariando a impressão geral de que as pesquisas estavam impregnadas de pressupostos teológicos, os estudiosos medievais tinham um grande respeito pela autonomia de tudo quanto se referisse à filosofia natural,...

Edward Grant (Deus e a razão na Idade Média, apud Woods), p. 53:

“exigia-se dos filósofos naturais das faculdades de artes que se abstivessem de introduzir teologia e temas de fé na filosofia natural”

Mais ainda, de Woods:

Um irmão dominicano pediu a Alberto Magno, o mestre de São Tomás de Aquino, que escrevese um livro de física que os pudesse ajudar a entender as obras de física de Aristóteles. Temendo que esperassem um trabalhgo entremeado de ideias teológicas, Alberto magno rejeitou antecipadamente a ideia, esclarecendo que as ideias teologicas pertencviam aos tratados de teologia, e não aos de física. P. 54/55.

Vamos em frente? Peguemos a página 73:



A Contrarreforma

“Conjunto de medidas destinadas a combater o protestantismo, por meio da educação, da catequese e da Inquisição. No primeiro caso, o que se pretendia era difundir o ensino nas regiões atingidas pela Reforma, de modo a recuperar pelo menos as novas gerações. No segundo caso, a intenção era conseguir novos adeptos para a Igreja nas terras recém-descobertas no Novo Mundo; neste caso, converter os índios era uma maneira de combater os protestantes. Finalmente cabia à Inquisição (Ou tribunal do Santo Ofício) perseguir, nos países que ainda não tivessem sido dominados pela Reforma, os adeptos das novas doutrinas. A perseguição era feita de maneira cruel e servia aos propósitos do poder político nos Estados em que ela se realizou (Espanha, Portugal e Itália).”

Expor ao estudante leigo um fenômeno complexo como o foi a Contrarreforma com o simplismo maniqueísta do parágrafo acima remete-nos novamente ao flagrante da desonestidade intelectual.

Os autores citam a educação e a catequese com a denotação de ilegítimas, antiéticas, imorais e reacionárias. Desde quando transmitir ideias pacificamente pode ser considerado imoral ou ilegítimo? Ora, a Igreja sempre se imbuiu de sua função missionária, porquanto este parágrafo dá a entender, absurdamente, que passaram a ser realizadas como uma resposta aos movimentos protestantes. No Brasil, milhares de indígenas foram libertados da ignorância neolítica e abandonaram costumes bárbaros como o infanticídio e a antropofagia para se tornarem seres humanos civilizados, produtivos e pacíficos, e os jesuítas aqui não se armavam mais do que com a Bíblia e outros livros, tendo acontecido até mesmo o caso de alguns terem virado almoço.

Quanto a servir “aos propósitos do poder político nos Estados em que ela se realizou (Espanha, Portugal e Itália)”, vale lembrar que a história é repleta de casos que testemunham justamente o contrário: o Padre dominicano Francisco de Vitoria (1485-1546), que foi quem começou a tradição escolástica espanhola de denunciar a conquista e particularmente a escravização dos índios pelos espanhóis no Novo Mundo; em 1598, o Padre Juan de Mariana publicou sua obra De rege et regis institutione (Sobre o rei e a instituição real), na qual ele afirmava que qualquer cidadão poderia justificadamente matar um rei que criasse impostos sem o consentimento das pessoas, confiscasse a propriedade dos indivíduos e a desperdiçasse, ou impedisse a reunião de um parlamento democrático; o rei Henrique VIII fundou o Anglicanismo porque foi desautorizado pelo Papa Clemente VII a divorciar-se de Catarina; e sem esgotarmos os nossos exemplos, cito ainda o Marquês de Pombal, que desapropriou inúmeras terras e edifícios da Igreja Católica (entre os quais cito o Convento dos Mercedários, em 1794, onde hoje funciona a Alfândega do porto de Belém) e substituiu compulsoriamente o ensino religioso pelo ensino estatal, o que gerou a revolta e inconformidade de praticamente toda a sociedade.

Quanto à legação de uma sanha persecutória e violenta aos adeptos das novas doutrinas, recorro ao filósofo Olavo de Carvalho, que nos ensina, por seu artigo
Ludibriando os católicos:

Não deixa de ser útil lembrar que a Igreja, desde sua fundação, teve de lutar menos contra os seus inimigos ostensivos do que contra os seus falsificadores. Tal é, aliás, a definição de "heresia", palavra que hoje tantos usam sem conhecer-lhe o significado: não qualquer doutrina anticatólica, ou não católica, e sim a falsa doutrina católica oferecida indevidamente em nome da Igreja. Lembrem-se disso quando algum professorzinho aparecer alardeando que a Igreja "perseguia doutrinas adversas". Heresia não é divergência de idéias, é crime de fraude. Da Antigüidade até hoje, gnósticos, arianistas e tutti quanti jamais hesitaram em fingir-se de católicos para vender, sob roupagem inocente, as idéias mais opostas e hostis aos ensinamentos de Cristo. Com freqüência, obtiveram nesse empreendimento sucessos espetaculares, embora passageiros. Ainda no século XIX praticamente todos os seminários da França e da Alemanha ensinavam, com o nome de teologia católica, uma pasta confusa de idéias cartesianas, iluministas e românticas, na qual os jovens aprendizes, iludidos pelos prestígios intelectuais do dia, não enxergavam nada de maligno. Foi só a decisiva intervenção do Papa Leão XIII que acabou com a palhaçada, mediante a bula "Aeterni Patris" (1879), que restaurou o ensino da teologia católica tradicional. Se quiserem uma boa resenha desses fatos, leiam a obra em quatro volumes de Etienne Couvert, "De la Gnose à l'Ecumenisme" (Éditions de Chiré, 1989). (Os grifos são meus.)

Já Marcelo Moura Coelho, em
Sofismas Seculares, esclarece brilhantemente o papel da Inquisição, do qual transcrevo abaixo os excertos mais importantes:

A Inquisição foi criada no séc. XII. Qualquer um que conhece um pouco de História sabe que os onze primeiros séculos da era cristã foram recheados de heresias, como o nestorianismo, o monofisismo e o arianismo. Contra esses grupos, a Igreja aplicava apenas penas espirituais. Ora, se a heresia dos cátaros não foi a primeira nem em termos cronológicos, nem em importância, por que, então, a Inquisição foi criada para combatê-la? Por que foi a primeira vez que penas físicas foram aplicadas? Porque, como eu falei em meu outro artigo, mais que mera heresia doutrinária, os cátaros eram um problema de Estado.

“Considerando a matéria por si os cátaros rejeitavam não somente a face visível da lgreja, mas também instituições básicas da vida civil - o matrimônio, a autoridade governamental, o serviço militar - e enalteciam o suicídio. Destarte constituíam grave ameaça não somente para a fé cristã, mas também para a vida pública... Em bandos fanáticos, às vezes apoiados por nobres senhores, os cátaros provocavam tumultos, ataques às igrejas, etc., por todo o decorrer do séc. XI até 1150 aproximadamente, na França, na Alemanha, nos Países-Baixos...”

“As heresias que surgiram no século XI (as dos cátaros e valdenses), deixavam de ser problemas de escola ou academia, para ser movimentos sociais anarquistas, que contrariavam a ordem vigente e convulsionavam as massas com incursões e saques. Assim, tornavam-se um perigo público”.

Por causa disso, “O povo, com a sua espontaneidade, e a autoridade civil se encarregavam de os reprimir com violência: não raro o poder régio da França, por iniciativa própria e a contra-gosto dos bispos, condenou à morte pregadores albigenses, visto que solapavam os fundamentos da ordem constituída”.

Isso sem contar os casos de monarcas que eram inimigos da Igreja, como Frederico II e Henrique II, que combateram as heresias ferozmente, na maior parte dos casos, para ganhar os bens que eram confiscados dos hereges. Está aí, portanto, de maneira clara, diria até cristalina, que a Igreja nunca desejou a morte de quem, simplesmente, dela discordasse. Da situação exemplificada por esses monarcas tira-se outra conclusão: a de que o poder civil estava matando hereges sem qualquer tipo de julgamento. Não tenho dúvidas de que se a Igreja nada tivesse feito, hoje Ela seria acusada de omissão.

Antes da Inquisição, os cátaros eram mortos sem qualquer julgamento pelos nobres ou linchados pela própria população. Às vezes bastava a mera suspeita de heresias para que o acusado fosse linchado. Depois da Inquisição foi criado um procedimento (que, aliás, ainda é praticamente o mesmo que é utilizado em inquéritos policiais no mundo ocidental), onde se coletavam provas sobre o envolvimento da pessoa em heresias e lhe concedia o direito de se defender.

Nesse ponto, minha opinião sobre a Inquisição é semelhante à opinião que o filósofo Olavo de Carvalho, editor deste site, tem sobre a ditadura militar brasileira. O filósofo diz que frente à situação que se montava na época, praticamente de pré-guerra civil, a ditadura militar, apesar de todas as suas falhas, foi melhor que o banho de sangue que ocorreria se a guerra civil se tornasse uma realidade.

Claro que, apesar do procedimento criado pela Inquisição ser justo na maioria das vezes, ocorriam injustiças, fato, aliás, que é notório para a própria Igreja, já que Ela mesma ensina, alicerçada nos ensinamentos de Cristo, que todos nós somos pecadores (incluindo o presidente Lula que diz ser um homem sem pecado). Mas, ao contrário do mito, as injustiças são a minoria dos casos. Além disso, ao contrário do que Cristaldo pensa, os inquisidores não eram pessoas com instinto homicida que saíam por aí matando hereges. Bernard de Gui, um dos mais famosos e severos inquisidores escreveu que:

“O Inquisidor deve ser diligente e fervoroso no seu zelo pela verdade religiosa, pela salvação das almas e pela extirpação das heresias. Em meio às dificuldades permanecerá calmo, nunca cederá à cólera nem à indignação... Nos casos duvidosos, seja circunspecto, não dê fácil crédito ao que parece provável e muitas vezes não é verdade, - também não rejeite obstinadamente a opinião contrária, pois o que parece improvável freqüentemente acaba por ser comprovado como verdade... O amor da verdade e a piedade, que devem residir no coração de um juiz, brilhem nos seus olhos, a fim de que suas decisões jamais possam parecer ditadas pela cupidez e a crueldade”.

A ausência de instinto homicida nos inquisidores também é defendida por James Hitchcock, professor de história na Universidade de Saint Louis que, baseado nos livros, Inquisition de Edward Peters, The Roman Inquisition and the Venetian Press de Paul F. Grendler, The Prosecution of Heresy de John Tedeschi e The Spanish Inquisition de Henry Kamen, afirma que os inquisidores eram legisladores e burocratas profissionais que se aderiam a regras e procedimentos, ao invés de se deixarem levar por sentimentos pessoais. Além disso, os procedimentos em si não eram injustos e os veredictos que se seguiam geralmente eram justos. As torturas eram usadas apenas num pequeno número de casos. As condenações à morte foram dadas em apenas 2% dos casos.

Por fim, apresento aos leitores o cúmulo da safadeza, à página 135:

“Cristo e Marx, dois judeus, pregavam a igualdade entre os homens e a resignação, ideias que Hitler considerava nocivas ao povo alemão.”

Eu francamente desejaria não ter de estender-me ainda mais para refutar uma afirmação tão ridícula. E olhem, mais uma vez, como pequenas idiotices nos consomem tantas pautas para serem desmascaradas.

Para começar, nem Jesus nem Marx foram judeus, no sentido étnico-religioso. Ao contrário, o Cristo nos trouxe a Revelação, que contrariou a tradição dos doutos da lei e que por isto mesmo lhe custou o madeiro infame. Quanto a Karl Marx, este homem era ateu e dedicou-se no último quartel de sua vida ao culto de rituais satânicos. Mormente, nenhum dois pregava a igualdade, pelo menos a igualdade material, como pretendem sugerir os autores: Cristo pregava a igualdade espiritual, isto é, a Graça de todo ser humano perante Deus, enquanto Karl Marx pregava a revolução operária, tendo várias vezes defendido o extermínio de mexicanos, irlandeses, poloneses e outros que não tivessem ainda alcançado a etapa capitalista. Os pobres, estes eram “lixo” (lumpen). Finalmente nenhum dos dois era resignado nem pregou a resignação. Cristo ensinou sim a mansidão e a paciência, mas não a resignação niilista e fatalista. Karl Marx, por sua vez, pregou a revolução violenta, a ditadura do proletariado e o extermínio de raças inferiores e dos indivíduos incapazes ou de qualquer modo inúteis para o estado.

Prezados pais e mães, professores e alunos, e leitores interessados: esta crítica não foi exaustiva. Há ainda outras páginas que omiti por razões de espaço ou porque a doutrinação ideológica estava tão bem dissimulada que me exigiria um verdadeiro exercício para desenovelá-la.

Contudo, o que se apresentou, creio ter sido o bastante para alertar sobre as más intenções dos autores. Nós precisamos acabar com isto! A mera divulgação deste artigo por quem se dispuser a tal mister já é de um grande auxílio para pormos fim à doutrinação ideológica escolar.


http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/13904-doutrinacao-ideologica-escolar-apostila-objetivo-2012.html

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013



Uma nova ciência moral

DE SÃO PAULO



Ouvi uma dessas mulheres livres, dona de seu nariz e de seu corpo, dizer: "Que falta que faz um canalha!".

Recentemente, um grande especialista e prático da alma humana, um terapeuta, me dizia se escandalizar com o fato de que mulheres inteligentes e emancipadas falam em consultórios de psicanalistas que querem que os homens as chamem de cachorras e as tratem como vagabundas na cama.

Como se escandalizar com o óbvio? Quem foi que disse que as mulheres não gostam de se sentirem vagabundas no sexo? Só quem, mui catolicamente, imaginou que querer ser tratada como vagabunda no sexo fosse fruto de opressão machista. Risadas?

O que é um canalha? Refiro-me ao conceito de canalha. Um kantiano diria "o canalha em si".

Claro, kantianos são pessoas que pensam que o mundo é o que eles pensam que é; no fundo, o kantiano é um puritano da razão aos olhos de qualquer cético. Sua "crítica da razão prática" nada mais é do que um canto monótono semelhante aos cantos das igrejas calvinistas.

Qualquer um sabe que canalhas evoluem historicamente, como tudo mais. O grande personagem Palhares, do Nelson Rodrigues, esse filósofo brasileiro, é um tipo de canalha que não existe mais: o canalha romântico e sincero (que faz falta), apesar de que ele já identificara a necessidade de o canalha evoluir. Diriam os especialistas que Palhares tinha um claro "senso histórico".

Palhares mordeu o pescoço da cunhada caçula no corredor. E cunhadas gostosas são o segredo de um bom casamento. Palhares dizia que um canalha em sua época, os anos 1960, deveria evoluir para continuar a ser um bom canalha.

No caso dele, isso significava assimilar os avanços da psicologia, levando suas vítimas para terapias de nudez e também para reuniões do Partido Comunista. Um canalha, afinal, deveria estar em dia com a sua época.

Importantíssimo, no entendimento de nosso querido Palhares, seria um canalha entender que ser católico não ajudava mais ninguém a pegar mulher porque assustaria a presa. A sinceridade do Palhares estava no fato de ele se reconhecer canalha por vontade própria.

Hoje em dia, o canalha "avançou" muito. Ele identifica "causas externas" para sua condição de canalha, ou, melhor ainda, não reconhece sua condição de canalha; julga-se apenas um homem cumprindo seu "papel social".

Imagine um livro chamado "Tipologia do Canalha: Como Identificar o Seu". Puro best-seller!

Por exemplo, o livro descreveria o canalha institucional, que é o canalha que faz suas baixarias dizendo que é em nome do coletivo.

Normalmente, adora a hierarquia e a burocracia.

É o tipo que, segundo o psicólogo americano Philip Zimbardo, autor do excepcional livro "O Efeito Lúcifer" (Record), se adaptaria bem às condições de horror em sistemas totalitários com justificativa institucional. Sentiria que o horror que causa é simplesmente fruto de respeito à burocracia.

Existem também os canalhas sociais. Estes são aqueles que justificam seus atos via condições sociais em que vivem, dizendo coisas como "a escola em que estudei fez de mim um canalha, por mim seria diferente".

Conhecemos também os canalhas democráticos. Estes são aqueles que justificam seus atos porque combatem em defesa do povo. Este tipo é aquele que, por exemplo, sustenta a corrupção do Estado dizendo que está lutando pela justiça social.

Primo de primeiro grau deste último é o canalha militante, este tipo que agrediu a blogueira cubana Yoani Sánchez, acusando-a de ser paga pela CIA. A marca deste é jamais ouvir nada que discorde de sua religião.

Há também o canalha científico. Este afirma que as neurociências provaram que ser canalha é função de certa área do cérebro, resultado de herança evolucionária e genética.

Um tipo especialmente "fofo" é o canalha livre. Suspeito ser este o mais avançado de todos.

Quando indagados acerca de seu comportamento, afirmam que agem do modo que agem porque sempre foram uma minoria oprimida e agora podem exercer sua canalhice livremente. A frase lapidar deste tipo de canalha é: "Todos têm direito de ser o que são; eu tenho o direito de ser canalha".


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1236284-uma-nova-ciencia-moral.shtml






sábado, 23 de fevereiro de 2013


Doutrinação ideológica escolar:
pais, tomem uma atitude!

Escrito por Klauber Cristofen Pires | 23 Fevereiro 2013
Artigos - Educação

Caros amigos leitores,

Como vocês sabem, não confio na blogueira Yoani Sánchez. Dados os indícios que já vos apresentei em outros artigos, tenho-a como uma agente de desinformação do regime comunista cubano. No entanto, nada me faria unir-me aos brucutus que por meio da gritaria, da intimidação e até mesmo da violência têm logrado calar a sua voz.

Vocês sabem de onde vêm estes jovens fanatizados e embrutecidos? Da escola!

Meus amigos: o PT e seus aliados - todos os partidos satélites de esquerda - fazem propaganda eleitoral permanentemente, e com dezesseis anos de antecedência! Sabem por quê? Por que a propaganda deles é feita na escola!

Talvez alguns de vocês que estejam me lendo agora sejam simpáticos às ideias socialistas, ou, como tem sido mais comum, aprenderam, sem saber como ou de onde, que um regime socialista não é desejável, mas é necessário criar uma alternativa ao assim chamado "capitalismo selvagem".

Pois deixem-me dizer: eu tenho uma filha em idade escolar, que hoje frequenta o 7º ano. Eu desejo de coração que ela se torne a Comissária-Mor do futuro Brasil socialista, desde que, e somente se, ela souber o que está fazendo, sem fazer o papel de inocente-útil ou uma fiel colaboradora deste regime motivada pelo medo de dissentir!

Que ela se torne a primeira-delegada, a chanceler ou a grande guia do um futuro Brasil à moda cubana, se ela descobrir alguma verdade que hoje desconheço, mas que tenha tido conhecimento verdadeiro do que é o socialismo e o capitalismo, e que este conhecimento provenha de um estudo livre e desimpedido, do qual ela possa extrair suas conclusões por si própria.

A doutrinação ideológica escolar caracteriza-se pela desonestidade intelectual dos autores de livros didáticos e dos professores militantes, por meio da omissão ou deturpação de fatos e conceitos, com a finalidade de aliciar as crianças para a doutrina espúria que abraçam, e eles fazem isto valendo-se da ingenuidade dos jovens e da confiança dos pais e mães.

Será que vocês, pais e mães, querem que seus filhos se tornem ovelhas eleitorais nas mãos de políticos inescrupulosos? Querem que seus filhos vivam de comer na mão de agentes públicos? Querem torná-los marias-vai-com-as-outras?

Fiquem atentos: a doutrinação ideológica escolar já pisou firme até mesmo naquelas que são consideradas boas e tradicionais escolas particulares! Além disso, o governo está filtrando os jovens nos processos seletivos, ao elaborar questões ideologicamente enviesadas.

Há algo que vocês, pais e mães, podem fazer! Prestem atenção: escaneiem ou fotografem as páginas dos livros escolares e apostilas dos seus filhos que vocês desconfiem haver indícios de doutrinação ideológica, e enviem para mim. Meu endereço é:
klauber.pires@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Depois disso, reúnam-se, conversem uns com os outros e protestem em conjunto contra as escolas de seus filhos!

Nós estamos lidando com gente que possui muito poder. Se não nos unirmos para defendermos nossos filhos, estaremos condenando-os nós mesmos a uma vida desgraçada! É isto o que vocês querem?

Vamos acabar com a doutrinação ideológica escolar!


http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/13882-doutrinacao-ideologica-escolar-pais-tomem-uma-atitude.html
 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Educação continuada - Experiência de Aprendizagem Mediada (I) 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013



Autoajuda marxista

Em 4 de dezembro de 2012, a Gazeta do Povo publicou, lado a lado, dois artigos sobre o tema "O legado de Paulo Freire": um, escrito pelo presidente de honra do Instituto Paulo Freire, Prof. Moacir Gadotti; e outro, pelo jornalista, sociólogo e colaborador do ESP José Maria e Silva. O artigo do Prof. Gadotti -- intitulado Patrono da educação brasileira -- está nesse link:http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?id=1324596. O do jornalista José Maria e Silva, intitulado Autoajuda marxista, segue abaixo.

“Paulo Freire: Rousseau do século 20.” Quem faz essa afirmação, em um alentado livro de 324 páginas publicado em 2011 na Holanda e que leva justamente esse título, é o indiano Asoke Bhattacharya, professor da Universidade de Calcutá. De fato, Paulo Freire é a versão atual do autor de Emílio, ou Da Educação (1762), que muita influência teve na pedagogia. Mas, como ironiza Émile Durkheim, quem confiaria a educação de uma criança ao desnaturado Rousseau, que abandonou a própria prole?

Essa pergunta cabe em relação a Paulo Freire, que prega a liberdade, mas cultua totalitarismos. Pedagogia do Oprimido, uma espécie de manual de autoajuda marxista, idolatra a “linguagem quase evangélica” do “humilde e amoroso” Che Guevara, enaltece sua “comunhão com o povo” e, valendo-se de um jogo vazio de palavras, justifica as execuções sumárias que ele perpetrava sem piedade: “A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida”.

Essa frase assassina inspira Moacir Gadotti, discípulo predileto do mestre, que, em Pensamento Pedagógico Brasileiro, despreza o grande pedagogo escola-novista Lourenço Filho, mas se rende a Lenin e Mao Tsé-tung. Ambos são tratados por Gadotti como “grandes pedagogos da humanidade”.

Pedagogia do Oprimido, que deu fama mundial a Freire, é menos um tratado que um panfleto. Até seus discípulos são obrigados a reconhecê-lo. Ao observar que Paulo Freire “foi saudado como um dos fundadores da pedagogia crítica”, Bhattacharya observa que isso “não é errado, mas também não é muito preciso”, pois vários filósofos educacionais antes dele foram críticos em relação à pedagogia tradicional. “Portanto, não é a atitude crítica de Freire, mas seu ativismo político que o diferencia de alguns (mas não de todos) os filósofos canônicos educacionais”, diz o professor indiano.

O “Método Paulo Freire”, com mais propaganda que resultados, foi uma ferramenta populista de João Goulart financiada com dinheiro norte-americano do acordo MEC-Usaid. E nem era inédito: o uso de palavras geradoras na alfabetização já estava presente em outras propostas pedagógicas, como o “Método Laubach”, muito disseminado no Brasil. O que Paulo Freire fez foi carregar as palavras de ideologia revolucionária, a pretexto de falar da realidade do aluno. É como se o pedreiro tivesse de se restringir ao tijolo; o lavrador, à enxada; o carpinteiro, ao serrote. O que seria da cultura brasileira se Machado de Assis fosse obrigado, em sua alfabetização, a tartamudear sobre o morro em que nasceu?

O reducionismo pedagógico é o grande legado de Paulo Freire. Juntando-se ao “construtivismo pós-piagetiano”, ele inspirou o “preconceito linguístico”, que vilipendia a norma culta do idioma; a “geografia crítica”, que mistura bairrismo com economia marxista; a história em ação, que eterniza o presente; a matemática étnica, que cria analfabetos em tabuada. Paulo Freire relativizou o conhecimento, anulou a autoridade do professor e, sobretudo, assassinou o mérito – inviabilizando a possibilidade de educação. O ranking global divulgado no fim de novembro que o diga.

José Maria e Silva, jornalista, é mestre em Sociologia.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?id=1324597

http://www.escolasempartido.org/artigos/371-autoajuda-marxista

Um engodo chamado Método Paulo Freire

Escrito por Félix Maier | 23 Janeiro 2013
Artigos - Educação

A ressurreição da múmia comunista chamada Paulo Freire não se observa apenas nos campi cada vez mais estéreis das faculdades, mas também nos campos improdutivos do “messetê”.


Em 1943, foi introduzida no Brasil a Cruzada ABC (Ação Básica Cristã), com sede em Recife, Pernambuco. A Cruzada era um programa de alfabetização baseado no Método Laubach, que incluía, ainda, a bolsa-escola para famílias pobres. (E ainda dizem que o pernambucano Cristovam Buarque, que, com certeza, conhecia o Método Laubach, é o criador do bolsa-escola.) O missionário norte-americano Frank Charles Laubach desenvolveu seu método de alfabetização de adultos inicialmente nas Filipinas, onde, em 30 anos, conseguiu alfabetizar 60% de sua população.

No Brasil, o Método Laubach foi deturpado e substituído pelo Método Paulo Freire:

“Concomitante e subitamente, começaram a aparecer em Pernambuco cartilhas semelhantes às de Laubach, porém com teor filosófico totalmente diferente. As de Laubach, de cunho cristão, davam ênfase à cidadania, à paz social, à ética pessoal, ao cristianismo e à existência de Deus. As novas cartilhas, utilizando idêntica metodologia, davam ênfase à luta de classes, à propaganda da teoria marxista, ao ateísmo e a conscientização das massas à sua ‘condição de oprimidas’. O autor dessas outras cartilhas era o genial Sr. Paulo Freire, diretor do Sesi, que emprestou seu nome à essa ‘nova metodologia’ - da utilização de retratos e palavras na alfabetização de adultos - como se a mesma fosse da sua autoria” (David Gueiros Vieira, in
Método Paulo Freire ou Método Laubach?).

O Movimento de Educação de Base (MEB) era uma organização criada pela Igreja Católica, financiada pelo governo João Goulart e administrada por militantes da esquerda católica, muitos dos quais eram membros da
Ação Popular, que mais tarde se tornaria um grupo terrorista e promoveria um atentado no Aeroporto de Guararapes, Recife, em 1966. Baseado nas ideias marxistas de Paulo Freire, autor do livro pauleira Pedagogia do Oprimido, o MEB funcionava através de escolas radiofônicas, sob a direção de um líder local (padre ou camponês), em contato com as Ligas Camponesas.

Afinal, o que vem a ser o Método Paulo Freire, tão enaltecido pelos esquerdistas que tomaram de assalto as salas de aula das escolas e das universidades brasileiras? Ninguém melhor do que o historiador Paul Johnson para explicar esse engodo da mais pura ideologia marxista:

“O professor brasileiro Paulo Freire (...) descobriu que qualquer adulto pode aprender a ler em quarenta horas suas primeiras palavras que conseguir decifrar se estiverem carregadas de significação política; (...) apenas a mobilização de toda a população pode conduzir à cultura popular. As escolas são contraprodutivas (...) O melhor caminho a seguir é um rompimento com a educação institucional rumo à educação popular. O método se baseia no uso de palavras e expressões empregadas conscientemente de forma dúbia e duvidosa, de acordo com o conceito que seu autor tem de ‘educação libertadora’ e que pode ser assim resumido no conhecido jargão esquerdista: ‘(...) há uma incompatibilidade estrutural entre os interesses da classe dominante e a verdade...; a verdade está do lado dos oprimidos e não pode ser conquistada senão na luta contra a classe dominante...; a verdade é revolucionária, não deve ser buscada e sim feita’ ”
(Paul Johnson, in Inimigos da Sociedade - cit. COUTO, 1984: 39).

“O avanço do processo revolucionário comunista antes de Março de 1964, na área da educação, foi em grande parte creditado ao uso do Método Paulo Freire, que tem potencial para materializar, com inegável eficiência, aquela afirmativa de Fred Schwarz: ‘O primeiro passo na formação de um comunista é a sua desilusão com o capitalismo’. Hoje, o método e seu autor vêm sendo reabilitados em vários pontos do país, aparentemente com a mesma função revolucionária de antes. A alfabetização que propicia, baseada nas condições reais em que vive o aluno, explora largamente as contradições internas da sociedade para desmoralizar o capitalismo, e através dele a democracia, deixando a porta aberta para a opção socialista”.
(COUTO, 1984: 38-9)

A ressurreição da múmia comunista chamada Paulo Freire não se observa apenas nos campi cada vez mais estéreis das faculdades, mas também nos campos improdutivos do “messetê”:

“De acordo com os ideais socialistas e coletivos, calcados no princípio da solidariedade, o projeto educacional do MST tem como base teórica Paulo Freire, Florestan Fernandes, Che Guevara, o cubano José Martí, o russo A. Makarenko e clássicos como Marx, Engels, Mao Tsé-Tung e Gramsci”.
(revista Sem Terra, Out-Nov-Dez 1997, pg. 27).

Periodicamente, o mito de palha, que foi secretário de Educação do governo Luíza Erundina na cidade de São Paulo, é incensado na mídia para adoração, como o artigo da Gazeta do Povo, de 19/01/2013,
Pela união na construção do saber. Sem direito a contraditório.

Em 2012, o plagiário de Laubach foi declarado por
lei patrono da educação brasileira. Não há nome melhor para explicar o grau de mediocridade de nossas escolas e universidades, principalmente as faculdades ligadas à área da educação.

Nota:

COUTO, A. J. Paula. O desafio da subversão. Impresso na Gráfica FEPLAM, Porto Alegre, RS, 1984.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/13791-um-engodo-chamado-metodo-paulo-freire.html



Mensagem enviada por Alisson Coutinho, em 19.01.2011:
 "Seja a favor ou fique calado"

Meu nome é Alisson Coutinho de Souza e sou professor de matemática de algumas escolas no Recife e gostaria de deixar algumas dicas comportamentais para quem deseja seguir essa profissão tão gratificante:

1 - seja ateu; 2 - seja a favor do homossexualismo; 3 - se for professor de história, seja comunista; 4 - sempre fale mal das religiões; 5 - idolatre Paulo Freire; 6 - acredite religiosamente em Freud e em Darwin; 7 - não leia a Veja; 8 - leia Diplomatique; 9 - vote no PT; 10 - e sempre faça uma revisão com a cara da prova.
Após 15 anos de dedicação e entrega à nobre arte de educar, me sinto perplexo diante da realidade de nossas escolas: cada vez mais o relativismo toma conta da mente e das almas dos ditos educadores. O multiculturalismo com sua agenda socialista e gayzista é seguido à risca por professores, coordenadores, supervisores, gestores e claro diretores. Digo isso porque senti na pele o que acontece com quem se coloca contra o comunismo, o ateísmo e principalmente, sendo esse o maior erro, contra o famigerado homossexualismo.

Um certo dia os alunos me perguntaram se eu era a favor ou contra o homossexualismo. O assunto surgiu após uma brincadeira feita por outros professores com relação à parada gay, e eu fui enfático em dizer que era contra e que possuía vários motivos para ter essa posição. Nesse momento o caos se instalou e todos começaram a falar ao mesmo tempo, gritando as mesmas justificativas de sempre: que era normal na Grécia, pois o professor de história tinha dito; que os animais praticam, pois os professores de biologia tinham explicado; e que toda forma de amar vale pena, como o professor de redação tinha dito (e Lulu Santos também).

A surpresa maior veio na semana posterior, quando fui chamado para uma conversa na coordenação onde a primeira pergunta que me fizeram foi: “que história é essa que você anda dizendo que o homossexualismo é uma doença?” E claro eu respondi: “Uma doença não, porque se fosse o governo tinha que oferecer tratamento e os hospitais não teriam vagas. O homossexualismo é um fetiche, um capricho, um desejo adquirido e eu não acredito que fui chamado aqui para isso”. Logo após a resposta o coordenador tentou disfarçar dizendo que só me chamou porque isso gerou uma certa indisciplina na sala. Mas o melhor ainda estava por vir: na sala dos professores, um professor de história me interpelou dizendo que soube do acontecido e que se ele fosse o pai de um dos alunos viria à escola pedir providências; que eu não tenhoo direito de promover esse discurso de ódio, e me comparou aos nazistas.

Dá pra acreditar? Você pensa que acabou? Ainda não! Nessa mesma semana o coordenador, aquele mesmo, convidou outro professor de biologia, que por acaso é um dos donos da escola para dar uma palestra. Sobre que tema? Sexualidade. Fui assistir, e o que me chamou mais a atenção foi a recomendação dele para as alunas: “se vocês quiserem ter uma vida sexual plenamente realizada se masturbem”.

Outra coisa interessante foi a defesa que ele fez do caráter genético do homossexualismo. Sem citar nenhuma pesquisa e sem colocar nenhum argumento plausível, ele disse que o homossexual já nasce assim, arrancando aplausos dos alunos, meninos e meninas de 15, 16 e 17 anos. Após a falácia eu perguntei: “professor, quais as bases científicas que apoiam essa sua afirmação?”. Resposta: “Nenhuma”. Eu insisti: “Professor, se o homossexualismo é normal entre os animais, por que só identificamos esse comportamento entre os machos? E a resposta: “Não, você está enganado muitas fêmeas esfregam sua cloaca no chão”. No chão! É impressionante. Depois de todos esses acontecimentos vocês já imaginam o que aconteceu. É duro! Esfregar o ... no chão é ato homossexual!


 http://www.escolasempartido.org/depoimentos/47-seja-a-favor-ou-fique-calado

domingo, 10 de fevereiro de 2013

As falácias de um militante travestido de "geneticista" 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Sujeitinho temível

Escrito por Olavo de Carvalho | 08 Fevereiro 2013
Artigos - Cultura




É praticamente inevitável que, num meio social cada vez mais burro e tacanho, cada vez mais materialista, imediatista e dinheirista, um trabalho como aquele que desenvolvo nos meus cursos e conferências desperte todo um florescimento de suspeitas e fantasias paranóicas. Se neste país nem mesmo as pessoas de classe média e alta têm alguma idéia do que seja um filósofo no sentido vulgar, profissional e burocrático do termo, como poderiam entender alguém que busca, na linha de um Louis Lavelle, de um Dietrich von Hildebrand ou de um Gabriel Marcel (autores dos quais nunca se ouve falar na úichpi ou na púqui), restaurar a síntese clássica de cultura, pensamento e vida, a união indissolúvel do saber e do ser, a filosofia como disciplina não só da inteligência, mas da alma?

Incapazes de encontrar para essa atividade uma classificação tranqüilizante na nomenclatura das profissões usuais, muitos são os que conjeturam, para explicá-la, toda sorte de hipóteses extravagantes. O temor caipira mescla-se aí ao fenômeno mais geral e disseminado da adolescência prolongada, gerando as reações mais incríveis e estratosféricas. Sabendo que vez por outra vêm estudantes à minha casa, para aí impregnar-se um pouco de um estilo de vida que dê substância existencial ao que aprenderam nas minhas aulas, papais e mamães, preocupados com a segurança e bem-estar de seus bebês de vinte, trinta ou quarenta anos, perguntam angustiadamente se não se trata de uma seita, de um movimento subversivo ou mesmo de alguma rede internacional de tráfico de escravas brancas, e advertem as criancinhas para que se mantenham a uma prudente distância de coisas tão horríveis.

Aqueles que leram dois ou três livrinhos, o suficiente, no Brasil, para fazer de um retardado mental um jornalista, um professor, um “formador de opinião”, dão expressão pública a essas fantasias domésticas, fornecendo, para explicar as minhas atividades malignas, teorias que, decerto, dizem mais a respeito deles próprios que de qualquer coisa que tenha a ver com a minha pessoa de carne e osso.

Conforme o seu grupo de referência – pois no Brasil não há pensamento individual, só o bom e velho “imbecil coletivo” --, arrumam suas conjeturações e suspeitas numa línguagem que simula a racionalidade-padrão do seu meio social, às vezes chegando até a acreditar que com isso disseram algo de tremendamente cientifico.

A hipótese da “seita”, com direito a escravização mental e genuflexões ante o guru, foi posta em circulação pelo sr. Rodrigo Constantino, o qual não precisou, para isso, nem freqüentar as minhas aulas, nem coletar depoimentos de vítimas traumatizadas, nem muito menos ler os meus livros de filosofia, que passam léguas acima da sua cabecinha, bastando-lhe tão-somente lamber por alto meia dúzia de meus artigos e, vendo aí algumas referências a Deus, concluir que se tratava de religiosidade fanática e doentia (adjetivos redundantes, já que para ele toda religiosidade é isso).

Sendo o sr. Constantino aceito em certos círculos como porta-voz do liberalismo econômico iluminista, disciplina em cujo domínio o ex-ministro Ciro Gomes demonstrou que ele tem a agilidade de uma tartaruga de pernas para o ar, é compreensível que ele pense que todo mundo que não é igual a ele nem comunista deva ser um esquisitão do tipo Rajneesh ou Reverendo Moon.

Já um tal sr. Bertone não sei das quantas, que se diz psicólogo e talvez o seja mesmo, pois no Brasil tudo é possível, assegura que sou um representante vivo do “patriarcalismo burguês”, daqueles que em casa impõem o mais severo moralismo repressivo, mas, quando os filhos chegam aos quatorze ou quinze anos, os levam a um puteiro para que aprendam a ser machões exemplares. Na verdade, a instituição mais próxima de um puteiro à qual fui com meus filhos foi o jardim zoológico. Juro que jamais os levei ao Congresso Nacional.

Em contraste com o sr. Bertone, outros disseram que sou um homossexual ou transexual furioso, desses que não podem ver homem sem ter chilique, e que viajei para a Europa para trocar de sexo, só restando, na minha modesta opinião, esclarecer qual sexo eu tinha antes e qual tenho agora, excluída a hipótese de que eu haja me submetido àquela sangrenta operação duas vezes, de modo a que ninguém desse pela diferença.

Em certos meios militares, estimulados pelo conhecimento da minha amizade de juventude com os srs. José Dirceu e Rui Falcão, e atordoados ante o fato de que eu fizesse críticas à ditadura ao mesmo tempo que a defendia contra acusações demasiado inventivas, correu a história de que eu era um agente de desinformação, um comunista enrustido, íntimo de Nicolae Ceaucescu (o qual estava morto fazia dez anos quando cheguei à Romênia pela primeira vez).

Não espanta, pois, que aqueles que receberam na universidade algumas noções de marxismo – ou do que se entende por isso nas regiões intelectualmente inóspitas do Terceiro Mundo --, não consigam resistir à tentação de me explicar segundo os cânones dessa doutrina, vendo em mim um agente pago do imperialismo internacional, o qual imperialismo, para todos os fins de fato e de direito, fica representado nessa história pelo Diário do Comércio.

O nosso já conhecido sr. Patschiki alerta a seus companheiros que, de parceria com essa organização fascista, planejo matá-los a todos. Ele acredita mesmo nisso, e não me parece que seja possível demovê-lo dessa convicção aterrorizante sem umas boas palmadas no traseiro, não muito eficientes, no entanto, porque ele as interpretará como tentativa de assassiná-lo pela parte mais elevada da sua inteligência.

Publicado no Diário do Comércio.

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/13841-sujeitinho-temivel.html

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013



Relojoeiro cego

Você vai ao médico, ele pede um exame de sangue e você descobre que seu filho terá síndrome de Down. O que você faria?

Pensará nos custos? Você não é uma pessoa excepcionalmente egoísta, mas, em meio a sua agenda, como conseguirá lidar com uma criança assim? A agenda já é pesada com trabalho, sexo top (lembre-se: gostosa sempre!), estudos na pós-graduação (afinal, hoje em dia é imperativo agregar valor à vida profissional e pessoal), férias...

Quem tomará conta da criança? Você tem alguém com quem possa contar? Irmãs, mãe, marido? Escola especial? Psicoterapeuta, psicopedagoga?

Claro que essa questão não diz respeito a quem tem já filhos com esse quadro clínico, mas sim àqueles que um dia passarão por isso. Tampouco cabe aqui o argumento de que aqueles que já têm um filho assim o amam e aprenderam a conviver bem com essa situação. Enfim, não se trata de amar ou não os filhos que já se tem, mas sim de escolher os filhos que teremos.

No Brasil, sendo o aborto ilegal numa situação como esta, a tendência, com a chegada até nós desse tipo de exame, é o aumento do aborto ilegal.

A ciência vive pressionando a ética: trata-se aqui da ampliação do poder de escolha informada. Aumentando os recursos técnicos da medicina pré-natal, aumenta-se proporcionalmente a possibilidade de se evitar determinados tipos de gravidez. O nome disso, segundo o filósofo americano Francis Fukuyama, é "design babies" (bebês de prancheta, na tradução brasileira): bebês ao portador, com grau máximo de saúde.

Católicos dirão que a vida pertence a Deus. Quem não crê nisso tem diante de si a seguinte questão: por que devo me submeter ao mero acaso? Afinal, a criança não foi fruto de um orgasmo (masculino, no mínimo)? Se o acaso decidiu qual óvulo e espermatozoide que estariam a postos, por que devo eu me submeter a tamanho capricho cego?

Não seria essa criança apenas uma carta triste no baralho, baralho este criado por um relojoeiro cego? Explico: a teoria do design inteligente (Deus criou o universo) afirma que sendo o universo organizado, não seria possível imaginar que ele teria surgido sem um criador inteligente (o relojoeiro criador).

Ateus em geral, ironizando, até aceitam que exista uma ordem, mas esta ordem seria fruto do acaso cego, daí o "relojeiro cego" que fala o darwinista Richard Dawkins em seu livro "Blind Watchmaker" (relojoeiro cego).

Se não devemos nada a ninguém, por que não tomarmos nosso destino nas mãos e ter o "melhor filho" possível? Tomar o destino em nossas mãos é optarmos pelos ganhos técnicos à mão, ou seja, a artificialização da vida.

Quanto aos crentes, em tempo abraçarão a causa, dirão que Deus nos fez inteligentes para tomarmos decisões inteligentes. A Igreja Católica, mais lenta, 500 anos depois também aceitará, como aceitou Galileu.

O processo de ampliação de escolha informada implica, num prazo de tempo não muito preciso, a crescente artificialização da atividade reprodutiva humana. Isso é tão inevitável como a ampliação dos direitos civis, tais como voto das mulheres, casamentos gays, direitos da mulher sobre seu corpo, e afins.

Se você vê um dia um homem aparentando 60 anos, mas com corpo e disposição de 40, correndo no Ibirapuera ao lado de uma gostosa de 25, você talvez não imagine quantos remédios ele tomou quando acordou, entre eles, um Viagra.

Isto é a artificialização da vida. Dito assim, parece um absurdo do cinema de ficção científica, mas na prática, é banal como tomar vitaminas e vacinas.

Num futuro próximo, ter filhos pelo método do acaso será como negar vacinas aos filhos. Um ato de irresponsabilidade reprodutiva. Empresas de seguro cobrarão mais caro por apólices de crianças geradas pelo relojoeiro cego. Ou simplesmente recusarão estas apólices.

ONGs farão campanhas para criminalização da reprodução não assistida pela medicina pré-natal genética em nome da sustentabilidade social das crianças geradas e dos custos de saúde pública.

Vejo mesmo o comercial: "Dê a seu filho o que você tem de melhor, Bradesco Biotecnologia".


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1225208-relojoeiro-cego.shtml

sábado, 2 de fevereiro de 2013

http://www.unitedearth.com.au/lubicz.html

Schwaller de Lubicz
Lima Barreto: um grito brasileiro