terça-feira, 19 de novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

04/11/2013 - 03h00
Eu acuso


Muitos alunos de universidade e ensino médio estão sendo acuados em sala de aula por recusarem a pregação marxista. São reprovados em trabalhos ou taxados de egoístas e insensíveis. No Enem, questões ideológicas obrigam esses jovens a "fingirem" que são marxistas para não terem resultados ruins.

Estamos entrando numa época de trevas no país. O bullying ideológico com os mais jovens é apenas o efeito, a causa é maior. Vejamos.

No cenário geral, desde a maldita ditadura, colou no país a imagem de que a esquerda é amante da liberdade. Mentira. Só analfabeto em história pensa isso. Também colou a imagem de que ela foi vítima da ditadura. Claro, muitas pessoas o foram, sofreram terríveis torturas e isso deve ser apurado. Mas, refiro-me ao projeto político da esquerda. Este se saiu muito bem porque conseguiu vender a imagem de que a esquerda é amante da liberdade, quando na realidade é extremamente autoritária.

Nas universidades, tomaram as ciências humanas, principalmente as sociais, a ponto de fazerem da universidade púlpito de pregação. No ensino médio, assumem que a única coisa que os alunos devem conhecer como "estudo do meio" é a realidade do MST, como se o mundo fosse feito apenas por seus parceiros políticos. Demonizam a atividade empresarial como se esta fosse feita por criminosos usurários. Se pudessem, sacrificariam um Shylock por dia.

Estamos entrando num período de trevas. Nos partidos políticos, a seita tomou o espectro ideológico na sua quase totalidade. Só há partidos de esquerda, centro-esquerda, esquerda corrupta (o que é normalíssimo) e do "pântano". Não há outra opção.

A camada média dos agentes da mídia também é bastante tomada por crentes. A própria magistratura não escapa da influência do credo em questão. Artistas brincam de amantes dos "black blocs" e se esquecem que tudo que têm vem do mercado de bens culturais. Mas o fato é que brincar de simpatizante de mascarado vende disco.

Em vez do debate de ideias, passam à violência difamatória, intimidação e recusam o jogo democrático em nome de uma suposta santidade política e moral que a história do século 20 na sua totalidade desmente. Usam táticas do fascismo mais antigo: eliminar o descrente antes de tudo pela redução dele ao silêncio, apostando no medo.

Mesmos os institutos culturais financiados por bancos despejam rios de dinheiro na formação de jovens intelectuais contra a sociedade de mercado, contra a liberdade de expressão e a favor do flerte com a violência "revolucionária".

Além da opção dos bancos por investirem em intelectuais da seita marxista (e suas similares), como a maioria esmagadora dos departamentos de ciências humanas estão fechados aos não crentes, dezenas de jovens não crentes na seita marxista soçobram no vazio profissional.

Logo quase não haverá resistência ao ataque à democracia entre nós. A ameaça da ditadura volta, não carregada por um golpe, mas erguida por um lento processo de aniquilamento de qualquer pensamento possível contra a seita.

E aí voltamos aos alunos. Além de sofrerem nas mãos de professores (claro que não se trata da totalidade da categoria) que acuam os não crentes, acusando-os de antiéticos porque não comungam com a crença "cubana", muitos desses jovens veem seu dia a dia confiscado pelo autoritarismo de colegas que se arvoram em representantes dos alunos ou das instituições de ensino, criando impasses cotidianos como invasão de reitorias e greves votadas por uma minoria que sequestra a liberdade da maioria de viver sua vida em paz.

Muitos desses movimentos são autoritários, inclusive porque trabalham também com a intimidação e difamação dos colegas não crentes. Pura truculência ideológica.

Como estes não crentes não formam um grupo, não são articulados nem têm tempo para sê-lo, a truculência dos autoritários faz um estrago diante da inexistência de uma resistência organizada.

Recebo muitos e-mails desses jovens. Um deles, especificamente, já desistiu de dois cursos de humanas por não aceitar a pregação. Uma vergonha para nós.


Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

domingo, 27 de outubro de 2013

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

domingo, 6 de outubro de 2013

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

sábado, 28 de setembro de 2013


Sexo, gênero, modalidade: 
a marcha da anarquia sexual





“Como vimos no primeiro capítulo, é em nossos desejos inconscientes reprimidos que encontramos a essência de nosso ser, a pista para as nossas neuroses (enquanto a realidade é repressiva), e a chave para o que podemos nos tornar se a repressão do real cessasse".
--- Life against death: the psychoanalytical meaning of history, de Norman O. Brown (1959).


"O tempo livre poderá se tornar o conteúdo da vida e o trabalho poderá se tornar o livre exercício das capacidades humanas. Desse modo, a estrutura repressiva sobre os instintos poderá ser explosivamente transformada: as energias instintivas que não mais estarão amarradas ao trabalho sem recompensa estarão livres e, como Eros, forçarão para universalizar relacionamentos livres e desenvolver uma civilização libidinosa."
--- Herbert Marcuse, Five lectures, citado por Leszek Kolakowsky em Main currents of marxism.




“Aqueles que desejam liberar o homem da ordem moral precisam impor controles sociais tão logo eles o consigam, porque a libido liberada conduz inevitavelmente à anarquia. No curso de dois séculos, aquelas técnicas tornaram-se mais e mais refinadas, resultando num mundo onde as pessoas fossem controladas, não por forças militares, mas pelo controle técnico de suas paixões.”
--- Comentário sinóptico de Libido dominandi, sexual liberation and political control, de E. Michael Jones.


“Assim, um homem bom, embora escravo, é ainda assim um homem livre; mas o homem fraco, mesmo sendo rei, será escravo. Porque ele serve não a apenas um homem, mas, pior, a tantos mestres quantos sejam seus vícios”.

--- Santo Agostinho, City of God.


Peter Heck [1]
O debate sobre se aqueles que praticam o homossexualismo deveriam alcançar a situação legal de “casados” por sua relação com o mesmo sexo é persistentemente mau caracterizada pelos ativistas nos dois lados como a tentativa de redefinir o casamento. Para aqueles que se opõe a esta mudança, isto é mais certamente um erro da ignorância; enquanto para aqueles favorecidos, trata-se apenas de uma intencional tática diversificatória. Para ser claro, de modo a “redefinir” qualquer coisa, antes é preciso haver uma definição alternativa sendo defendida.Nesse ponto, nenhuma proposta substituta emerge.
Na verdade, o que se está querendo não é qualquer redefinição do casamento, mas antes uma “indefinição” dele --- uma tentativa para obliterar qualquer parâmetro fundamental para o que é percebido como comportamento sexual moral e imoral. Para qualquer um atento às últimas décadas, esse esforço não deveria parecer nem um pouco surpreendente.
O debate sobre a homossexualidade em nossa cultura, depois de tudo, é nada mais que a manifestação atual de uma cruzada bem mais ampla pela anarquia sexual[2], a qual vem sendo ampliada desde a publicação dos estudos fraudulentos de Alfred Kinsey na década de 50. Engajado em nada menos que pedofilia institucional e abuso sexual de crianças tão jovens quanto as do jardim de infância, a “pesquisas de Kinsey defende que a média dos americanos está comumente envolvida em toda sorte de atividade sexual. Ele e seus acólitos urgem a cultura para agir de acordo com suas revelações, para todos libertarem-se de seus medos e vergonhas sobre tal comportamento e abraçar todas as formas de atividade sexual como expressões aceitáveis.
A causa de Kinsey adulterou o movimento de amor livre dos anos 60 com o seu apelo por quebrar as barreiras sociais contra quase todas as formas de expressão sexual [3]. E desde então, temos assistido uma implacável campanha destas forças que promovem a anarquia sexual para normalizar variações de sexo meramente recreativas, anteriormente condenadas. Quando Kinsey começou isto, a maioria resistia à idéia de que sexo deveria ser entretenimento, até a cultura pop torná-la uma idéia mais aceitável, e aos poucos o próprio padrão cínico da sociedade. A maioria também resistia à idéia de que o divórcio devesse ser facilmente alcançado, até a cultura pop defendê-lo como coisa mais que óbvia. E mais; a maioria resistia à idéia de que a promiscuidade devesse ser celebrada como forma de manifestação sadia, até que a cultura popular a normalizasse. A maioria também resistia à idéia de que o homossexualismo e o cross-dressingdevesse ser aceito, e agora a cultura pop está normalizando isso.
Se a minha avaliação está correta, nós estamos vendo o próximo passo na cruzada pela anarquia sexual tomando forma. E justo nessa hora, uma nova história surge na América do Norte, para tornar real tal coisa. E esse caso e outros são os futuros modelos para serem exportados para todas as nações ocidentais.
Como explica a colunista Lindsay Whitehurst, próximo de 38 mil poligamistas em Utah estão seguindo o caso onde a Suprema Corte está para decidir que pode derrubar o banimento da poligamia no país. O que é mais chocante nessa história é quão assustadoramente semelhante ao argumento poligamista é aquele que estamos ouvidos atualmente das demandas de grupos de homossexuais ativistas e de transgêneros na América [4].
Chamando esse procedimento “histórico”, a defensora da poligamia Marlyne Hammon declarou: “Se o Canada passar esta lei, estará mandando uma importante mensagem para o resto do mundo. Eles podem ver que [a poligamia] não é o que todo mundo diz. É sobre pessoas.” Hammon acrescenta que a descriminalização do casamento plural [!] no Canadá será um grande impulso para quem queira defendê-lo nos Estado Unidos. “Temos que nos afirmar em nossos lares”, diz ela. “Precisamos continuar lutando por nossos direitos civis”.
O porta-voz da Advocacia Geral de Utah, Paul Murphy, tem dito sobre o caso: “Isso nos irá instruir. O Canadá está enfrentando os mesmos temas que enfrentamos; temos esta mesma lei, mas na maioria das vezes não vem sendo aplicada por qualquer instância legal.”
É de notar a similaridade da linguagem e de sentimentos dos quais se valem: “direitos civis”, “antidiscriminação”, “auto-realização”, “felicidade pessoal”, “não julgue”, “direitos constitucionais”, “expressão pessoal”. As mesmas expressões usadas pelos anarquistas sexuais para promover a aceitação do comportamento homossexual já está sendo usado para se avançar ao próximo passo nessa escada. Deve ser sem nenhuma surpresa, pois, que então alguém como Tom Hanks, um proponente em alta voz do casamento gay, seja o atual produtor executivo para as séries da HBO “Big Love”, retratando (e normalizando) uma família poligamista em Utah.
Uma vez que o caminho tenha sido forjado pelos ativistas homossexuais, a poligamia não é nada mais que o próximo passo lógico. Paul McCormack, professor de direito da Universidade de Utah, confirma que se a Suprema Corte aceitar a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, isso abrirá o caminho para outras formas pessoais de preferência sexual: “Isso ressuscitará o interesse pela poligamia”, diz ele.
Por tudo o que se disse até agora, eu pergunto a todos que sustentam a legalização do “casamento gay”: como pretenderão negar direito àqueles que defendem a poligamia? [5] E como impedirão que se dê, nessa marcha, o próximo passo então? Essa questão tem passado de uma hipotética casca de banana de tolerância para com o bizarro até a perversão pura e simples para então entrar definitivamente no mundo real e infestar a legislação. Toda fantasia mais solta reivindica hoje estar protegida por lei. Essa questão precisa de uma resposta nossa, é preciso firmar uma posição, antes que se resolva enveredar por esse caminho aberto por Kinsey.
Se removermos as pilares morais atuais que definem o casamento conforme o pretendia Deus, entre homem e mulher, declarando-o uma violação dos direitos civis daqueles que aceitam o homossexualismo, como podermos repor depois aqueles mesmos pilares para rejeitar os direitos civis reivindicados pelos polígamos?
Se aceitarmos o argumento esposado pela cultura pop dos ativistas homossexuais, como o pleiteia Ellen DeGeneres, nos seus termos: “As pessoas estão se tornando o que elas querem se tornar, e nós temos que aprender a amá-las pelo que elas são e deixá-las amar quem elas querem amar”, como poderemos rejeitar ativistas como Marlyne Hammon, que dizem o mesmo?
A resposta é, não iremos. Esta é a conseqüência de deixar “indefinido” o conceito de casamento --- que se torna um termo sem sentido, de uma vez por todas subjugado pelas forças da anarquia sexual. Isso necessariamente abre os portões do dilúvio para a legalização de cada forma de atividade sexual, da poligamia ao incesto, à infâmia da pedofilia --- chamada então “pedossexualidade” ---, e à bestialidade. Antes de erradicarmos as barreiras morais de nossa cultura, podemos querer dar uma pausa com tempo para considerar o que nos espera para além destas transformações, para outro mundo, culturalmente amorfo.
Notas

1. Peter Heck é professor universitário público e radialista em Indiana. Texto original do American Thinker, February 14, 2011:"The Polygamists Make Their Move”.

2. Falta ainda notar que o feminismo, uma das primeiras formas de demanda de direitos sexuais, e que precede todas as outras, fez com que as mulheres acreditassem que sua liberdade dependia de ser aquilo que todo machista sempre quis elas fossem. Que isso tenha acontecido dentro de um movimento de afirmação dessa condição, não apenas permitiu que a sujeição assumisse, disfarçando-se de nudez explícita, o cinismo mais descarado, e, de volta, liberando os homens, para sua própria “liberdade” sujeita. Decorreu no rastro desse tornado cultural, de efeito calculado, todos os movimentos úteis a uma desordem ainda maior, aquela que vai defender todo tipo de perversidade epicurista como máxima expressão da condição humana e com expressão legal.
3. Em Saul Alinsky, ativista político da esquerda americana, hoje no poder, há marcado o esforço pela separação das gerações, de modo que os mais velhos não possam repassar a tradição aos jovens e que eles se formem novos e sem ligação com a tradição. Ligação que já está no ponto de ser reestabelecida, sob pena de se perder algo que, uma vez perdido, não terá mais volta.
4. Para comprová-lo, de por aqui, ler o relatório de Ayres Britto e comentário de Peluso sobre o tema com foi tratado no Brasil, de forma idêntica, sem fundamentação hermenêutica qualquer além do deslizamento anárquico ao copular com um safado terceiro elemento de interpretação à Constituição para além do que seria aceitável fazer, sem que isso tenha despertado qualquer indisposição de quem quer que seja na área no caso do casamento homossexual.
5. Q.E.F., o que se queria fazer! A poligamia é o próximo passo, mas não é um fim em si, senão que sua aprovação permitira que não apenas casais do mesmo sexo sejam reconhecidos legalmente como família, mas qualquer associação de pessoas, mesmo aquelas pessoas do mesmo sexo, como um clubes de swing poderiam reivindicar tornar-se uma família conjugal.
ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira